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história
Jogadores

Telmo Zarra: o herdeiro do Pichichi

2013/07/08 17:34
Texto por Marcial Varela e João Pedro Silveira
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O menino da estação

A estação de caminhos-de-ferro de Asúa, em Erandio, no País Basco, é o local de nascimento de Telmo Zarraonandia Montoya, mais conhecido como Zarra. Filho do chefe de estação, o menino nasceu a 20 de Janeiro de 1921, como sendo o sétimo de dez irmãos, com quem desde tenra idades jogava a bola, pelos descampados e ruas desertas do bairro de Munguía

Por aquele tempo, era conhecido pelos colegas das peladas, como «Telmito, el miedoso», em português «o medroso», pelo medo que tinha de levar uns pontapés dos adversários. 

«Patadas» à parte, e não obstante os joelhos esmurrados e calções sujos que tanto irritavam a mãe, Telmo perseguiu o seu sonho e acabou por se tornar futebolista, assinando o seu primeiro contrato como profissional com o Erandio, um clube que jogava então na Segunda Divisão.

Desilusão na Copa

Terminada a Guerra Civil Espanhola (1936-39), o avançado assina pelo Athletic, com quem se estreia a 29 de setembro de 1940, numa partida da liga contra o Valencia, onde apontou todos os golos da sua equipa.

No final da época, o Athletic chegou à final da Copa del Generalísimo, onde pela frente encontrava o Barcelona. O jogo foi tenso, sem muitas oportunidades, com bascos e catalães a empatarem-se em todos os detalhes do jogo. O «zero-a-zero» teimosamente persistia...

Chegados ao final do tempo regulamentar, o placard continuava em branco, obrigando assim à disputa de um prolongamento, durante o qual, Zarra teve a oportunidade de marcar o golo da vitória, quando se isolou perante o guarda-redes Miró, mas talvez por culpa da pressão, o jovem avançado rematou ao lado, para desespero dos adeptos, que minutos depois, viram os blaugranas aproveitar uma oportunidade idêntica e levar a Taça para casa.

O peso do erro, a culpa do falhanço acompanharam-no durante os dias seguintes e as críticas fizeram-se ouvir um pouco por toda a Bilbau, contudo, Zarra recompôs-se e na época seguinte, sagrou-se campeão de Liga e da Taça, marcando ao todo 24 golos nas duas competições.

Os adeptos do Athletic transformaram-no no novo ídolo do clube, considerando-o o filho do histórico Pichichi, o primeiro grande «artilheiro» do clube. Para melhor os seus números, Zarra ficava no fim dos treinos, com Iriondo e Gaínza, os extremos da equipa, para aperfeiçoarem os cruzamentos para sua a cabeça, a sua melhor arma. De tal modo era certeiro com a cabeça, que se dizia em Espanha que a sua cabeça era a melhor da Europa, logo a seguir à de Churchill (1).

Record atrás record

A sua carreira foi ascendente como um foguetão, imparável, crescendo época a época desde 1944/45, ano em que conquistou pela primeira vez o troféu Pichichi (2), atribuído ao melhor marcador da prova. Zarra repetiria a conquista do prémio em mais cinco ocasiões (1946, 1947, 1950, 1951 e 1953), num recorde que durou até aos nossos dias...

Um dos seus segredos, é que usava um número abaixo do tamanho que devia, para que as botas se ajustassem por completo ao pé, podendo assim direcionar melhor o remate, numa altura em que o material desportivo - bola incluída - deixava muito a desejar.

Em 1950, em nova final da Taça, voltou a fazer história, quando apontou os quatro golos da vitória sobre o Valladolid, com a "agravante" do poker ter sido apontado nos trinta minutos do prolongamento...

Espanha a seus pés

No verão de 1950, a seleção espanhola disputou o mundial no Brasil. As expectativas eram muitas, depois da boa prestação de 1934, a única até então. Ausente em 1938, por culpa da Guerra Civil, a Espanha teve de esperar até 1950 para disputar o primeiro mundial do pós-guerra. Eliminou sem problemas o vizinho Portugal (5x1 e 2x2) e fez as malas para a América do Sul.

Em terras de Vera Cruz, a fúria espanhola começou por vencer Estados Unidos e Chile, sempre com golos de Zarra, antes de encontrar a Inglaterra no jogo decisivo, naquele que era o «encontro do século» para Zarra e companheiros, e para o próprio futebol espanhol.

A Inglaterra dominou o jogo e massacrava a defesa espanhola, com vagas de ataque atrás de ataque, quando se iniciou um rápido ataque que apanhou os ingleses desprevenidos...

O pontapé de baliza do guarda-redes Ramallets fez a bola cair nos pés de Alonso, o defesa central combinou com Gaínza que centrou para Zarra, este não teve dúvidas e tentou rematar de primeira, mas a bola bateu no tornozelo e foi assim que se encaminhou para o fundo da baliza de Bert Williams, a pequena e ainda semiprofissional Espanha, batia a «Pérfida Albion». Os espanhóis levavam de vencida os «reis» e inventores do futebol, qualificando-se pela primeira vez para uma meia-final de um mundial, onde acabariam vergados à força de uruguaios, brasileiros e suecos... 



Um futebolista exemplar

Além dos seus dotes como futebolista, Telmo era uma pessoa de grande caráter, solidário e amigo, protagonizou um dos gestos mais belos a que já se assistiu num campo de futebol. Num jogo contra o Málaga, quando estava pronto a empurrar a bola para o fundo das redes adversárias, ouviu os gritos de dor do último defesa que o tinha tentado travar, que sofrera uma dura pancada quando o tentara derrubar. Telmo olhou o adversário e atirou a bola a uns 30 metros da baliza, para que pudessem assistir o colega caído no chão, perante uma plateia boquiaberta e emocionada com o gesto do grande avançado.

Na temporada 1950/51, Zarra bateu mais um recorde, apontando 38 golos em 30 partidos da Liga, números de tal monta que só recentemente seriam batidos por dois extraterrestres do futebol mundial: Cristiano Ronaldo e Leo Messi. O avançado do Athletic, deixou a sua equipa de sempre em 1955, jogando ainda mais três anos no SD Indautxu e no Baracaldo Altos Hornos Viscaya.

Números inigualáveis

Zarra recebe o troféu relativo ao melhor marcador da época transata - 20/09/1953


Os números de Telmo Zarra dificilmente serão superados no futuro. Apontando 253 golos em 279 jogos da Liga com a camisola rojiblanca, marcou 81 golos em 74 jogos da Copa e 21 golos em 21 internacionalizações. Formou parte da maior linha avançada do clube basco, juntamente com Iriondo, Venancio, Panizo e Gaínza.

Após a sua despedida, abriu uma loja de material desportivo em Bilbau, negócio que geriu juntamente com os seus familiares até ao fim da sua vida. A 17 de agosto de 1997 recebeu uma merecida homenagem no Estádio de San Mamés, onde esteve presente Bert Williams, o guarda-redes inglês, que Zarra batera no distante 2 de julho de 1950, em pleno e histórico relvado do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro.

Zarra acabaria por falecer a 23 de fevereiro de 2006, vitima de um enfarte, tinha então 85 anos. Em sua homenagem, o diário Marca criou o Troféu Zarra, que premeia anualmente o melhor marcador espanhol na Liga nacional.

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(1) - Winston Churchill - Primeiro-Ministro e herói inglês durante a II Guerra Mundial, Prémio Nobel da Literatura em 1953.
(2) - Por mérito dos seus 20 golos em 25 partidas.

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