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história
Jogadores

Paulino Alcántara: o «Fura Redes» filipino

2013/01/29 13:55
Texto por João Pedro Silveira
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Quando se pensa nas Filipinas, ninguém pensa em futebol, onde o desporto vive entre o semi-profissionalismo e o mais completo amadorismo. A seleção local, conhecida como os Azkals (cães rafeiros), nunca conseguiu chegar ao top 100 da FIFA, ficando sempre muito longe de tal desiderato, e a própria ideia de uma hipotética qualificação para uma fase final de um Campeonato do Mundo não passa de uma mera utopia. 

A ocupação americana na primeira metade do século XX legou uma influência que se demonstra na paixão dos filipinos pelo boxe e pelo basquetebol. Para um filipino, o que interessa procurar no jornal pela manhã são os resultados da NBA e não de um qualquer campeonato de futebol europeu. A bola no cesto é bem mais importante que a bola no fundo das redes....
 
Mas a surpreendente verdade é que um filipino, famoso por «furar redes», faria história a mais de onze mil quilómetros da terra onde nasceu. E não o fez encestando bolas ou dispensando uns uppercuts nos adversários, não. Este jovem fez furor com uma bola nos pés, encantando plateias nos campos de futebol espanhóis, marcando golos, muitos golos...
 
Paulino Alcántara Riestrá, o primeiro asiático a jogar num clube europeu, é ainda hoje, apesar de ser de um tempo em que não havia imagens gravadas dos seus feitos, um dos grandes símbolos do barcelonismo. Um improvável herói hispano-filipino pelas terras da Catalunha.
 
Já no seu arquipélago natal, um grupo de 7,107, descobertas por Fernão de Magalhães em 1521, Alcántara não é muito conhecido, a não ser pelos poucos adoradores de soccer, como lhe chamam por aquelas bandas. Todavia, em Manila, à porta da federação local, encontra-se uma estátua de madeira do jogador que o recorda para a eternidade.
 
Do Oriente para a Europa
 
Paulino Alcántara nasceu a 7 de outubro de 1896, filho de um oficial do exército espanhol e de uma filipina. O pai de Alcántara fora colocado na colónia espanhola do extremo oriente, onde conhecera a sua futura esposa, por quem se apaixonara e com quem casara. 
 
Dois anos depois deflagrou a Guerra Hispano-Americana que conduziu à derrota espanhola e a cessão das últimas colónias nas Caraíbas e na Ásia aos Estados Unidos da América (1).  
 
Caricatura ilustrando a força do remate de Paulino 'Romperedes' Alcántara.
Com fim do domínio espanhol, os militares espanhóis regressaram a casa e a família Alcántra, como tantas outras, fez o longo caminho de regresso até Barcelona, donde era originário o pai de Alcántara. Paulino contava então três anos e chegou à Cidade Condal em 1899, precisamente no ano de fundação do Barça.
 
Na «Cidade Condal», tão estranha, fria e distante das paradisíacas Filipinas onde tinha dado os primeiros passos, Paulino Alcántra cresceu apaixonado pelo futebol, um desporto que começava a despontar em Espanha.
 
Descoberto por Joan Gamper, foi convidado pelo próprio a juntar-se às equipas jovens do FC Barcelona, onde, com apenas 15 anos, faria o seu debut com a equipa principal do clube, o que o torna ainda hoje, no jogador mais novo de sempre a estrear-se com a mítica camisola blaugrana
 
Estrear-se aos 15 já seria um feito ao alcance de poucos, mas fazê-lo e apontar um hattrick é por certo caso raro na história do futebol. Paulino começava a escrever a sua lenda, desde o primeiro jogo...
 
Rapidamente se tornou uma peça fundamental da equipa, ajudando os catalães a conquistar a Taça do Rei em 1916, além de dois Campeonatos da Catalunha.
 
Regresso às Filipinas
 
Em 1916, após anos de saudades, a família regressou às Filipinas e Paulino foi obrigado a acompanhar os pais, para continuar os seus estudos de Medicina em Manila.
 
Enquanto estudava, começou a jogar pelo Bohemian Sporting Club, ajudando o clube a sagrar-se bicampeão filipino. Os seus golos levaram-no à seleção nacional que ia participar nos Jogos do Extremo Oriente que decorriam em Tóquio em 1917 (2).
 
No jogo de abertura, as Filipinas esmagaram o Japão por 15x2, provocando grande escândalo com a dimensão dos números, conseguindo a maior goleada de sempre numa fase final de uma competição entre seleções A. As Filipinas acabariam por perder a final para a China, mas Alcántara deixava a sua marca e a notícia dos seus feitos chegavam a Barcelona, que tentou convencer os familiares a deixa-lo regressar. 
 
A família não o queria deixar regressar a Espanha, mas Paulino fazia finca-pé, ao ponto de se recusar a tomar a medição para a Malária, doença que entretanto contraíra. 
 
Contrariados, acabaram por aceitar e após recuperar-se totalmente da doença, Paulino embarcou na longa viagem à volta do globo que o trouxe de volta à sua Barcelona.
 
Ídolo em Barcelona
 
De regresso a Espanha, a sua carreira no Barça ganhou foros de lendária. 369 golos apontados, mesmo que em muitas partidas tivesse sido usado como defesa. Ao todo, sagrou-se dez vezes campeão da Catalunha, conquistou cinco Taças do Rei, mais duas Taças dos Pirinéus, vencendo tudo o que havia para vencer com a camisola azul-grená. (3)
 
369 golos em 357 jogos, a brilhante marca de Alcántara com a mítica camisola blaugrana.
Retirou-se em 1927 para prosseguir a carreira de doutor, tinha então apenas 31 anos. Durante a sua carreira, jogara em dois clubes e defendera a camisola de três seleções internacionais: Espanha, Catalunha e Filipinas.
 
Seria curiosamente com a camisola da Roja - com quem recusou participar nos Jogos Olímpicos de 1920, para estudar para os exames da Universidade -, que Alcántra conquistou a sua alcunha de 'Trencaxarxes', em castelhano o 'Romperedes' (4), graças a um jogo com a França, disputado a 30 de abril de 1922. Nesse encontro entre rivais, Alcántara apontou um golo a cerca de 30 metros da baliza.
 
Muitos podiam pensar o que era um golo de longe, na carreira de um jogador que no Barcelona apontou 369 golos em 357 jogos? Mas a verdade é que a bola rematada não só era indefensável para o guarda-redes francês, como foi disparada com tal violência que furou as redes e deixou todos no estádio de boca aberta. Nos anos seguintes as crianças em Espanha tentaram sempre imitar o feito do «Fura Redes» e a lenda foi perdurando ao longo do tempo...
 
By the time he retired in 1927 to become a doctor, the 31-year-old had won 17 major titles, and had represented Spain, Catalonia and the Philippines at international level. Indeed, it was while on duty with La Roja that Alcantara earned his nickname, ‘El Romperedes’ (The Netbreaker), thanks to a 30-yard thunderbolt against France that smashed through the netting.
 
This supreme striker was also one of the first players to write memoirs about his football career, and a statue of him stands to this day outside the headquarters of the Philippine Football Federation. A century may have passed since his glorious debut, but Alcantara - one of the beautiful game’s early greats – remains well worth remembering.
Cem anos depois de ter vestido pela primeira vez o equipamento do Barcelona, Alcántara é recordado pelos barcelonistas como um dos primeiros grandes heróis. Dirigente entre 1931 e 1934, foi dos primeiros jogadores a escrever as suas memórias. Dedicando-se depois à carreira médica.
 
O seu nome e a memória foram recuperados nos últimos anos, tornando-se um caso de culto em fóruns online do Barcelona, onde os adeptos tentam recuperar a história do primeiro grande ídolo do futebol asiático a brilhar na Europa. Definitivamente, um herói muito à frente do seu tempo.
 
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(1) - A Guerra Hispano-Americana acabou com o domínio espanhol nas Américas e no Oriente. No fim do conflito os espanhóis cederam aos norte americanos Cuba e Porto Rico nas Caraíbas, as Filipinas e Guam no Pacífico, e acabaram por vender as restantes ilhas no Pacífico (Carolinas e Marianas) à Alemanha. O domínio norte-americano do arquipélago duraria até ao fim da II Guerra Mundial, quando foi declarada a independência da República das Filipinas em 1946. 
(2) - Além de participar no torneio de futebol, Paulino também defendeu as cores filipinas jogando pela seleção nacional de ténis de mesa.
(3) - A primeira edição da Liga Espanhola seria realizada em 1929, dois anos depois de ter pendurado as botas, como tal, Alcántara nunca se pôde sagrar campeão espanhol.
(4) - Em português 'O Fura Redes'.
is ability to hit the most powerful of shots crossed frontiers on the 30th April 1922 when, in a game between Spain and France, he hit a shot so hard that it ripped right through the net. For many years after, children from Barcelona would recall that moment and would wish to do the same as the man from the Philippines.
 
He hung up his boots on the 5th July 1927 in order to become a doctor. However, this was not his goodbye to football. He was on the board of directors between 1931 and 1934 and Alcántara was one of the first footballers to write memoirs of his playing days.
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