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história
Jogadores

Cuauhtémoc Blanco: a águia asteca

2012/06/06 17:54
Texto por João Pedro Silveira
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«De nenhuma maneira voltarei ao México. Não suporto estar num país que é mais surrealista que as minhas pinturas.»
Salvador Dali

Com a sua garra, o seu futebol de arte, mas lutador; fruto da sua alma guerreira asteca, Blanco, soube como mais ninguém, identificar-se com a causa dos ameríndios, enaltecendo a cultura mexicana pré-colombiana, fazendo jus ao simbolismo histórico do seu nome para lembrar que o homem branco, hispânico, descendente dos espanhóis, ainda oprime os pobres indígenas, descentendes dos astecas, e que quase 500 anos depois de Cortés ter pisado a terra mexicana, estes ainda não detém direitos iguais, numa sociedade em que os brancos de ascêndencia espanhola ainda são «reis e senhores».
 
O México é - sempre foi! - uma sociedade com classes bem demarcadas, profundamente dividida e injusta, violenta, com uma religiosidade muito própria e um conceito de vida e morte, que reforça uma certa indiferença pelas mesmas, como se tudo fosse natural nesse país de extremos e contrastes, e a morte fosse tão ou mais natural que a vida... 
 
Nessa cultura de paixão e sofrimento, os arrebatamentos de Blanco cativaram os adeptos mexicanos, reforçando o amor-próprio pela pátria mexicana. A famosa celebração do «arqueiro», não é mais do que uma homenagem ao último Tlatoani (Imperador Asteca), morto, após tortura, pelos conquistadores espanhóis. Com ela, Temo honra o seu homónimo, o último herói lendário do passado glorioso da nação.
 
Com a sua garra, o seu futebol de arte, mas lutador, fruto da sua alma guerreira asteca, Blanco soube como poucos, identificar-se com a causa dos ameríndios, enaltecendo a cultura mexicana pré-colombiana, fazendo jus ao simbolismo histórico do seu nome para lembrar que o homem branco, hispânico, descendente dos espanhóis, ainda oprime os pobres descendentes dos indígenas, que quase 500 anos depois de Cortez ter pisado a terra mexicana, ainda não detém direitos iguais.
 
O México é uma sociedade profundamente dividida, violenta, com uma religiosidade muito própria e um conceito de de vida e morte, que reforça uma certa indiferença pelas mesmas, como se tudo fosse natural nesse país de extremos e contrastes, e a morte fosse tão ou mais natural que a vida...
 
Nessa cultura de paixão e sofrimento, os arrebatamentos de Blanco cativaram os adeptos mexicanos, reforçando o amor-próprio pela pátria mexicana. A famosa celebração do «arqueiro», não é mais do que a celebração do último Tlatoani (Imperador Asteca), morto, após tortura, pelos conquistadores espanhóis. Com ela, Temo honra o seu homónimo, o último herói lendário do passado glorioso da nação.
Um herói mexicano
 
Em 1521, durante os últimos dias do Império Asteca, quando Tenochtitlán - onde um dia haveria de ser a Cidade do México - estava cercada pelos conquistadores de Hernán Cortés, Cuauhtémoc, o último Imperador asteca, sobrinho de Moctezuma II, foi capturado pelos espanhóis quando tentava atravessar o lago que rodeava a cidade, em busca de reforços.
 
Cuauhtémoc ofereceu a sua faca a Cortés e implorou que este o matasse, mas o conquistador espanhol negou-lhe a morte, aprisionando-o e depois de tortura-lo, levou-o consigo, como mais um mero prisioneiro da sua expedição, até que ordenou a sua execução quase quatro anos depois.
 
Assim morria o último Imperador Asteca, e com ele acabava o Império dos méxicas. O domínio espanhol seria feroz e impiedoso e só quase trezentos anos depois, os descendentes dos colonos espanhóis declarariam a independência do México.
 
Durante a turbulenta história do México, o país perdeu grandes extensões territoriais para os Estados Unidos, foi ocupado pela França, e viu-se envolvido em longas e conturbadas revoluções. A memória do grandioso Império dos astecas e tudo o que lembrava a gloriosa cultura méxica e pré-colombiana foi incansavelmente utilizado pelo poder político. Cuauhtémoc tornou-se um símbolo nacional, e as suas estátuas multiplicaram-se no país.
 
A 17 de janeiro de 1973, nascia na Cidade do México DF um bebé que a mãe, Hortencia Bravo, que tanto amava o seu país, resolveu chamar de Cuauhtémoc.
 
Futebol, a última paixão mexicana
 
O futebol mexicano, apesar das suas constantes presenças em mundiais, sempre esteve muitos furos abaixo dos vizinhos sul-americanos. Durante décadas, o México qualificava-se para os grandes certames, mais por demérito dos vizinhos da América do Norte e Central, do que por grandes méritos próprios.
 
Sempre foi consensual a ideia que as boas campanhas em 1970 e 1986 se deveram ao fator casa. Os números não deixam dúvidas sobre o trajeto mexicano no palco principal do futebol: Só à quarta presença na prova, em 1958, e depois de nove derrotas é que conseguiu pela primeira vez evitar uma derrota, empatando 1x1 com o País de Gales.  Seria só quatro anos depois, durante o mundial do Chile, que conquistaria a primeira vitória. 3x1 à Checoslováquia, à 14ª partida.
 
A primeira qualificação para a fase seguinte só chegaria em 1970, a jogar em casa e repetiu-se em 1986, mas só em 1994 o México conseguiu qualificar-se para a segunda fase da prova sem ser a jogar em casa… Foi no mundial dos E.U.A., mas diziam as «más-línguas», que com a comunidade mexicana que existia em terras do Tio Sam, os mexicanos tinham mais apoio nas bancadas que os próprios anfitriões…
 
Seria só a partir de 1998 que o futebol mexicano ganhou o respeito do mundo inteiro, com as suas exibições e resultados convincentes. 
 
Um dos personagens fundamentais do surgimento do México na grande cena do futebol mundial, foi aquele bebé que nasceu a 17 de janeiro de 1973 no bairro de Tlatilco, na grande capital mexicana e recebeu o nome heróico de Cuauhtémoc Blanco Bravo.
 
Do América desde pequenino
 
Depois de nascer em Tlatilco, Temo mudou-se com a mãe e avó para Tlatilco, onde aos dez anos enquanto jogava numa seleção regional foi descoberto por um olheiro do América, já então o seu clube do coração, que convenceu a família a leva-lo de volta para DF - como os mexicanos chamam à sua capital. 
 
Após um longo período de maturação nas escolas do América, ao mesmo tempo que trabalhava numa cafetaria, estreou-se na equipa principal em dezembro de 1992, num empate contra o Leon.
Em pouco mais de um ano com a camisola das águias, ganhara a titularidade e tornara-se no ídolo da claque. Três anos depois estreava-se com a mítica camisola verde da seleção nacional mexicana e começava a despertar a cobiça dos grandes clubes sul-americanos e de alguns emblemas europeus.
 Ao fim de cinco anos de sucessos, e alguns problemas disciplinares foi emprestado ao Nexaca, mas rapidamente os diretores do clube perceberam o erro e chamaram-no de volta, para mais duas épocas em grande nível, sendo convocado para o mundial de França 98.
Foi nos campos franceses que deu nas vistas, maravilhando os adeptos europeus que o desconheciam e que ficaram apaixonados pelas suas fintas e jogadas de puro enleio, um deleite para as bancadas, provocando enorme emoção a famosa «cuauhtemiña», uma finta que Temo inventara no México e que consistia em prender a bola entre os dois pés e saltar para frente, soltando prontamente a bola, enquanto se ultrapassava o adversário…
A carreira mexicana foi promissora, com o segundo lugar conquistado num grupo com Holanda, Bélgica e Coreia do Sul, mas o encontro com a Alemanha nos oitavos de final, revelar-se-ia fatal…
O destaque no Campeonato do Mundo valeu-lhe uma proposta do Valladolid de Espanha. Durante duas épocas jogou no campeonato espanhol, mas a inadaptação à vida no estrangeiro, as saudades de casa e as lesões afetaram e de que maneira a carreira na Europa. Para a história ficou um «golaço» no Santiago Bernabéu, num livre que deixou Casillas pregado ao solo e pouco mais…
Após um longo período de maturação nas escolas do América, ao mesmo tempo que trabalhava numa cafetaria, estreou-se na equipa principal em dezembro de 1992, num empate contra o Leon.
 
Em pouco mais de um ano com a camisola das águias, ganhara a titularidade e tornara-se no ídolo da claque. Três anos depois estreava-se com a mítica camisola verde da seleção nacional mexicana e começava a despertar a cobiça dos grandes clubes sul-americanos e de alguns emblemas europeus.
 
Passagem por Necaxa e o mundial de França
 
Ao fim de cinco anos de sucessos no grande clube da capital, e após alguns problemas disciplinares, foi emprestado ao Necaxa, mas rapidamente os diretores do clube perceberam o erro e chamaram-no de volta, para mais duas épocas em grande nível, sendo convocado para o mundial de França 98.
 
Foi nos campos franceses que deu nas vistas, maravilhando os adeptos europeus que o desconheciam e que ficaram apaixonados pelas suas fintas e jogadas de puro enleio, um deleite para as bancadas, provocando enorme emoção a famosa «cuauhtemiña», uma finta que Temo inventara no México e que consistia em prender a bola entre os dois pés e saltar para frente, soltando prontamente a bola, enquanto se ultrapassava o adversário…
 
A carreira mexicana foi promissora, com o segundo lugar conquistado num grupo com Holanda, Bélgica e Coreia do Sul, mas o encontro com a Alemanha nos oitavos de final, revelar-se-ia fatal…
 
O destaque no Campeonato do Mundo valeu-lhe uma proposta do Valladolid de Espanha. Durante duas épocas jogou no campeonato espanhol, mas a inadaptação à vida no estrangeiro, as saudades de casa e as lesões afetaram e de que maneira a carreira na Europa. Para a história ficou um «golaço» no Santiago Bernabéu, num livre que deixou Casillas «pregado ao solo» e pouco mais…
 
Voltou então ao América, depois do Campeonato do Mundo de 2002 onde tinha estado a grande nível, apesar da desilusão mexicana de ver a seleção eliminada às mãos dos vizinhos norte-americanos nos oitavos de final.
 
Regresso a casa 
 
Emprestado ao Veracruz, acabou por se incompatibilizar com o selecionador, o argentino Ricardo La Volpe, ficando fora do mundial da Alemanha 2006.
 
Em 2007 tentou pela segunda vez a sorte no estrangeiro, jogando no Chicago Fire, um dos grandes clubes da MLS. Durante duas épocas, fez 71 jogos e apontou 17 golos, tornando-se num ídolo da comunidade hispânica residente nos E.U.A..
 
Regressou ao México, revelando outra vez dificuldades em viver longe de casa. Fez uma época no Veracruz, outras duas no Irapuato, antes de passar pelos Dorados de Sinaloa.
 
Já antes, com 36 anos, jogara o seu terceiro mundial e ainda marcou um golo em solo sul-africano, mas tal como em 2006, o México caiu nos oitavos depois de perder com a Argentina.
 
Ao longo da sua longa carreira de mais de 20 anos, teve 121 internacionalizações onde apontou 39 golos, conquistando diversos troféus com a camisola do seu América, além de duas Golden Cups e uma Taça Confederação com a Seleção Nacional do México. 
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