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história
Jogadores

Liedson: o Levezinho

2013/01/17 18:33
Texto por João Pedro Silveira
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De um supermercado na Bahia ao palco do Campeonato do Mundo de futebol, onde defendeu as cores de um país que distava 7000 quilómetros da sua Bahia natal, esta é a história do «Levezinho», o «Liédshow», aquele que resolve, um verdadeiro «trinta-e-um» que se tornou no terror dos benfiquistas e que foi o autor do golo que levou Portugal ao play-off de qualificação para o Mundial da África do Sul em 2010.

O repositor-goleador

Liedson da Silva Muniz, nasceu em Cairu, um pequeno município do Estado da Bahia a 17 de dezembro de 1977, mas cedo se mudou para Valença, uma pequena cidade do litoral baiano, a poucos quilómetros de São Salvador. Aí cresceu, estudou e desde cedo trabalhou, para ajudar uma família que «quando tinha para comer, comia, quando não tinha, dava-se um jeito».
O jeito foi-se dando, trabalhando num supermercado de Valença, onde por mérito do trabalho foi promovido a repositor, passando então a receber 150 reais. A bola era um sonho eternamente adiado, volta e meia mitigado em partidas entre amigos, torneios locais de equipas amadoras. Liedson não queria arriscar a carreira futebolística e perder o rendimento fixo do supermercado.  

O sonho seria cumprido em 1999, após dar nas vistas num torneio local, despertando o interesse dos olheiros de alguns clubes profissionais. Com 21 anos assinava o seu primeiro contrato profissional, vestindo a camisola do Esporte Clube Poções.

Depois de defender as cores de outros clubes locais, deu o salto para o outro lado do Brasil, mais concretamente para o Paraná, onde assinou contrato pelo Coritiba, o passo decisivo para chamar a atenção dos grandes do Brasil. A próxima etapa seria o Rio de Janeiro e o  grande Flamengo.

O salto sobre o Atlântico

Insatisfeito, romperia o contrato com o «Fla» no final do ano, iniciando na justiça a reclamação de prémios e parte do ordenado que lhe eram devidos pelo «Mengão». Mudou-se então para São Paulo, onde jogou no Corinthians. No «Timão» conquistou o Paulista, o primeiro título coletivo da carreira. 

No fim do ano esteve muito perto de rumar à Ucrânia, para jogar no Dynamo Kyiv, mas o negócio falhou e Liedson teve que voltar ao Parque São Jorge, até que uma nova proposta do Sporting, o levou a fazer as malas e dizer adeus ao Brasil.

Em Alvalade ganhou foros de lenda. Duas vezes rei dos goleadores, ganhou um lugar na história dos verde-e-brancos com os seus 183 golos, 11 deles ao velho rival.
 
De leão ao peito jogou uma final europeia e bateu o número máximo de golos marcados na Europa, recorde que era pertença dos históricos Lourenço e Manuel Fernandes. Dois anos depois, não satisfeito com os seus números, tornou-se o estrangeiro a apontar mais golos por um clube português nas competições europeias.
 
O «trinta-e-um»: golos e mais golos
 
Já antes batera o recorde de «El Chirola» Yazalde, tornando-se o maior goleador estrangeiro de sempre vestido de verde-e-branco. Com a camisola com o número «31» nas costas, Liedson viveu uma verdadeira história de amor com os adeptos sportinguistas, que começou logo nos primeiros momentos em Portugal.
 
O primeiro encontro pelo Sporting, foi jogado precisamente no Estádio das Antas, contra o FC Porto de Mourinho. O Sporting de Fernando caiu vergado a um pesado 4x1 e o avançado baiano entrou já perto do final, sem possibilidade de ajudar a mudar o estado das coisas.
 
Dias depois, em Alvalade, no primeiro jogo que fez pelo Sporting em casa, entrou em campo com o 'S' de Liedson virado ao contrário. O jogo correu de feição ao brasileiro, que tomou a troca do 'S' como um amuleto, passando a usa-lo assim até ao final da época. Os golos surgiram em catadupa!
 
Rapidamente surgiram os cartazes com o sugestivo «Liedson resolve», com o 'S' devidamente virado do avesso. Franzino, tinha provocado algumas dúvidas na crítica e em alguns setores leoninos, mas os golos rapidamente dissiparam todas as dúvidas e tal era a insustentável leveza de Liedson, que carinhosamente começou a ser tratado por «Levezinho».
 
Casos e polémicas 
 
Chegara a Alvalade e causara impacto não só pelos números como por algumas das suas ações. Um cartão amarelo desnecessário tinha-lhe custado a presença num dérbi na Luz, provocando a censura de dirigentes e colegas. Noutra ocasião, chegou atrasado do Brasil, irritando a equipa técnica e os adeptos que não lhe perdoavam a falha. 
 
Mais tarde, voltou a chegar atrasado, mas o então treinador Paulo Bento não hesitou em deixá-lo fora da convocatória num jogo no Dragão, obrigando o «Levezinho» a rever o seu comportamento. 
 
Mas se o Sporting o censurava numa ocasião, rapidamente o perdoava, ciente da importância dos seus golos. Noutro dérbi com o eterno rival, os dirigentes leoninos anteciparam o jogo com o Pampilhosa para a Taça, só para limpar o castigo ao «Levezinho» e vê-lo defrontar o Benfica. O «crime» compensou e Liedson marcou dois golos na vitória leonina.
 
Os duelos com Luisão enchiam as páginas de jornal, com o pequenino avançado a superiorizar-se constantemente ao gigante, que além de adversário era um amigo. Outro adversário com um lugar no seu coração era Luís Fabiano, o Fabuloso, com quem apostara no Brasil e Portugal, cabazes de alimentos e brinquedos para ajudar os mais pobres e crianças desafortunadas, pagos por aquele que marcasse menos golos. Por duas vezes no Brasil, e uma em Portugal, Liedson ganhou a aposta e Fabiano teve que abrir os cordões à bolsa. 
 
Por quem não morria de amores era por Ricardo Sá Pinto, com quem se havia incompatibilizado quando ainda eram os dois jogadores. Mais tarde, já era Sá Pinto um diretor leonino, durante um jogo da Taça de Portugal contra o Mafra e por desavenças sobre a opinião pela forma como Rui Patrício havia se comportado num lance, acabaram por se desentender, chegando mesmo a vias de facto. O fator golo pesou mais e a porta da saída foi apontada a Sá Pinto, mas Liedson começou a ganhar alguns anti-corpos em certos grupos de Alvalade
 
As quinas e o regresso ao Brasil
 
Após muitas insinuações e notícias na imprensa, Carlos Queiroz convocou-o para a seleção, estreando-se em Copenhaga num jogo decisivo para a qualificação. Entrou já na segunda parte, a tempo de marcar o golo do empate (1x1) que garantiu que Portugal podia continuar a sonhar com a África do Sul. Ao todo apontou quatro golos por Portugal, o último deles contra a Coreia do Norte, na goleada por 7x0 no Mundial sul-africano.
 
Em Alvalade, o seu tempo chegaria ao fim a 4 de fevereiro de 2011, apontado dois golos no empate a três bolas com a Naval. O anfiteatro leonino despediu-se do «Levezinho» com uma enorme emoção, adeptos e o próprio Liedson não conseguiram conter as lágrimas, no adeus a uma casa onde fora tão feliz, e que o próprio lembrava que a única mágoa era nunca ter festejado um título de campeão, no clube que ganhara para sempre um lugar no seu coração.
 
Regressando a casa, e ao Timão, conquistou finalmente o título de campeão que lhe faltava no currículo, sendo fundamental na conquista do Brasileirão. Em dois anos apontou 28 golos e teve o seu papel na caminhada para a conquista da Taça Libertadores. 
 
Insatisfeito com o contrato, acabou por regressar ao Flamengo, onde num ano em que ficou grande parte sentado no banco, acabou por marcar só quatro golos, ganhando um lugar na lista de transferências do gigante carioca. 
 
Regresso a Portugal, campeão no Porto
 
Na abertura da janela de mercado em 2013, a "bomba" rebentou quando a imprensa anunciou o interesse do FC Porto no empréstimo do «Levezinho». Dias depois, o homem que «resolvia» em Alvalade era apresentado no Dragão com a camisola azul-e-branca, assumindo publicamente que jogar no FC Porto era um sonho antigo. Em Alvalade o discurso caiu fundo e aquele que era um dos mais queridos heróis leoninos, tornou-se persona non grata.
 
Indiferente a tudo isso Liedson estreia-se em Guimarães, entrando a poucos minutos do fim numa vitória por 0x4. Regressa dias depois para um empate em casa com o Olhanenses (1x1). A 1 de Março regressa a Alvalade, entrando a nove minutos do fim debaixo de uma monumental assobiadela. O FC Porto empata a zero com os leões.
 
Após passar alguns jogos sem sair do banco (exceção a dez minutos contra o Moreirense) é chamado por Vítor Pereira para entrar nos últimos cinco minutos do jogo decisivo contra o Benfica. Os dragões empatavam a uma bola com o Benfica e viam o título quase escapar-se para Lisboa, quando Liedson deixou a bola nos pés de Kelvin e o resto é história.
 
O Porto venceria por 2x1, venceria em Paços Ferreira na semana seguinte e Liedson conquistava finalmente o título que nunca conseguira em Alvalade. Contudo, os sete jogos (seis no Campeonato e um na Taça da Liga) sem golos ficaram aquém do seu historial e das expectativas portistas. Pouco depois regressava ao Brasil para pôr um ponto final na carreira. 
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