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Jogadores

Uwe Seeler: o tanque de Hamburgo

2013/08/14 14:04
Texto por João Pedro Silveira
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Quando se joga toda uma carreia ao mais alto nível e sempre no mesmo clube, está-se mais perto da imortalidade futebolística. Que o diga o italiano Paolo Maldini. Se se consegue marcar golos em quatro fases finais de campeonatos do Mundo, torna-se uma lenda. Que o diga Pelé. Se se jogou 19 épocas com a mesma camisola ao peito e se marcou golos em quatro edições diferentes do Campeonato do mundo, pelo menos duas vezes em cada uma das quatro presenças, então conquistou-se para sempre um lugar na história do jogo.  
 
Esse é o lugar de Uwe Seeler na história do futebol mundial e em particular do alemão, onde foi o segundo profeta, numa linhagem que começou em Fritz Walter e continuaria em Franz Beckenbauer. Foi o melhor marcador de sempre do futebol alemão, até ser ultrapassado por outro predestinado, Gerd Müller. Foi também o jogador alemão com mais minutos em Campeonatos do Mundo, apenas superado por outro «corredor de longo curso» que foi o grande Lothar Mätthaus, que o superou em 1998. Aliás, até hoje, só Mätthaus e Maldini jogaram mais minutos no grande palco...
 
O «pequeno tanque»
 
Seeler, foi um precursor do «tanque alemão», aquele tipo de avançado que fazia o terror dos adversários. Baixinho, para parâmetros teutónicos, apenas com 169 cm de altura, gordinho, não era à toa que era conhecido como der dick, o gordo, Seeler era dono e senhor da área onde se movia. Na Alemanha, além de gordo, também o tratavam por «Rei das Dezoito Jardas» (1) e a sua lenda de goleador perdura muito para além do seu "reinado". 
 
Curiosamente, Seeler só venceu dois títulos ao longo da sua incrível carreira: um Campeonato da Alemanha em 1959/60 e uma Taça Alemã em 1962/63.

O «Tanque» era senhor de um dos remates mais certeiros e poderosos da história do futebol.
Na Mannschaft estreou-se somente com dezoito anos, meses depois da Alemanha ter conquistado o Mundo, pela batuta de Fritz Walter, em Berna, na improvável vitória sobre os artistas magiares. Pendurou as chuteiras na seleção em 1970, depois de terminar a aventura no mundial do México. Dois anos depois a Alemanha conquistaria o Euro e em 1974, a jogar em casa, conquistaria o segundo mundial do seu palmarés. 
 
Uwe, perdeu por meses um título mundial e pendurou as botas antes da sua Alemanha Federal voltar a pisar o topo do Mundo. Viveu entre conquistas sem as conquistar, mas é imprescendível para a história da grandeza alemã dentro dos campos de futebol. A tão famosa fiabilidade germânica passou muito por ele.
 
Duas camisolas, uma dedicação
 
Com Seeler os alemães chegaram às meias-finais de 1958, eliminados pelos anfitriões suecos e batidos pelos franceses no jogo de consolação para a medalha de bronze. No Chile caíram nos quartos, vítimas dos jugoslavos. Em 1966, o golo polémico de Geoff Hurst deu o título aos ingleses na grande final. Em 1970, mais uma vez uma eliminação na meia-final, desta feita às mãos da Itália, naquele 4x3 que ainda hoje é considerado o «Jogo do Século».
 
No Hamburgo, o seu grande amor, marcou uma era no gigante do norte. Foi lá que nasceu, cresceu e viveu sempre, transformando o Volksparkstadion na sua casa. Os adeptos aprenderam a amar o clube com ele em campo, gritando «Uwe, Uwe, Uwe» sempre que ele pegava na bola e arrancava em direção ao golo, que raramente falhava. 520 jogos e 446 golos, apontam algumas contas. Uwe Seeler ajudou o HSV, como é conhecido o Hamburger Sport Verein, a ser o que é. Um grande do futebol alemão e europeu. 
 
A lenda da camisola azul assenta nos seus golos, nas suas façanhas e no amor ao clube, que não trocou nem por um milhão de marcos que o Inter de Milão lhe ofereceu em 1961, ano em que conquistara pela primeira vez o prémio de melhor jogador alemão do ano. Voltaria a vencer tão prestigiado troféu em 1964 e 1970.  
 
Seria o segundo jogador alemão a ser agraciado com o título de capitão honorário da seleção nacional, juntando-se a Fritz Walter. Foi também o melhor marcador da primeira edição da Bundesliga, fazendo parte da escolha dos cem melhores jogadores do centenário da FIFA, uma justa homenagem para um dos grandes jogadores de todos os tempos.


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(1) - As linhas exteriores da grande área, medem exactamente dezoito jardas. Em Inglaterra, ainda é comum haver referências às 18 yard box e 6 yard box(pequena área). Nos anos cinquenta, o inglês ainda era a língua global do futebol e como tal, muitas das expressões eram utilizadas noutros países, como a Alemanha ou Portugal.

 

 

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