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história
Jogadores

Jaguaré de Vasconcelos: o Jaguar

2013/03/14 17:35
Texto por João Pedro Silveira
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As «molecagens» de Jaguaré irritavam os adversários mas deliciavam as torcidas. Era famoso pelo seu lado brincalhão, mas também pela arte entre os postes. Felino, defendia com paixão e foi um dos primeiros ídolos da bola carioca, responsável pela introdução do uso das luvas no futebol brasileiro. Vedeta, saltou para a Europa, onde jogou no Barcelona e foi campeão em França pelo Marseille. Também passou por Portugal, onde foi o primeiro brasileiro da história do Sporting, jogando ainda no Académico do Porto e no Leça, antes de regressar ao Brasil.

Estivador-jogador na Saúde

Jaguaré Bezerra de Vasconcelos, nasceu no Rio de Janeiro, onde desde tenra idade teve que trabalhar para ajudar a família. Cresceu no bairro da Saúde, trabalhando duramente na estiva e aproveitando todos os tempos livres para jogar futebol com os amigos nos diversos descampados desta zona ribeirinha da «Cidade Maravilhosa». Entre dias passados a carregar sacos no porto e pontapés em bolas velhas nos descampados, Jaguaré foi descobrindo a sua vocação para as balizas...

Chegou ao Vasco, onde foi um ídolo, corria o ano de 1928. Analfabeto, ensinaram-lhe a assinar o seu nome para poder inscrever-se nas fichas de jogo, antes de cada encontro. Após alguns treinos ganhou a titularidade e começou a brilhar, sendo regularmente destaque nas notícias, pelas suas bizarrias e provocações. Com os vascaínos seria campeão do Rio de Janeiro em 1929, jogando três vezes pela seleção brasileira, sendo dos primeiros jogadores brasileiros a receber convites para publicidade.

Acompanhou o Vasco numa tournée pela Europa, iniciada em Portugal, ficando maravilhado com o profissionalismo que encontrou no futebol europeu. No regresso, não calava o desejode voltar a atravessar o Atlântico o mais rápido possível. Gabava o profissionalismo que encontrara nos clubes portugueses e espanhóis, apontando o dedo ao amadorismo brasileiro.

Salto para a Europa

Acabou por cruzar o grande oceano em 1931, não com destino a Portugal, que tanto o tinha encantado, mas sim à vizinha Espanha, onde defendeu a camisola do Barcelona. Após dois anos na Catalunha, voltou ao Brasil para cumprir o serviço militar, onde os adeptos e a imprensa não o tinham esquecido. Jogou duas épocas no Corinthians, antes de cruzar o mar para jogar no Sporting, com quem conquistou o Campeonato de Lisboa, antes de passar a França, onde ficou na história do Olympique de Marseille, não só pelas suas tropelias. 

Em terras gaulesas deixou marca, enfeitiçando os adversários com as suas provocações, ora dançando em frente do avançado isolado, ora defendendo remates com pontapés de bicicleta.Pioneiro do espetáculo na baliza, muito antes de guarda-redes como Chilavert ou Higuita, foi um precursor dos «mind games», destabilizando os avançados recorrentemente. Colegas, adversários, árbitros, todos se enervavam com a falta de fair-play de «El Jaguar» como ficara conhecido então.

Após três anos a fazer apostas com os adversários sobre as probabilidades de estes conseguirem desfeiteá-lo, entre outras «habilidades», abandonou França com fama de louco, mas deixou saudades, no seu estilo carismático, no bom coração que os colegas reconheciam. Era um típico caso de «chapa ganha, chapa gasta», capaz de gastar o ordenado com os amigos. 

Fim trágico

Sem controlo nas finanças, teve de continuar a carreira de emigrante e voltou a Portugal para jogar no Académico do Porto, clube que era então comandado pelo húngaro Janos Biri, treinador campeão no FC Porto e que voltaria a sê-lo no Benfica. O Académico acabaria em sétimo, num campeonato com apenas oito equipas. No fim da época voltou ao Brasil, onde jogou no São Cristóvão.

Sem dinheiro, voltou a Portugal e ao Leça, onde ajudou o humilde clube de Matosinhos a chegar pela primeira vez ao Campeonato Nacional, onde apesar das suas muitas defesas, não conseguiu evitar o último lugar.

Na temporada de 1935/36 o Sporting contratou três brasileiros, eram os primeiros de uma lista que tornaria interminável. Deste trio o "goleiro" Jaguaré era o mais reputado, contando com 3 presenças na Selecção do Brasil.
 
Estivador de profissão, começou a jogar no futebol como amador no Atlético Santista, até ser descoberto pelo Vasco da Gama, onde foi Campeão Carioca, tornando-se internacional.
 
Transferiu-se para o Barcelona depois de uma excursão do Vasco à Europa, regressando entretanto ao Brasil para cumprir o serviço militar, passando então a jogar no Corínthians.
 
Em 1935 apesar de se dizer que tinha propostas de Espanha, veio para o Sporting. Inicialmente dividiu a baliza leonina com Dyson, que até aí era o titular, mas nessa época chegara ao Campo Grande vindo do Barreiro, o jovem Azevedo, que se viria a tornar num dos melhores guarda-redes da história do futebol português, e que terminou a temporada já como o indiscutível dono da camisola nº 1 dos Leões.
 
Assim, Jaguaré fez apenas 7 jogos pela equipa principal do Sporting, contribuindo para a conquista do Campeonato de Lisboa da época de 1935/36.
 
Seguiu então para França, onde se tornou numa grande figura do Olimpique de Marselha, numa equipa que ganhu um Campeonato e uma Taça.
 
Mais tarde Jaguaré ainda jogou em Portugal, representando o Académico do Porto e o Leça.
 
Regressou ao Brasil onde reza a lenda que terá sido o primeiro "goleiro" a usar luvas, mas apesar da sua carreira de sucesso não tinha poupado nada, pelo que teve de voltar a trabalhar na Estiva.
 
Faleceu no dia 27 de Agosto de 1946, quando se envolveu numa briga com dois policias que o espancaram até à morte
Entretanto na Europa começava a guerra e Jaguaré fugia para casa, com medo de ser apanhado pelo conflito. Sem dinheiro, entretanto todo gasto, volta à dura condição de estivador, esquecido por tudo e por todos. Mudou-se para Santo Anastácio, no interior de São Paulo, onde «trabalhou de sol a sol» e acabaria por falecer a 27 de agosto de 1946, após supostamente se ter envolvido numa luta com dois policias, que o espancaram até à morte. Seria enterrado como um indigente e a sua morte apenas lembrada como uma nota de rodapé num jornal local.
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