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história
Jogadores

Elías Figueroa: o Grande Capitão

2012/10/22 12:47
Texto por João Pedro Silveira
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Reconhecidamente o melhor futebolista chileno de todos os tempos, Elías Figueroa, perdão, Dom Elías Figueroa, o homem que chegou a ter dez «nomes de guerra», é dono de uma carreira marcada por momentos especiais, alguns quase inimagináveis, como se toda a sua história tivesse saído da pena de um grande romancista.

Marcar Pelé aos 15 anos

Em pequeno, foi obrigado a mudar de cidade, por causa da asma. Vaticinaram-lhe uma vida de dificuldades e o futebol foi terminantemente proibido. Todavia, aos 15 anos já marcava Pelé, Didi e Garrincha, quando a sua equipa de juvenis, foi chamada para defrontar o Brasil num jogo de treino, de preparação para o mundial de 1962 que se realizava no Chile. Os craques do «escrete» não esconderam a admiração pelo miúdo, que mesmo jogando a médio defensivo, conseguia desarmar Pelé, ou incomodar as fintas do grande Garrincha
 
Participou em três mundiais, estreando-se em terras de «Sua Majestade» no mundial de 1966, brilhando nos campos da Alemanha Federal em 1974 e despedindo-se do grande palco do futebol na Espanha em 1982. Curiosamente, entre as suas três participações, esteve sempre oito anos de permeio, falhando assim a presença nos mundiais realizados nas Américas: 1970 no México e Argentina em 1978. Em jeito de brincadeira, dizia-se que os chilenos eram muito finos e só gostavam de participar nas grandes competições, quando estas eram disputadas na glamorosa Europa... 
 
Mas Figueroa, não seria tão dado ao glamour. Depois de ter brilhado nos uruguaios do Peñarol, em 1971 surgiu a possibilidade de se mudar para a Europa, e mais concretamente para o poderoso Real de Madrid. Porém, os tempos eram outros, e o Brasil campeão do Mundo e o seu campeonato, brilhavam com uma intensidade sem par.
 
Qual era o campeonato que podia contar com Pelé numa equipa, Rivelino noutra? Jairzinho? Carlos Alberto? Tostão. Figueroa não hesitou e assinou pelo Internacional de Porto Alegre, começando o seu histórico e bem sucedido periodo no Colorado.
 
O «Golo Iluminado»
 
Talvez o mais icónico momento da carreira tenha chegado ao fim da tarde do dia 15 de dezembro de 1975. O Internacional defrontava o Cruzeiro na final do Campeonato Brasileiro, perante uma multidão que lotava o Gigante da Beira-Rio, apoiando o Colorado que tentava conquistar o seu primeiro título de campeão brasileiro. Se a esperança era grande, a tensão era maior e sob um céu carregado de nuvens cinzentas, o jogo chegou empatado ao intervalo.
 
Aos 11 minutos da segunda parte, Valdomiro sofre falta quando avançava pela ala direita. O árbitro marca falta, e o próprio Valdomiro marca o livre, centrando para dentro da área. É nesse momento que Figueroa se levanta mais alto que os centrais e um raio de luz rompe as nuvens e desde o céu vem iluminar o local onde Figueroa cabeceia a bola para o fundo das redes. Todas as fotos e filmes mostram esse raio vindo das alturas, que iluminou precisa e unicamente o cabeceamento do central chileno.
 


 
O Internacional venceria o jogo, tornando-se campeão brasileiro, mas para a história ficava o golo miraculoso. «Don Elías» passava a ser o «Deus da Beira-Rio», e a partir desse dia as mulheres e os homens de Porto Alegre e arredores, procuravam o jogador para que ele lhes tocasse, para curar maleitas, afastar maus-olhados ou simplesmente efetuar um novo milagre...
 
Campeão crónico
 
Depois dos títulos uruguaios com o Peñarol - onde era conhecido como «Mister Luxo», graças à qualidade do seu futebol rendilhado e cerebral, e a elegância com que desarmava os adversários - conquistou cinco campeonato gaúchos e dois campeonatos brasileiros, ajudando o Internacional a tornar-se a mais forte equipa do futebol brasileiro de então.
 
Individualmente ganhou por quatro vezes o prémio de melhor central do mundo, foi eleito por três vezes consecutivas o melhor jogador da América do Sul, superiorizando-se a todos os astros argentinos e brasileiros de então, fez parte do onze do mundial de 1974. Mais tarde, terminada a carreira, seria eleito o melhor central sul-americano do século XX e fez parte da lista dos 100 melhores jogadores de sempre da FIFA.
 
Voltaria ao Chile para cumprir o seu destino de vencedor e sagrar-se campeão, primeiro pelo Palestino, e por último com a camisola do Colo-Colo. Na seleção nunca conseguiu nenhuma conquista de monta, a não ser a curiosidade de ser o primeiro avó a atuar num campeonato do mundo, em Espanha, em 1982. Vestiu a Roja, em 47 ocasiões, onde apontou dois golos, e graças à sua fama de intransponível, na seleção ficou conhecido como a «Muralha Vermelha».
 
E ao longo da sua imensa carreira, o «Grande Elías» só foi expulso por uma vez, a 24 de outubro de 1979, num jogo internacional contra o Peru, nas meias-finais da Copa América, perdendo assim a possibilidade de acabar a carreira com a «folha limpa», mas sendo contundo um dos maiores centrais da história, com menos cartões recebidos em toda a carreira.
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