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história
Jogadores

Alexandre Villaplane: o Colaborador

2015/12/05 17:29
Texto por João Pedro Silveira
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Eram 15h em Montevideu, no Uruguai, no dia 13 de Julho de 1930 quando teve lugar o pontapé de saída da primeira edição do Campeonato do Mundo de futebol. Ao mesmo tempo que a Bélgica enfrentava os Estados Unidos no Parque Central, a França encontrava o México no Estádio Pocitos.
 
Em Pocitos, Alex Villaplane capitaneava a seleção nacional francesa no seu début no grande certame. Tempos mais tarde, debruçando-se sobre a importância do momento, Villaplane afirmara que aquele era o «dia mais feliz da sua vida», 14 anos volvidos era fuzilado por traição e colaboração com os nazis, considerado um vil traidor da pátria. Esta é a história esquecida de um herói que virou vilão.

Raízes
 
Alexandre nasceu a 12 de setembro de 1905, em Argel, na Argélia, então uma colónia francesa. A partir dos 12 anos começou a jogar no Gallia Sport d'Alger, um clube local frequentado na sua maioria por gente proveniente da metrópole. Quando contava 14 anos os seus pais quiseram regressar a França e o pequeno Alex mudou-se com eles para Sète, no Languedoc-Roussilloun, no sul do país.
 
Nesses tempos Sète ainda era conhecida pelo nome antigo de Cette, seria só em 1928 que a câmara municipal alteraria o nome, para não haver confusões com o pronome, «cette», em português «este», motivo de equívocos e brincadeiras que desagradavam os habitantes locais. 
 
Alex Villaplane, muito antes de cair em desgraça. ©Domínio Público
Pouco depois de chegar à cidade começou a jogar no clube local, o FC Cette, de que vestiria a camisola da equipa principal com apenas 16 anos, corria o ano de 1922, pelo meio jogou uma época no UC Vergèze. Seria ainda no Cette, em 1926, que vestiu pela primeira vez a camisola da seleção do galo.
 
Durante três épocas jogou na equipa principal do histórico clube que equipa como o Sporting de Portugal, para mudar para o Sporting Club Nîmois em 1927, a troco de uma promessa de emprego bem paga. Alex não pensou duas vezes e trocou Sète por Nîmes.
 
O apelo do dinheiro
 
Em Nîmes despertou finalmente a atenção dos adeptos do jogo. A sua dureza, a capacidade de passe, o seu excelente jogo de cabeça, captaram o imaginário dos amantes do futebol, com Villaplane a ser considerado um dos melhores médios do futebol francês. Duas épocas depois mudou-se para o norte, para vestir a mítica camisola do Racing Club de Paris, clube onde recentemente nascera um projeto para tornar o clube da Cidade Luz num dos principais emblemas desportivos do «hexágono».
 
Debaixo do espírito do amor ao desporto defendido por homens como o Barão Pierre de Coubertin ou Jules Rimet, não é de estranhar que à imagem de outros países, como Portugal, o profissionalismo fosse proibido em França. Seriam precisos mais três anos para a Federação Francesa (FFF) aceitar que os jogadores de futebol fossem pagos.
 
Para contornar essas limitações, o Racing pagava a Villaplane por «baixo da mesa», tentando manter a discrição. Contudo Villaplane não fazia tensão de esconder o muito dinheiro que recebia, esbanjando milhares de francos em bares, cabarés, e nas corridas de cavalos, onde começou a confraternizar com o submundo do crime.
 
Em 1932, com o advento do profissionalismo, abandonou o clube parisiense e assinou o seu primeiro contrato profissional, regressando ao sul do país para defender as cores do FC Antibes, clube que o seduziu com um contrato milionário para época. 
 
Ao sol da Provença Villaplane queria finalmente conquistar o título que sempre lhe escapara e estava disposto a tudo para consegui-lo.
 
Cair em desgraça
 
Quando começou a Liga Profissional Francesa o campeonato estava dividido em duas zonas, a norte e a sul. Com sede na Provença, o Antibes disputava a zona sul que dominou com facilidade, qualificando-se para a grande final nacional com o SC Fives Lille que venceu.

Mas pouco depois rebentava o escândalo com a acusação que o resultado do jogo decisivo fora combinado. Após investigação da FFF o Antibes perdeu o título e foi despromovido. O manager foi demitido, tornando-se num «bode expiatório» da situação. Em surdina comentava-se Villaplane e dois colegas, com quem já havia jogado no Cette, eram os mentores por de trás da história. Efetivamente nenhum dos jogadores foi acusado, mas pouco depois os três abandonavam o clube.

Villaplane capitaneando a seleção nacional francesa. ©Domínio Público
Seguiu-se a mudança para o OGC Nice, mas rapidamente os dirigentes do clube niçoise se fartaram do seu feitio brigão, das constantes faltas aos treinos, dos estranhos desaparecimentos. O desinteresse pelo jogo e pelos treinos obriga os dirigentes do clube a liberta-lo, acabando por assinar pelo Hispano-Bastidiene de Bordéus, clube do segundo escalão, orientado pelo escocês Gibson, que o orientara em Cette. 

Durante três meses raramente se apresentou para treinar e o clube bordelense despediu-o. Sem motivação, Villaplane era uma sombra do jogador que fora, acabando por abandonar a carreira. Voltaria aos jornais em 1935, quando a secção de desporto dos jornais noticiou que fora detido por corrupção e falsificação de resultados em corridas de cavalos disputadas em Paris e na Côte d'Azur.

Entram os nazis em acção
 
Em Junho de 1940 os alemães entravam em Paris. A imagem de Adolf Hitler junto da Torre Eiffel, da Wehrmacht marchando junto ao Arco do Triunfo ou dos estandartes com as suásticas desfraldadas em plenos Campos Elísios ainda hoje são símbolo da derrota da liberdade às mãos da tirania nazi.
 
A ocupação nazi provocou o desespero, o sofrimento e a miséria a muitos franceses, mas para alguns foi uma oportunidade. Os alemães precisavam de ajuda para estabelecerem a sua organização, criando laços com o mercado negro e alguns criminosos, dispostos a ajudar a saquear as riquezas de Paris, a troca de uma ajuda financeira.
 
Uma das figuras principais desse submundo era Henri Lafont, um órfão, analfabeto que se tornou tão poderoso durante a ocupação alemã, que poderia descrever-se a si mesmo da mesma forma que Signor Ferrari, um personagem de Casablanca, fizera no filme:

«Como líder de todas as actividades ilegais, sou um homem influente e respeitado».

Pela sua falta de escrúpulos e maneiras, Lafont era uma pedra no sapato da honra de muitos oficiais alemães, em especial os velhos prussianos, mais austeros e orgulhosos da velha tradição militar do Reich.
 
Lafont praticava crimes a céu aberto, provando a sua lealdade e utilidade ao caçar, torturar e assassinar o líder da resistência belga. Com carta branca, batia as cadeias de Paris à procura de antigos companheiros de crime, contratando entre outros Pierre Bonny, um antigo chefe de polícia, que caíra em desgraça por ser apanhado nas malhas da corrupção e que se tornou o braço direito de Lafont.
 
Seria este duo que encontrou Villaplane, que depois da guerra começar se dedicara a contrabandear ouro, contratando-o para se juntar ao gang, que com sede no n.º 93 da Rue Lauriston, criou uma reputação demoníaca, ao ponto de ser conhecido como a «Gestapo Francesa». 
 
Algoz de Hitler

Em troca da denuncia, entrega ou prisão de membros da Resistência, as autoridades alemãs pagavam bem aos seus algozes da Rue Lauriston. 
 
Com uniformes das SS providenciados pelos seus amigos nazis, os membros do grupo agiam como se fossem uma polícia oficial, colaborando inclusive na caça de judeus, que entregavam às SS ou a Gestapo, que por sua vez os enviavam para os campos de concentração, onde encontrariam o seu triste destino.
 
Brigade Nord Africain ©Domínio Público
Na cave do infame n.º 93 da Rua Lauriston, inúmeras foram as pessoas torturadas, situação que foi piorando com o decorrer de 1943, com cada vez mais actos de resistência à ocupação alemã.
 
Das diversas medidas tomadas por Berlim para aprofundar laços entre a Alemanha Nazi e o mundo árabe criou-se uma Brigada Norte-Africana (BNA) (1) colocada diretamente sob o controlo do grupo de Lafont. 
 
Villaplane tornou-se no responsável pelo grupo, sendo promovido a sub-tenente nas SS.
 
Os crimes da BNA
 
A unidade de Villaplane rapidamente se tornou sinónimo de crueldade. Cinco dias depois do desembarque aliado na Normandia, a 11 de junho de 1944, Villaplane e os seus homens apanharam 11 membros da resistência em Mussidan, uma pequena aldeia da Dordonha, que prontamente foram fuzilados por ordem direta de Villaplane, que inclusive puxou do gatilho no fuzilamento.

Por todo o Periguéux e Dordonha os homens de Villaplane cometiam atrocidades diariamente. «Roubavam, saqueavam, violavam e matavam, unindo-se aos alemães nas mais terríveis atrocidades», assim reza a acusação do Procurador nos julgamentos de Paris, já depois da capital ter sido libertada pelos aliados. A frieza de Villaplane, acusado por testemunhas de a tudo assistir sorridente e feliz, tornou-se lendária.
 
O virar da maré
 
Quando se tornou claro que muito certamente a Alemanha não venceria a guerra, Villaplane começou a agir de acordo com a possibilidade dos seus amigos perderem o conflito.
 
Publicamente encenou atos de perdão, permitindo que fugissem, dando a ideia que só colaborava com os alemães para salvar compatriotas. Numa das diversas histórias relatadas durante o julgamento, Villaplane foi acusado de um dia ao entrar numa aldeia dentro de um carro alemão e fardado como um SS, ter depois feito um discurso público em que se demarcava dos alemães e que já salvara 54 pessoas, podendo salvar o 55.º se este lhe pagasse 400 mil francos. 
 
Nos primeiros dias de Agosto, com os exércitos aliados a aproximarem-se rapidamente da capital, os parisienses revoltaram-se. A cidade ficou a ferro e fogo, enquanto a maioria dos alemães abandonava a cidade com tudo o que podiam.
 
Ao exército da França Livre, comandado por Charles de Gaulle fora dada a honra de entrar primeiro na Cidade do Sena. A caça aos colaboradores foi rápida e brutal. Homens eram prontamente assassinados, agredidos e detidos por multidões furiosas que faziam justiça pelas próprias mãos. As mulheres que tinham mantido relações com os alemães eram humilhadas publicamente, arrastadas pelos cabelos para o meio da rua, eram acusadas de colaboração e prostituição, despidas, viam os seus cabelos serem cortados e eram obrigadas a carregar cartazes com acusações vergonhosas.
 
Curiosamente, os líderes da Gestapo Francesa não foram linchados. Foram capturados um por um, encontrados nas mais diversas partes do país, tiveram direito a um julgamento rápido. Villeplane e os seus camaradas foram todos condenados à morte. Um dia depois do Natal de 1944, Villaplane, Lafont, Bonny e outros cinco companheiros foram levados para o Fort de Montrouge, nos arredores de Paris, onde foram prontamente fuzilados.

Assim acabava a história de um herói caído em desgraça...

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(1) Brigade Nord-Africaine (BNA) ou Légion Nord-Africaine (LNA), ou Phalande Nord-Africaine (PNA) como era conhecida na Dordonha.
Enfance[modifier | modifier le code]
Alexandre Villaplane voit le jour à Alger en 1905 où ses parents, des méridionaux s'étaient installés provisoirement2. À l'âge de douze ans il porte les couleurs du Gallia sport d'Alger. Avec son club il affronte régulièrement l'équipe de l'AS Saint-Eugène où figure Henri Pavillard avec qui il se liera d'amitié2.
 
Le footballeur[modifier | modifier le code]
Quand il est âgé de quatorze ans, ses parents quittent Alger pour s'installer dans les environs de Sète2. Il intègre l'équipe minime du FC Sète puis à l'âge de dix-sept ans il fait ses débuts en équipe première en 19222. Il prend part à quelques matchs de Coupe de France mais ne joue pas la finale contre le Red Star2. De 1923 à 1924 il porte les couleurs de Vergèze puis il s'engage dans un régiment de Montpellier avant de revenir à Sète2. International militaire il joue comme ailier gauche contre l'armée britannique à Londres puis contre l'armée Belge au stade Buffalo2. Lors de la saison 1924-1925, le club sètois atteint les demi-finales de la Coupe de France et s'incline contre le CASG à Lyon2.
 
En 1925, il est repéré par la Fédération française de football lors de la victoire de l'équipe d'Afrique du Nord contre l'équipe de France B à Sète3. Il effectue ses débuts avec l'équipe de France A le 11 avril 1926 contre la Belgique au stade Pershing. La France s'impose quatre buts à trois2. Sept jours plus tard, il prend part au match France-Portugal qui voit la France s'impose quatre buts à deux2. Quinze jours plus tard, il est aligné contre la Suisse pour une victoire un but à zéro2. Villaplane participe ainsi à tous les matchs de l'équipe de France en 1926 (Autriche, Yougoslavie, Belgique)2.
 
La saison suivante est gâchée par des blessures et en 1927 il rejoint le Sporting Club nîmois2. Grâce à ses prestations les rouge et noir remportent le championnat de Promotion de la ligue du Sud-Est en restant invaincus toute la saison. Le club monte ainsi en division d'honneur, la plus haute division du Sud-Est2.
 
L'année 1928 le voit prendre part aux sept matchs de l'équipe de France. Il joue ainsi le tournoi de football des Jeux olympiques où la France perd au premier tour contre l'Italie (4-3)2. En 1929 il quitte le Midi pour s'engager avec le Racing Club de France. Il fut de l'expédition en Uruguay en 1930, capitaine de l'équipe de France pour la première Coupe du monde de l'histoire. Il participe au premier championnat professionnel (1932-33) au sein du club d'Antibes. Celui-ci sera déclassé pour avoir corrompu des joueurs du club de Fives afin de s'assurer la victoire de la finale.
 
Villaplane signe ensuite à l'OGC Nice (1933-1934), puis il essaye de rebondir une dernière fois à Bordeaux, en seconde division, au club Hispano-Bastidienne. Il ne finira pas la saison, emprisonné pour une affaire de paris hippiques truqués.
 
De l'escroc au SS[modifier | modifier le code]
Cette section ne cite pas suffisamment ses sources (août 2010). Pour l'améliorer, ajoutez des références vérifiables [Comment faire ?] ou le modèle Référence nécessaire sur les passages nécessitant une source.
Amateur assidu de courses de chevaux, Villaplane est condamné en 1934 à six mois de prison pour tentative d'escroquerie, pour une affaire de paris hippiques truqués.
 
Au début de la Seconde Guerre mondiale, à Paris, il participe au marché noir et au racket des Juifs. Il est condamné à deux mois de prison pour recel en 1940. Il rejoint ensuite le groupe formé par Henri Lafont et Pierre Bonny, qui deviendra la Gestapo française. Il se spécialise dans le racket des vendeurs d'or.
 
En 1942, il quitte Paris pour rejoindre Toulouse, en vue de se faire oublier des Allemands qu'il tentait d'arnaquer. Son ancien coéquipier Louis Cazal lui procure alors de nouvelles pièces d'identité, et Villaplane reprend ses activités à Paris. Il est arrêté en 1943 par les SS pour un vol de pierres précieuses et emprisonné au camp de Compiègne, mais Lafont parvient à le faire libérer.
 
Villaplane est nommé en février 1944 responsable d'une des cinq sections de la Brigade nord-africaine lors de sa création4. Il obtient alors le grade et l'uniforme de SS-Untersturmführer. Sa section, qui opère en Dordogne de mars à août 1944, est chargée de lutter contre la Résistance et ses soutiens mais, dans les faits, elle s'illustre par ses nombreux pillages et massacres dont le plus important est celui de Mussidan, où 52 personnes sont fusillées le 11 juin 1944 il en assassina 10 de ses propres mains, dont un enfant de 13 ans. Il faut noter encore qu'en 1943, Laffont fut naturalisé Allemand et obtint le grade de capitaine SS, Villaplane et 4 des chef de groupes armés, eux, comme lieutenants SS, le lendemain du massacre d'Oradour-sur-Glane5.
 
Alexandre Villaplane est arrêté à Paris le 24 août, condamné à la peine capitale le 1er décembre et fusillé le 26 décembre a 10h00, avec Bonny et Laffont, au fort de Montrouge.
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