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história
Jogadores

Hugo Sánchez: o Pentapichichi

2012/06/11 18:05
Texto por João Pedro Silveira
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«Quando cheguei a Espanha, todos me gritavam 'Indio!' Quando me fui embora cantavam 'Hugol!'»
Hugo Sánchez

Alma mexicana

O futebol de Hugo Sánchez era uma fiel representação do México, desse México eterno dos murais de Diego Rivera, do México apaixonado dos quadros de Frida Kahlo, do México sonhado por Octávio Paz. Havia nas suas corridas que atravessavam o relvado a centelha revolucionária de Zapata, a paixão furiosa de Pancho Villa, a comicidade de Cantinflas e até a caricatural velocidade de Speedy González... Hugo Sánchez Márquez era mexicano até à medula, e tinha muito futebol nas suas pernas....

«Hugol» era um jogador literalmente muito à frente do seu tempo. Chegou com uma década de avanço - se não mais - ao futebo mexicano. Apetece perguntar o que seria do futebol asteca se ele tivesse nascido dez anos mais tarde? Com Hugo Sánchez o que seria da «Tricolor» durante os anos 90? Talvez hoje se contasse uma história bem diferente e se recordasse uma meia-final ou até mesmo uma final de um mundial onde os mexicanos tivessem chegado...
 
Muito Sánchez, pouco México...
 
Talento puro, um faro incrível pelo golo, lampejos de classe, e um killer instinct digno de um felino, tudo contribuiu para tornar o avançado mexicano, num dos mais lendários goleadores dos anos 80. 
 
Tal era a qualidade de Hugo, que há certamente um antes e um depois de Sánchez no futebol mexicano. Uma seleção que apesar das qualificações regulares para o mundial, era por norma despachada para casa ao fim da primeira fase, sem conhecer o sabor da vitória, algumas vezes nem sequer do empate, tornou-se com o passar dos anos, numa das equipas mais respeitadas do mundo.
 
Poucos duvidam que Sánchez contribuiu e de que maneira para o redobrado interesse dos seus conterrâneos na modalidade, e que muitos dos craques que o México tem apresentado nas duas últimas décadas, cresceram a idolatrar o pequeno artilheiro, que apontou 432 golos ao serviço da seleção e dos diversos clubes que representou.
 
Na «Tricolor», com a camisola verde  - que um dia considerou ser prejudicial porque os colegas não o conseguiam ver no relvado - apontou apenas 29 golos em 58 encontros. Esteve presente em três mundiais, mas apontou apenas um golo. A qualidade da equipa mexicana de então, explica muito dos números modestos de Sánchez na seleção, por oposição à carreira que teve no Pumas, no Atlético ou no Real de Madrid.
 
Dos Pumas para Madrid
 
Poucos sabem que «el Ninõ de Oro» começou como extremo esquerdo nos Pumas, antes de Bora Milutinovic - o treinador que ajudou a revolucionar o futebol mexicano -, o deslocar para o centro do ataque e fazer dele o avançado temível que todos conheceram.
 
Campeão e melhor marcador do campeonato mexicano, recebeu uma proposta tentadora do Atlético de Madrid e mudou-se para Espanha. Eram outros tempos, e um mexicano a jogar na Europa era então algo que seria no mínimo inusitado, não surpreendendo que na primeira época nos colchoneros tenha começado no banco, acusando a distância e a pressão do público que não o acarinhava, não conseguiu transportar para o campo o instinto assassino que demonstrara nos campos mexicanos.
 
Mas com o passar do tempo acabou por ganhar a titularidade e tornar-se a estrela do clube, apontando golos com regularidade e conseguindo ganhar o prémio pichichi pela primeira vez em 1985.
 
A grande surpresa, e o choque para a aficción do Vicente Calderon - o estádio que tinha o nome do Presidente que o levou para o Atlético - veio quando Hugol trocou Manzanares por Chamartín, o Atlético pelo eterno rival Real de Madrid.
 
Com a camisola merengue
 
No Santiago Bérnabeu encontrou a felicidade e tornou-se o goleador dos goleadores. Em 1985/86, os 22 golos valeram-lhe um novo recorde em Espanha mas não chegaram para renovar o título de pichichi.
 
Ao lado de Butragueño, Sanchís, Vazquez, Michel, Pardeza, a famosa «Quinta del Buitre», conquistou a Taça UEFA no ano de estreia e a Liga. Nos anos seguintes conquistaria mais quatro Ligas, sendo fundamental no pentacampeonato merengue ao conquistar por quatro vezes seguidas o título de melhor marcador do campeonato espanhol, que lhe valeu a alcunha de pentapichichi. A última dessas campanhas valeu-lhe também a conquista da «Bota de ouro», para o melhor mercador dos campeonatos europeus.
 
Os últimos anos seriam de lento declínio. Após duas épocas menos conseguidas, saiu do Real de Madrid para jogar no América do México. Voltou a Espanha para brilhar com a camisola do Rayo Vallecano, onde apontou 16 golos, um feito assinalável num clube de ambições tão modestas...
 
De tal maneira foi decisiva a sua presença em Vallecas que foi convocado para jogar no mundial dos EUA em 1994, o terceiro e último da sua carreira. Após o grande certame regressou ao México para jogar no Atlante, antes de voltar a tentar a sorte na Áustria e nos EUA. Terminaria a carreira no Atlético Celaya, um pequeno clube mexicano de província.
 
O legado
 
Para a história ficaram os seus golos em Madrid, tanto no Atlético como no Real, as suas arrancadas supersónicas, os seus pontapés de bicicleta, as famosas «huguinas», uma variação do famoso remate que em Espanha é conhecido por «chilena», mas que nesses tempos alguns sugeriam que se passasse a chamar de «mexicana»...
 
O mais famoso de todos os golos, apontado numa tarde de sol em Logroño, recebeu o nome de «Senhor Golo», porque a equipa que sofrera o golo chamava-se Logroñes, que lido ao contrário se lê precisamente «Señor Gol»...
 
Todo o campo ovacionou de pé o avançado, inclusivamente os adeptos do adversário, atónitos com a maravilha que tinham presenciado... Entre palmas e celebrações, Sánchez correu pelo relvado enquanto as bancadas cantavam em uníssono: Hugol! Hugol! Hugol!
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Hugo Sánchez
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