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história
Jogadores

Giuseppe Meazza: «il Balilla»

2012/08/22 17:42
Texto por João Pedro Silveira
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«Também vi Pelé Jogar, mas ele não atingiu o nível elegante de jogo de Meazza. Um dia, no estádio, presenciei um momento absolutamente impressionante: Meazza parou uma bola com um toque de bicicleta, elevando-se uns bons dois metros acima do chão. Depois, aterrou suavemente com a bola colada ao pé, driblou um adversário espantado, e depois avançou para fazer um dos remates que só ele sabia fazer, de uma precisão milimétrica que roçava a maldade...»

- Luigi Veronelli

Um pequeno génio

Desde pequeno, que Peppino jogava com os seus amigos nas ruas e praças de Porta Vittoria, o bairro da cidade de Milão onde nasceu a 23 de agosto de 1910. No país das belas artes, que deu o renascimento e o barroco ao mundo, é considerado um artista da bola. Não raras vezes o consideram o Leonardo ou Michelangelo do futebol. Um «talento straordinario», por certo o melhor jogador italiano de sempre, o génio do Calcio.

«Peppino» Prisco, um histórico dirigente do Inter, dele disse um dia, que nunca tinha visto algum jogador tão genial como ele. «A sua forma de ultrapassar os adversários, inclusive o guarda-redes, deixava-nos sem palavras.»
 
Os números ajudam-nos a compreender a dimensão do craque. Em 433 partidas no campeonato principal de Itália ao serviço do Ambrosiana-Inter, AC Milan, Juventus, Varese, Atalanta e novamente no Inter de Milão. Conquistou três Scudettos e uma Taça de Itália, foi copacannoniere - melhor marcador - por três vezes, foi duas vezes Campeão do Mundo pela Squadra Azzurra, em 1934 e 1938.
 
Vestiu a maglia azul em 53 ocasiões distintas, onde apontou 35 golos, quatro deles em fases finais do mundial - dois em Itália, e outros dois, quatro anos mais tarde, no mundial de França. 
 
Il Bambilla
 
Aos 12 anos, juntamente com os seus colegas, funda uma equipa onde é presidente, capitão e avançado centro. No fim de cada partida, ele e os amigos, passam pela plateia para pedir donativos, com que compram equipamentos e sonham comprar uma bola de couro.
 
Dois anos mais tarde é contratado pelo Inter onde rapidamente dá nas vistas, ao ponto de jogar na equipa principal, ainda antes de atingir os 17 anos. No dia da estreia, um dos veteranos da equipa, escandalizado, pergunta ao treinador se o Inter agora já fazia jogar os balilla.
 
Desde que o regime fascista de Mussolini tinha tomado o poder - fazia cinco anos - existia um agrupamento paramilitar destinado aos jovens (denominados os Balilla, em honra de um pequeno herói - um rapaz genovês - que lutara contra a ocupação austríaca no século XVIII) à imagem da Mocidade Portuguesa ou da Juventude Hitleriana. 
 
A fama
 
Indiferente às piadas ao seu tamanho e idade, Peppino rapidamente encantou os colegas e os fãs com o seu reportório de fintas, truques, habilidades que não pareciam ter fim. Em poucos anos passa de um pequeno e franzino miúdo no meio de homens crescidos, para se tornar num deus do futebol italiano, inundando os campos do Bel Paese com a sua magia.
 
A sua história começou a tornar-se lendária em 1930, quando ao serviço da Squadra Azzurra, na sua quarta internacionalização, liderou a equipa com um hattrick, numa vitória histórica por 0x5 em Budapeste, contra a toda-poderosa Hungria. Com a histórica vitória, os italianos conquistavam a primeira edição da Copa Internacional, um velho antepassado do futuro Campeonato da Europa. 
 
Quatro anos depois, na mítica equipa de Vittorio Pozzo que conquistou o mundial de 1934, apontou o golo decisivo que eliminou a Espanha, no jogo de desempate nos quartos-de-final, no confronto que foi unanimemente reconhecido como o mais difícil da caminhada italiana para o título. 
 
Em Novembro, a Itália vai a Londres, defrontar a Inglaterra, que por esses dias se recusava a participar em mundiais de tão segura que estava da sua superioridade. 
 
Aos dois minutos os italianos já tinham um jogados expulso, aos 15 minutos os ingleses já venciam por 3x0 e pouco depois falhavam uma grande penalidade que seria o 4x0. Depois Meazza acordou e levou a Itália às suas costas, conduzindo ataque atrás de ataque e marcando dois golos. A Inglaterra fechou-se em copas e esteve muito perto de não vencer... Mas os italianos foram incapazes de marcar o terceiro golo e sairam derrotados de «Terras de Sua Majestade», para os ingleses ficava o aviso...
 
A lenda
 
Depois da glória mundial, das vitórias míticas em Budapeste e Roma, do combate vitorioso com os espanhóis e da exibição de sonho em Highbury, Meazza tornava-se numa lenda viva do futebol italiano, idolatrado por adeptos do seu clube e dos rivais.
 
Ídolo nacional, o seu estatuto de grande estrela, à imagem das estrelas de Hollywood, reforçam a sua imagem de galã e a sua paixão pelo belo sexo. Grandes actrizes e cantoras da Itália dos anos 30, passam então pelas mãos do Bambilla, que vai acumulando casos e notícias na imprensa italiana, transformando-o no solteiro mais desejado do país.
 
Em campo também mantinha a elegância, com o seu cabelo sempre irreprensivelmente bem penteado, fazia os truques mais mirabulantes e os esforços mais exigentes, sem mostrar o mínimo sinal de fadiga.
 
Depois do Inter
 
O Inter, que se tornara Ambrosiana, e mais tarde Ambrosiana-Inter, por pressão das autoridades fascistas, chegou ao fim da década de trinta como o maior clube do país. Após 13 anos no clube, Meazza mudou-se então para o vizinho, e rival, AC Milan. Seguiu-se o Juventus, o Varese e a Atlanta, antes do regresso a casa, já depois do fim da II Guerra Mundial (1939-45).
 
Em 1947 terminaria a carreira, prosseguindo a de treinador, que iniciara em Bergamo. Durante mais de uma década treinou em Itália e na Turquia, até terminar novamente no Inter, em 1957.
 
Aquando da sua morte, a 21 de agosto de 1979 em Rapallo, apenas a dois dias de fazer 69 anos, o país entrou em profunda comoção, e o futebol italiano ficando órfão do seu maior símbolo, encontrou na alteração do nome do Estádio de San Siro, para Estádio Giuseppe Meazza, a mais justa e bonita homenagem que podiam fazer ao homem e ao jogador.
 
No Estádio onde brilhou, ao serviço de dois dos clubes que vestiu a camisola, na cidade que o viu nascer, Giuseppe Meazza viu o seu nome imortalizado para a eternidade.
 
Fotografias(1)
Jules Rimet entrega o troféu a Giuseppe Meazza
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