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história
Jogadores

Raymond Kopa: o Napoleão do Futebol

2012/09/21 17:12
Texto por João Pedro Silveira
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No Stade de Reims, com a camisola azul da seleção francesa, ou todo de branco ao serviço do mítico Real de Madrid, Raymond Kopa foi o primeiro grande jogador do futebol francês. Eleito como o melhor jogador da Europa em 1958, foi considerado pelo France Football como o terceiro melhor jogador gaulês de todos os tempos, à frente de craques como Thierry Henry, Just Fontaine ou Éric Cantona, apenas superado pelos inevitáveis Michel Platini e Zinedine Zidane.

Primeiros anos
 
Raymond Kopaszewski, nasceu a 13 de outubro de 1931 numa família de mineiros de uma pequena aldeia de Pas-de-Calais, na ponta norte do hexágono francês, bem perto da fronteira com a Bélgica.
 
Descendentes de emigrantes polacos, que haviam emigrado para França em 1919, durante o período conturbado que se sucedeu ao fim da I Guerra Mundial.
 
Kopa cresceu numa família com muitas dificuldades económicas, juntamente com os irmãos e restantes familiares que viviam no seio de uma considerável comunidade emigrante polaca, que na sua esmagadora maioria trabalhava nas minas. Eram tempos difíceis, e o Mundo, a Europa e a França, viviam na ressaca do crash da Bolsa de Nova Iorque, que provocara a grande recessão, que espalhou o desemprego e a fome, pelos quatro cantos do mundo...
 
Na escola revelou grande dificuldade nos estudos, particularmente na matemática e na história, mas desde pequeno que por outro lado, conseguia fazer com uma bola, o que muitos dos seus amigos apenas sonhavam um dia poder fazer. Com os colegas fundou um clube de rua, chamado de Chemin-Perdu - em português «caminho perdido» - numa clara alusão à pouca importância da rua onde jogavam.
 
Quando ainda não tinha completado dez anos, viu o seu país ser invadido e ocupado pelos exércitos do III Reich. Foi durante esse período, que Kopa confessou mais tarde, ter roubado - juntamente com os amigos - uma bola de couro aos soldados alemães que se juntavam semanalmente para jogar futebol num campo, que havia sido requisitado precisamente ao pequeno clube onde Kopa jogava. Mais tarde, brincou com a história:
 
«À nossa maneira, como que fizemos um acto de resistência, não foi?»
 
Crescer durante a guerra não era fácil, sobreviver às agruras da ocupação alemã e continuar a estudar e a jogar, foram os objetivos cumpridos pelo pequeno Raymond. 
 
«Le Grand Reims»
 
Aos dezoito anos, já terminado o conflito, fez parte de um grupo de jovens amadores, convidados pela Federação Francesa para um teste. Acabou por não ser selecionado, mas impressionou um olheiro do Angers, que convenceria o clube a contrata-lo. 
 
Do Angers ao Stade de Reims, foi um pequeno salto e foi ao serviço dos vermelhos-e-brancos que o avançado conheceu os primeiros grandes sucessos da carreira. 
 
A conquista de duas Ligas Francesas e da Copa Latina em 1953 - conquistada em Portugal - ajudaram a criar a aura do «Le Grand Reims», o colosso do futebol francês dos anos cinquenta. Seria, sem surpresa nenhuma, o Stade de Reims um dos dois finalistas da primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, realizada no Parc des Princes, em Paris.
 
Os franceses foram vencidos pelos espanhóis do Real de Madrid por 3x4, depois de terem estado a vencer por 2x0 e 3x2. Além da Taça, os merengues levaram também Raymond Kopa, pois Santiago Bernabéu ficara maravilhado com a qualidade do avançado gaulês, e quis por todos os meios, junta-lo à constelação de estrelas que estava a montar no clube a que presidia. 
 
Passagem por Madrid
 
Em Madrid teve de ceder o seu lugar de avançado centro, reservado para o inigualável Alfredo Di Stéfano, e passou a jogar na ponta esquerda. Ao lado do astro hispano-argentino, e do húngaro Puskas, Kopa conquistou duas ligas espanholas, participando também na conquista consecutiva de três Taças dos Campeões Europeus, a última dos quais contra o «seu» Stade de Reims (2x0).
 
Tal como na primeira final entre as duas equipas, voltou a rubricar uma exibição de gala, acabando, por no fim do encontro, aceitar o convite do Reims para voltar a «casa», para jogar ao lado de Piantoni e Fontaine, com quem formara um trio de luxo que guiara a França à meia-final, e medalha de bronze do mundial da Suécia (1958).
 
Os anos seguintes foram complicados, tanto profissional como pessoalmente. À luta pela sobrevivência do filho, que acabaria de falecer com leucemia, juntou-se a própria decadência do seu futebol e do Reims, que entrava num longo processo de crise, conquistando pela última vez o título em 1962. 
 
Sem grande vontade para jogar, e no auge do problema de saúde que afligia o filho, deixou de representar os «bleus» em 1962, depois de 45 internacionalizações e 18 remates certeiros. 
 
A 3 de março de 2017, com 85 anos, falece.
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