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história
Jogadores

Fernando Chalana: Chalanix

2015/12/22 17:23
Texto por João Pedro Silveira
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Barreiro, localidade justamente reconhecida como um viveiro do futebol português, com os seus rapazes a "alimentarem" regularmente as equipas dos maiores clubes do país, com óbvio destaque para Benfica e Sporting.

Um dos expoentes máximos do futebol barreirense, foi Fernando Albino Sousa Chalana, que nasceu na vila industrial a 10 de Fevereiro de 1959. Como muitos rapazes, filhos da classe operária barreirense, o pequeno Fernando cresceu a correr atrás de bolas de trapos, que jogava todos os dias com os amigos.

Desde a primeira hora que Fernando, apesar de ser o mais pequeno e magro, com "pernas de alicate", não tinha rival nos descampados do Barreiro. Com o seu pé esquerdo "abençoado", era o craque incontestado do seu grupo de amigos e assim seria pela vida fora. Equipa onde jogasse, Chalana era sempre a referência.

Sonhava ser jogador de futebol enquanto, levado pela mão do padrinho, assistia aos jogos da CUF no Alfredo da Silva. Jogou futebol de salão em clubes de bairro e depois apaixonou-se pelo atletismo, que praticava na CUF.

De reprovado a cobiçado

Com 14 anos ouviu falar de treinos de captação no Alfredo da Silva e tentou a sua sorte na CUF. Para sua surpresa e de quem o conhecia, não agradou aos técnicos do clube. Desanimado, tentou a sorte no rival Barreirense, onde não hesitaram na sua contratação.

©Global Imagens / Lobo Pimentel
Apenas seis jogos de vermelho e branco valeram a cobiça dos grandes de Lisboa. Sem saber - e sem os pais saberem - o Barreirense já o tinha vendido ao Benfica por 750 contos. Pavic, que orientava o Benfica, foi observar um jogo da CUF contra o Oriental. O treinador Juca lançou-o na equipa principal, passando diretamente dos juvenis para o «onze» da equipa principal, sem passar pelos juniores. Pavic ficou encantado e deu aval à sua contratação.

Chalana foi informado que iria para a Luz, e soube depois que estivera muito perto de Alvalade, mas que os leões achavam que 800 contos era uma exorbitância pela carta de desobrigação de um juvenil.

Lançado às feras

6 de Março de 1976, o inglês John Mortimore lançava-o na equipa principal, perante o entusiasmo do "terceiro anel", que nessa tarde assobiara os autores dos golos benfiquistas, a dupla avançada, Nené e Jordão.

Com 17 anos e 25 dias tornava-se no mais jovem jogador de sempre a estrear-se na Primeira Divisão, recorde que só seria batido vinte anos mais tarde pelo sportinguista Marco Caneira, que estreou-se na primeira divisão com apenas 17 anos.

Pouco depois era convocado por José Maria Pedroto para um jogo da seleção nacional. No mesmo ano vestira a camisola de três seleções nacionais: AA, esperanças e juniores. No Benfica conseguia o feito de se sagrar campeão nacional de juniores e seniores. 

A estrela e a chaga das lesões

Em pouco tempo era a "estrela" da equipa, adorado pelos adeptos, tornando-se titular indiscutível, não obstante as constantes pequenas lesões que o apoquentavam.

Em 1978, na Póvoa, contra o Varzim, a primeira lesão grave e oito meses de paragem. Quase dois anos depois, a mesma perna direita a dar de si e nova prolongada "estadia no estaleiro".

Na Luz ofereciam-lhe uma proposta de renovação nada condizente com o seu o valor. Do outro lado da segunda circular, João Rocha oferecia o dobro. Assumiu publicamente que seria a sua última época na Luz, e quando o país já o imaginava de verde-e-branco, Fernando Martins abriu os cordões à bolsa e segurou a sua estrela.

Brilhar em França

Dois anos depois esteve a um passo de vestir de axadrezado, convidado por Valentim Loureiro. Contudo Fernando Martins voltou a subir a parada e a troco de mil contos por mês, Chalana renovou pelo Benfica.

Chegou então o europeu de França, de boa memória para os portugueses e para Chalana em particular. Meses antes, na Luz, no jogo decisivo com os soviéticos, Chalana ganhou a falta fora de área, que o juiz transformou em penálti e que Rui Jordão apontou, garantindo a qualificação dos lusos.

Em França, «os Patrícios» despertavam o interesse da imprensa local e internacional. Um grupo de jogadores desconhecidos, conduzido por uma comissão técnica com quatro treinadores, representava um país que há 18 anos não disputava uma grande competição internacional.

©Getty / Getty Images
Entre os portugueses destacava-se Chalana. Era estrela, era mediático e tinha marcação cerrada da sua mulher, Anabela, que se tornou uma atração mediática em terras gaulesas.

Pequenino, com um bigode grande, encantava os franceses. De Cyrano de Bergerac a Charlot, alcunhas não faltavam ao extremo português, figura constante na imprensa desportiva do hexágono, durante esse junho de 1984.

No Euro 84 brilhou até à meia-final, quando Portugal só caiu quase no fim do prolongamento, aos pés de Platini e companhia. Pelo caminho ficavam as suas exibições de sonho, em particular com a França e com a Alemanha Federal no jogo da estreia.

Um pouco à imagem da famosa aldeia de irredutíveis gauleses que resiste agora e sempre ao invasor, criada pela dupla René Goscinny e Albert Uderzo, a equipa nacional superou todas as expectativas. Tal como na banda desenhada, tinha de haver um herói. Coube a Chalana o papel, que graças à sua estatura e ao seu bigode, lhe valeu o petit nom de «Chalanix». 

Um tesouro em Bordéus

Regressou a Lisboa com o destino já traçado. Em Bordéus os dirigentes estavam apaixonados, rendidos à magia das suas exibições. Fernando Martins aceitou a proposta do clube bordalense e Chalana assinou pelo Bordeaux, tornando-se na nova estrela da Aquitânia. Nunca um jogador português fora tão bem pago. 

Com Anabela sempre ao seu lado, virou a cidade e o clube do avesso. Atacado por constantes lesões, foi perdendo importância na equipa, ao ponto dos dirigentes suspirarem pela sua saída. Durante duas épocas as roturas massacraram o esquerdino ao ponto de ponderar abandonar o futebol.

As cenas que Anabela provocava, as suas constantes exigências revoltavam os dirigentes e os adeptos do clube. Aceitou por vim o convite do Benfica para regressar a «casa».

Mas as lesões não pararam e acabou por deixar o Benfica em 1990, passando pelo Belenenses, onde só fez 13 jogos. Um ano depois muda-se para o Estrela da Amadora, onde aponta um golo em nove jogos e abandona a carreira.

O treinador

Divorciado de Anabela, está perto da falência, sem dinheiro para pagar as contas da casa quando em 1994 o Benfica lhe dá a mão e o convida para treinador das camadas jovens.

Será treinador adjunto no Paços de Ferreira e mais tarde treinador principal do Oriental, antes de voltar ao Benfica para o papel de adjunto.

Em 2008 assumiu o lugar de treinador principal do seu Benfica, substituindo José António Camacho no banco sem sucesso. Voltou ao papel de adjunto, de outro espanhol, Quique Flores, antes de regressar às camadas jovens, papel que sempre lhe agradou.

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