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história
Jogadores

Rui Barros: a Formiga Atómica

2015/09/15 17:15
Texto por João Pedro Silveira
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Rui Barros é um caso raro de sucesso na vida. O rapaz que nasceu no seio de uma família humilde, numa freguesia rural de Lordelo e que à custa do seu trabalho e dedicação um dia se tornou numa estrela cintilante, vivendo no Mónaco, vizinho de estrelas como a Princesa Stéphanie, o grande Ayrton Senna e o alemão Boris Becker. Sem nunca renegar as suas origens, com o FC Porto no coração, Rui Barros construiu um trajeto ímpar no futebol português.

Origens humildes

Rui Gil Soares Barros nasceu no dia 24 de novembro de 1965 em Lordelo, concelho de Paredes, Distrito do Porto, numa família de oito irmãos. Cresceu com uma bola sempre debaixo do braço. Apaixonado por futebol teve de abandonar os estudos precocemente para ajudar o pai e o irmão na oficina, tinha apenas doze anos e não pode terminar o ensino preparatório. Apesar do cansaço que o trabalho diário lhe causava, era vê-lo a correr ao fim do dia para poder se juntar aos colegas e treinar, sonhando com uma carreira de futebolista. 

Ao mesmo tempo que trabalhava, também jogava na equipa de iniciados dos Aliados de Lordelo, clube que acompanhava desde a infância, sendo presença constante no Campo do Lordelo, onde vibrava com as exibições de Jaime Pacheco que cedo partiu para o FC Porto, depois de contratado por José Maria Pedroto. Sem o seu ídolo em Lordelo, Rui pensou em seguir-lhe as pisadas, tentando no campo mimetizar as jogadas de Pacheco. Contudo, a sua velocidade, a capacidade de conduzir a bola com poucos toques, levaram a que o seu jogo se torna-se cada vez mais distinto do jogador que idolatrava. 

À custa de muitos treinos e jogos o pequeno Rui continuou a crescer como jogador até mudar-se para o Rebordosa e mais tarde para o Paços de Ferreira onde deu nas vistas e foi abordado pelos dirigentes do FC Porto. No último ano de júnior já vestia de azul-e-branco e jogava de dragão ao peito.

Empréstimos e o regresso

Pequeno e franzino tornou-se uma referência na equipa azul-e-branca, mas era tão pequenino que num dos primeiros treinos foi a piada dos colegas pois os calções do equipamento de iniciados que lhe tinham dado para a mão lhe ficavam grandes. A tudo respondia com boa disposição e nos treinos - ou nos jogos - respondia às piadas com a sua técnica e velocidade de corrida. Aqueles que antes o gozavam, bem tentavam, mas não o conseguiam apanhar.

©Domínio Público
 Apesar de ter feito furor na equipa de juniores, a sua estatura não convenceu o treinador Artur Jorge, que recomendou que fosse emprestado, para ganhar dimensão física e "calo". Triste por não poder pisar o relvado das Antas, partiu com vontade de rapidamente voltar.

Na época seguinte apresentou-se na Covilhã, onde os dirigentes do clube serrano pensaram que o Porto se enganara e lhes enviara um juvenil. Desentendimento resolvido, cedo se tornou na referência da equipa, brilhando de leão ao peito e deixando saudades no clube da Serra.

Após uma época, regressou ao Porto com esperanças de vestir a camisola azul-e-branca, mas foi novamente emprestado, desta feita ao Varzim. Na Póvoa voltou a deixar marca, finalmente convencendo os dirigentes portistas que o resolveram chamar para fazer parte do plantel na época seguinte..

Do Porto a Turim

Com Tomislav Ivic tornar-se-ia num dos jogadores mais brilhantes do futebol português. A sua velocidade vertiginosa fez furor e teria papel fundamental na vitória sobre o Ajax de Cruijff na Supertaça europeia.

Nas provas internas, a equipa de Ivic fez a dobradinha numa época demolidora do Dragão em que os portistas além de Campeonato, Taça e Supertaça, ainda conquistaram a Taça Intercontinental na neve de Tóquio, vencendo os uruguaios do Peñarol por 2x1.

Mas o destino quis que estivesse apenas um ano nas Antas, pois a poderosa Juventus chegou à Cidade Invicta com "um camião cheio de liras" como noticiou a imprensa da época, para leva-lo para o Dell'Alpi.

Pinto da Costa, que na época anterior já vendera Paulo Futre ao Atlético Madrid por uma fortuna, não resistiu à proposta italiana e Barros mudou-se para Turim, onde foi ganhar dez vezes mais do que ganhava no Porto. Chegado a Itália comprou dois carros, investiu em terrenos na sua terra natal e conquistou os tiffosi, tornando-se "la formica atomica", brilhando num campeonato que então era uma verdadeira constelação de estrelas, destacando-se numa prova onde havia nomes como Maradona, Michael Laudrup, Careca, Lothar Matthäus, Rudi Völler, Alemão, Ruud Gullit, Marco van Basten, Enzo Francescoli ou Frank Rijkaard. 

Estrela em Itália, príncipe no Mónaco

Em Itália reinava o Milan de Arrigo Sacchi e Silvio Berlusconi, e a Juventus teve de se contentar com uma Taça de Itália e uma Taça UEFA. Dino Zoff, que o viera buscar a Portugal, afirmava encantado que Barros era «um vulcãozinho sempre em ebulição». No auge da sua passagem por Itália, segurou as suas pernas em 150 mil contos. Uma verdadeira fortuna para a época. Mas depois de uma época menos conseguida acabou transferido para o AS Monaco, deixando para trás o sonho italiano.

Por terras monegascas continuava a brilhar, na equipa de Arsène Wenger que chegou à final da Taça das Taças, perdida para os alemães do Werder Bremen. Em 1993 surgiu a possibilidade de regressar a Portugal e Sporting e FC Porto cortejaram o "Pequeno Príncipe", mas seria o Marseille a contrata-lo.

©Getty / Getty Images
Ao lado de Paulo Futre prometia fazer história, mas o escândalo de corrupção que estalou em Marselha deixou o pequeno génio com carta livre para mudar o seu destino.

Lesionado foi recuperar para as Antas, abrindo caminho para o regresso ao FC Porto, apesar do Sporting ter estado mais uma vez perto de contrata-lo.

Últimos anos e um lugar "cativo" no seu Porto

De dragão ao peito fez parte da histórica equipa portista que conquistou o pentacampeonato entre 1995 e 1999, acabando por pendurar as chuteiras no ano 2000, contava 34 anos. Em 168 jogos pelo FC Porto marcou 37 golos enquanto na seleção das quinas fez quatro remates certeiros em 36 jogos. 

Cinco anos depois voltou ao seu Porto para ser adjunto de Co Adriaanse, que chegara do AZ Alkmaar. Com a saída do holandês na época seguinte, é ele que lidera os dragões à conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, ganhando mais uma vez um lugar na história do clube ao conquistar um título para os Dragões com apenas uma partida no currículo.

Dias depois cedeu o lugar a Jesualdo Ferreira, entretando contratado ao Boavista, de quem foi adjunto até este abandonar o clube no fim da época 2009/10, acompanhando-o na saída da equipa técnica da principal equipa do FC Porto

Em 2014 regressaria pela mão do espanhol Julen Lopetegui, para emprestar um pouco da célebre mística portista à nova equipa técnica formada pelo treinador basco. 

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