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história
Jogadores

Herbert Prohaska: o Schneckerl

2012/11/18 18:07
Texto por João Pedro Silveira
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Herbert Prohaska nasceu em Viena, a 8 de agosto de 1955. É unanimemente reconhecido como um dos maiores jogadores austríacos de todos os tempos, brilhando como médio com a camisola nacional, a camisola do Austria Viena, do Inter e da Roma. Ao longo da sua carreira, defendeu a camisola do seu país em 83 ocasiões, nas quais apontou dez golos. 

Na Das Team, jogou o mundial de 1978, na Argentina, e o de 1982 em Espanha, no melhor período do futebol austríaco desde o pós-guerra, ajudando as positivas prestações da Áustria nos grandes palcos mundiais. Tanto na seleção, como nos clubes, o Schnerckel (1), o número oito de fartos caracóis, marcou uma época no futebol do país centro-europeu, ganhando um lugar na história, só superado pelo nome de Matthias Sindelar

Mundial da Argentina

Em 1978, no mundial disputado na Argentina, o então jogador do Austria Viena, era já uma referência absoluta da seleção nacional austríaca. Tivera a sua primeira internacionalização em novembro de 1974, num amigável com a Turquia; e desde então ganhara uma posição de destaque numa equipa, que além de Prohaska, tinha no avançado centro Hans Krankl a outra referência.

A Áustria começou com uma vitória sobre a Espanha (2x1), a que se seguiu uma vitória sobre a Suécia (1x0). Já apurados, os austríacos sabiam que uma derrota por um golo no jogo com os brasileiros, não só lhes garantia a qualificação como ainda a vitória no grupo, pois o «escrete» havia empatado nas duas primeiras jornadas. Num jogo tenso, e não muito bem disputado, os brasileiros venceram por 1x0, e as duas equipas seguiram em frente.

O «Milagre de Córdoba»

Na segunda fase, a Áustria encontro um grupo fortíssimo com a Campeã do Mundo R.F.A, a vice-campeã do Mundo Holanda e a Itália. As expectativas não eram as melhores, mas as boas exibições da primeira fase e a classe de Prohaska e a eficácia de Krankl, deixaram os adeptos da Das Team esperançados. Contudo, o sonho começou a desmoronar-se logo no primeiro embate, fruto de uma pesada derrota sofrida com a Laranja Mecânica (1x5), e acabou com a derrota por 0x1 no jogo com os transalpinos.



 

No último jogo, já eliminados, conseguiram o feito de vencer os vizinhos, rivais e campeões do mundo por 3x2, com uma exibição de outro mundo do Schneckerl, e dois golos do inevitável Krankl. A vitória foi de tal maneira marcante para a história do futebol austríaco que ficou conhecido como o «Milagre de Córdoba» (2). Desde 1938, e do famoso «Anschlussspiel» (3), que a Áustria não vencia à sua vizinha do norte. Prohaska com a sua gigante exibição, chamou a atenção dos olheiros dos principais clubes europeus, e não estranho que o «oito» austríaco ficou ficasse no topo da lista dos principais clubes transalpinos. 

Dois anos depois, o Inter avançou para a sua contratação e Prohaska mudou-se de armas e bagagens para Milão. Nos Nerazzurri encantou as bancadas de San Siro, com o seu futebol rectilíneo e a sua esclarecida visão de jogo, tornou-se a referência do meio-campo interista. Para trás ficaram oito épocas, em que conquistou quatro campeonatos e três taças austríacas.

«O Jogo da Vergonha»

Em 1982, voltou a estar presente em Espanha. A Áustria jogava no grupo 3, com chilenos, argelinos e alemães ocidentais. Tal como quatro anos antes, as vitórias nos dois primeiros jogos, garantiram a qualificação para a segunda fase. No último jogo, em Gijón, contra os alemães, a Áustria podia perder por 0x1, que garantia a qualificação para a segunda fase, já os alemães, por culpa da derrota na estreia com os argelinos, tinham de vencer a Áustria para passarem para a segunda fase.

Nessa tarde de 25 de junho, alemães e austríacos já sabiam o desfecho do resultado da véspera de argelinos e chilenos. Sabiam que uma vitória alemã por 1x0 garantia a qualificação de ambos, e foi isso que aconteceu. Um golo de Horst Hrubesch resolveu o jogo, e os restantes 80 minutos, foram de autêntica vergonha, com a bola a passar de um lado para o outro, à espera do apito final. Para a memória futura, esse triste encontro, ficou conhecido como o «Jogo da Vergonha» (4).

Terminado o mundial, Prohaska mudou-se para a «Cidade Eterna», onde ao serviço da AS Roma, festejou a conquista do tão ambicionado scudetto. Um ano depois, regressou a casa, e ao seu Austria de Viena. Nos violetas conquistaria mais três ligas, em seis épocas, antes de pendurar as chuteiras.

O treinador

Arriscou então a carreira de treinador, começando a orientar o seu Austria Viena em 1990, conquistando duas ligas e duas taças, num espaço de três anos. O seu sucesso com o clube da capital foi de tal monta, que foi contratado pela Federação para comandar a Das Team. Durante 6 anos, o seu maior feito foi qualificar a Áustria para o mundial de França em 1998, onde num grupo com Chile, Itália e Camarões, dois empates e uma derrota com os transalpinos, custaram à Áustria uma eliminação prematura.

Em 1999, durante a qualificação para o Euro 2000, a Áustria sofreu a mais humilhante derrota da sua história, perdendo com a Espanha por 9x0. Desolado, profundamente vexado, Prohaska apresentou a demissão que foi prontamente aceite.

Após algum tempo de recolhimento, aceitou liderar o seu Austria Viena por mais uma época, a última da sua carreira, que entretanto se centrou no comentário desportivo e nas ações de beneficência. 

 

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(1) - Schnerckel - Dialecto vianense para «caracois».
(2) - «Wunder von Cordoba» em alemão. Por sua vez, na Alemanha, o jogo é ainda lembrado como «Schmach von Cordoba», o «Desastre de Córdoba» na tradução literal.
(3) - Anschlussspiel - em 1938, comemorando o Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha Nazi, os dois países fizeram um jogo de comemoração que os austríacos venceram por 2x0. O último jogo da Áustria que passou a ser uma província alemã até ao fim da II Guerra Mundial.
(4) - «Jogo da Vergonha» - Em alemão, é conhecido como Nichtangriffspakt von Gijón  - literalmente o «Pacto de Não-agressão de Gijón» - ou por Schande von Gijón - Desgraça de Gijón -, enquanto na Argélia é conhecido como Anschluss, em referência ao acontecimento político de 1938 e a anexação da Áustria pelos nazis.

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