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história
Jogadores

Arthur Wharton: o primeiro ''não branco''

2013/09/23 12:52
Texto por João Pedro Silveira
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Filho de um missionário caribenho descendente de escoceses e de uma princesa africana, Wharton nasceu no Gana e depois de ter vivido em África e no Mar das Caraíbas, passou grande parte da sua vida - até à sua morte na Grã-Bretanha. Lá faria os estudos e tornava-se no primeiro jogador de cor a jogar futebol no país que deu o jogo ao mundo. O filme da sua vida é um misto de glórias e tristezas, como um épico de cinema com contornos românticos e um final trágico...
 
Durante décadas o futebol inglês só foi a preto e branco nas fotografias e nos filmes, pois no campo, só jogadores brancos podiam mostrar os seus dotes futebolísticos.

Arthur Wharton foi um pioneiro, o primeiro de muitos ingleses não brancos a jogar o «beautiful game», fez parte da primeira equipa que venceu a liga inglesa e esteve muito perto de ser chamado à seleção. Os adeptos pediam o seu nome, em particular no norte do país, mas as tradições e o preconceito falaram mais alto. Afinal de contas, a rigidez social e racial, eram dois pilares da sociedade vitoriana, e um jogador negro vestir a camisola dos três leões era algo que estava absolutamente fora de questão.
 
Quem foi o primeiro negro a ser internacional pela Inglaterra? 
 
Seria o nigeriano Benjamin Odeje a ser chamado a vestir a camisola dos três leões pela primeira vez em 1971, num jogo de escalões jovens contra a Irlanda do Norte em Wembley
 
O mundo podia ter dado muitas voltas e a Inglaterra já estar longe da moral e dos costumes vitorianos, mas a verdade é que a estreia de Odeje passou ao lado dos ingleses, que a esqueceram, ao ponto de décadas depois, a própria FA considerar que o primeiro negro a jogar pela Inglaterra, fora Laurie Cunningham, num jogo dos sub-21 em 1977.
 
A primeira internacionalização «A» por um jogador de cor, seria conseguida por Viv Anderson em 1978, abrindo o caminho para uma longa lista de craques negros que vestiram a mítica camisola inglesa nos anos seguintes como John Barnes, Paul Ince, Des Walker, Ashley Cole, Andy Cole, Ian Wright, Sol Campbel e Rio Ferdinand. 
 
Mais a norte, na Escócia, a honra de ser o primeiro jogador negro a vestir a camisola escocesa pertence a Andrew Watson, natural da Guiana Britânica, que se mudara para Glasgow para estudar Artes. Jogou no Queen´s Park, antes de ser internacional por três vezes entre 1881 e 1882, tornando-se no primeiro jogador não branco a disputar um jogo internacional de futebol. Não deixa de ser curioso, que a sul da Muralha de Adriano, os ingleses teriam de esperar quase cem anos, para ver Viv Anderson imitar Andrew Watson...
 
Três continentes, um sonho
 
Arthur Wharton, nasceu em Accra, na Costa do Ouro, atual Gana, que era então uma colónia inglesa, filho do Reverendo Henry Wharton, um missionário metodista, proveniente de Grenada e descendente de escoceses, que casara com uma princesa local.

Em 1875, com quase dez anos, mudou-se para a Grã-Bretanha, com o objetivo de iniciar os estudos. Estudou na escola do Dr. Cheyne em Londres até 1879, ano em que se mudou para Grenada, para se reunir com a familia. Atravessaria novamente o Atlântico, deixando para trás as Indias Ocidentais, rumo à Grã-Bretanha em 1882, para prosseguir os estudos com o objetivo de se tornar Professor Missionário, tal como seu pai.
 
Depois de dois anos no Shoal Hill College, mudou-se para o Cleveland College, onde além dos estudos, se dedicou aos desportos. Wharton era um atleta nato, conseguindo grandes marcas em diversos desportos. Rapidamente entrou para a equipa de corridas em Darlington, batendo constantemente a concorrência dos colegas. 
 
Campeão em Preston
 
Manny Harbon, um treinador local, ficou de tal maneira impressionado com as capacidades atléticas do jovem que o convidou a participar nos campeonatos da Amateur Athletic Association (AAA) que se realizavam em Stamford Bridge, Londres onde bateu o recorde mundial das cem jardas, percorrendo a distância em apenas dez segundos, tornando-se também no primeiro negro a vencer uma prova no Campeonato AAA, até então um feudo de atletas brancos.
 
Surpreendidos com a sua capacidade de corrida, os dirigentes do Preston North End - um clube nortenho, próximo de Liverpool - convidaram-no para jogar futebol na sua equipa. Curiosamente, a sua agilidade impressionou ainda mais que a velocidade, convencendo o treinador do Preston North End que o seu lugar seria na baliza.
 
Em 1887 brilhou na meia-final da FA Cup contra o WBA, mas não impediu a derrota da sua equipa. As suas exibições eram de tal maneira esplendorosas que a imprensa do norte de Inglaterra já clamava para que fosse chamado à seleção.
 
Em 1888 perdeu a titularidade na equipa, mas ainda fez parte da mítica equipa dos Invencíveis que conquistaram a primeira edição da Liga Inglesa em 1888/89, sem sofrer uma derrota. 
 
Casa às costas
 
Infeliz por jogar pouco, trocou Preston pelo Rotheram United em 1889, perdendo a possibilidade de ser bicampeão. Enquanto jogava, começou a gerir a Albert Tavern no centro da cidade, mais tarde tornando-se sócio da Plough Inn, uma estalagem também em Rotherham. No fim do verão de 1893 casou-se com uma rapariga local, Emma Lister, com quem teve um par de meninas, Minnie e Nora. 
 
Em 1895, depois de se mudar para o Stalybridge Rovers, acumulou a função de treinador, com a de jogador, e uma das suas primeiras medidas foi contratar Herbert Chapman, que mais tarde seria o mais importante treinador da história do Arsenal.
 
Após cinco anos no Rotherham United, mudou-se para o Sheffield United. Enquanto vivia na cidade, tomou conta da Sportsman Cottage, que geriu com brio. A idade e o trabalho paralelo tornavam cada vez mais difícil para Wharton manter um lugar na equipa, que acabou por perder para Bill Foulke. 
 
Fim trágico
 
A vida difícil e a boémia noturna acabaram por conduzi-lo ao alcoolismo, problema que o acompanharia até ao fim da vida. Em 1902 viu-sse forçado a abandonar a carreira, minado pelo álcool e cansaço.
Começou a trabalhar nas minas em Yorkshire, onde se tornou um membro da Miners Federation of Great Britain, que o levaram a participar na Grande Greve Geral de 1926.

Acabou por falecer, sozinho, paupérrimo, abandonado por todos e entregue ao alcoolismo, na Springhill House, um sanatório em Doncaster, no nordeste de Inglaterra. O óbito foi proclamado a 12 de dezembro de 1930, a certidão indicava um epitelioma e a sífilis como as causas de morte. 

Legado
 
A sua campa recebeu uma lápide em 1997, após uma campanha anti-racismo patrocinada pela Football Unites, Racism Divides, para conseguir o reconhecimento devido à carreira e feitos de Wharton. Em 2003, o seu nome foi introduzido no English Football Hall of Fame, que assim o reconheceu como um elemento fundamental para a história do desporto em Inglaterra.

Em 2012, Sepp Blatter, no papel de presidente da FIFA recebeu uma pequena estátua de Whaton que se encontra em exibição permanente na sede da FIFA em Zurique. 
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