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história
Jogadores

Paulo Futre: «el portugués»

2013/02/27 14:08
Texto por João Pedro Silveira
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Os charters cheios de chineses

Comecemos pelo fim... Se Futre, o pequeno génio, craque da bola, já começara a sua história em Alvalade, também a estrela mediática, Paulo «o sócio» Futre disparou para a ribalta precisamente no Sporting, após uma famosa conferência de imprensa em que preconizou a contratação do «melhor jogador chinês da atualidade», o responsável por uma verdadeira ponte aérea de charters carregados de chineses, que todas as semanas voariam para Lisboa, provenientes das principais cidades da República Popular da China.

O vídeo com a proposta de Futre - e detalhes da sua carreira - tornou-se viral, apaixonou os portugueses, fazendo com que o «chinês» e os «charters» entrassem para o anedotário nacional. Com um jogo de cintura notável, Futre sorriu e aproveitou a situação, cavalgando a onda e ganhando uma presença no espaço mediático sem paralelo no país. Apresentador de programas televisivos, presença em telenovelas e vídeos musicais, rosto das campanhas publicitárias mais variadas; ao ponto de Futre, «o Sócio», tornar-se num caso único de popularidade em Portugal, a primeira superstar a sê-lo, bem depois de ter pendurado as chuteiras...

Foi de leão ao peito que Paulo Futre começou a encantar o mundo do futebol.
Após as gaffes na conferência de imprensa de apoio a Dias Ferreira, sucederam-se os comentários no youtube e facebook, o twitter enchia-se de piadas, muitos desdenhavam, vaticinando que a fama de Futre era coisa passageira, apontando a dedo as incoerências de discurso e os pontapés na gramática, mas passaram meses, um ano, dois... e Futre continuou nas rádios, na televisão, nos jornais e na internet, tornando-se um caso raro de unanimidade nacional, capaz de na mesma noite aparecer numa gala do Benfica, antes de num estúdio de televisão vincar a sua mais profunda e devedora amizade por Pinto da Costa, rematada com a sua jura de amor eterno ao Sporting.

Ao perigo da sobrexposição, Futre respondeu com mais presença no pequeno ecrã, mais «sócios» e mais amigos. Ninguém mais do que o próprio brincou com a sua imagem, usando e abusando dela, para se tornar cada vez mais presente e incontornável.

A mais ninguém se perdoaria tal cenário. Mas mais ninguém é Paulo Futre. E a verdade, é que bem antes de ser uma estrela mediática no nosso país, Paulo Futre era o melhor jogador português do seu tempo, bandeira da seleção, herdeiro de Eusébio, estrela maior na vizinha Espanha, trotamundos com provas dadas em Itália e França, e mais importante que tudo, símbolo e herói de Sporting, Benfica e Porto.

Do Montijo para Lisboa

Nascido no Montijo, desde cedo o pequeno Paulo Jorge revelou um jeito incomum para a bola. Na escola, em casa, nas ruas do seu bairro, Futre foi fintando primeiro os amigos, depois o destino até chegar ao Sporting, que aproveitou o desinteresse benfiquista.

Em Viena, ao serviço dos dragões, conseguiu a conquista mais brilhante de toda a carreira.
Em Alvalade, pela mão de Aurélio Pereira, Futre cresceu como jogador, mas também como homem, aprendendo a controlar o seu génio, sendo chamado por diversas vezes à tábua, pelas suas faltas, erros e dificuldade a lidar com disciplina. Pereira tornou-se nas palavras do próprio Futre o primeiro pai da sua carreira, sendo o segundo Jorge Nuno Pinto da Costa.

No Sporting brilhou em todos escalões desde os infantis em 1978 até à conquista do Campeonato Nacional de juniores em 1982-83, queimando etapas e tornando-se internacional em todos os escalões. Josef Venglos lançou-o na equipa A, tinha ele apenas 17 anos, a mesma idade com que se estreou na seleção nacional numa vitória em Alvalade por 5x0 sobre a Finlândia. 

A sua fama crescia a olhos vistos e era considerado o «Menino de Ouro» dos verde-e-brancos, preocupando a estrutura leonina, que pensava em o emprestar à Académica. Preocupado, Futre tenta negociar um aumento, mas o Sporting recusa abrir os cordões à bolsa, é então que entra em cena o FC Porto, que no seio de uma guerra Sporting x Porto, vinga-se do desvio de Jaime Pacheco e António Sousa para Alvalade, levando o jovem prodígio para a «Invicta». 

João Rocha, alertado para eminente saída de Futre, resolveu abrir os cordões à bolsa, mas para segurar Rui Jordão, a quem Pinto da Costa lançara uma proposta milionária.

Porto, Saltillo, Viena

De dragão ao peito festejou o bicampeonato, demonstrando a tudo e a todos em Alvalade, o erro colossal que João Rocha cometera, ao não segurar a sua joia, que a norte brilhava - e de que maneira! - de azul-e-branco. 

Na ressaca do bicampeonato é convocado por José Torres para o mundial do México, onde todos esperavam - imprensa estrangeira incluída - que fosse uma das grandes revelações da prova.

Paulo Futre só jogou num mundial, e pouco... Para a memória ficou o que se passou fora de campo, muito mais do que Futre e companhia fizeram nos relvados mexicanos.
Depois de ter ficado de fora do Euro 1984 por ser ainda muito jovem, acreditava que em terras mexicanas podia explodir para o estrelato global.

No meio da confusão de Saltillo, Torres foi apostando pouco no jovem, que acabou por sair de terras mexicanas cabisbaixo, sem glória, eliminado prematuramente e sem ter deixado a sua marca. No pós-Saltillo acabou afastado da seleção, castigado como os restantes "rebeldes" da aventura no México.

De regresso à Invicta, tornou-se fundamental na caminhada do FC Porto até ao topo da Europa, com a conquista da Taça dos Campeões Europeus, onde uma exibição maravilhosa - coroada com uma jogada de génio - indicou o caminho dos azuis-e-brancos para a vitória final.

El Portugués e o regresso a Portugal

Em Madrid Futre tornou-se mais do que um ídolo da torcida colchonera, tornou-se um ícone, «el Portugués», herói que juntamente com o Presidente Gil y Gil, desafiava o poder da Casa Blanca, o velho e o odiado rival do Atlético de Madrid.

Seis anos de rojiblanco valeram um fraco pecúlio. Apesar dos muitos golos e exibições magistrais, no meio de tanta polémica e fintas de outro mundo, a passagem de Futre por Madrid saldou-se pela conquista de duas Taças do Rei. Era chegada a hora de voltar a terras lusas...

Sondado pelo Sporting, anunciava com pompa e circunstância que se saíra do Sporting por dinheiro, agora voltava por amor. Sousa Cintra rejubilava, mas o Benfica estava atento e num negócio que envolveu a RTP -e deu brado -, a águia desviou o herói de Alvalade para a Luz, onde por coincidência do destino voltou a conquistar apenas a Taça de Portugal.

A volta ao mundo

O Benfica vivia tempos conturbados, sem dinheiro, perdia jogadores para o rival Sporting. Descontente, Futre partiu para Marselha, onde não teria palavras muito simpáticas para o Benfica e o presidente Jorge de Brito.

Em Madrid Futre encontrou um novo amor. Com os colchoneros viveu algumas das batalhas mais duras da sua carreira, ao lado do Presidente Gil y Gil, foi um símbolo do clube na luta contra o Real Madrid.
Na Provença não seria feliz, mudando-se então para Itália, onde esteve duas épocas na humilde Reggiana. De Reggio Emilia saltou para Milão, onde jogou pelo AC Milan e conquistou o scudetto em 1995-96, dez épocas depois de ter conquistado pela última vez um título de campeão nacional ao serviço do Porto.

Sem jogar, na curva descendente da carreira e vitima de várias lesões, lançou-se à aventura em Inglaterra, onde não foi feliz no West Ham, regressando novamente a Madrid, para terminar a carreira no longínquo Japão com a camisola do Yokohama Flugels. Penduradas as chuteiras, voltou a Madrid para ajudar o Atlético - como dirigente - a fugir das agruras da Segunda Divisão, onde entretanto tinha caído.

Regressado à Primeira Divisão, acabou por sair da estrutura colchonera, dedicou-se aos negócios em Espanha e Portugal, até que o convite de Dias Ferreira o resgatou de novo para a ribalta...

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