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história
Jogadores

Arthur Friedenreich: o primeiro craque brasileiro

2011/07/05 16:40
Texto por João Pedro Silveira
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As origens

Arthur Friedenreich é um nome desconhecido para os amantes do futebol português e europeu. Poucos saberão que a Arthur Friedenreich são atribuídos 1.329 golos em 1.239 jogos, números discutidos por historiadores e analistas, numa história para explicar mais adiante.
Friedenreich, "Fried" para fãs e amigos, foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro. Melhor marcador dos campeonatos paulistas, goleador exímio, foi fundamental nas primeiras vitórias brasileiras na Copa América em 1919 e 1922.
 
Filho de Oscar Friedenreich um emigrante alemão que se radicou em São Paulo e de Mathilde, uma lavadeira negra filha de escravos alforriados, o pequeno Arthur cresceu com o estigma de mulato, que o acompanharia pela vida fora.  
 
Eram tempos distintos e a sociedade brasileira ainda estava muito longe da sociedade que conhecemos hoje. Apesar da Lei Áurea de 13 de maio de 1888, que aboliu oficialmente a escravatura no Brasil, os casamentos interraciaise ram ainda muito mal vistos numa sociedade profundamente segregacionista. Friedenreich cresceu nesse mundo em que a sua cor, e a cor dos seus pais iriam marcar o que ele podia ou não podia ser e ter na vida.
 
O futebol só tinha chegado ao Brasil em 1894, quando o anglo-brasileiro Charles Miller voltou dos seus estudos na Grã-Bretanha com umas bolas e uns livros de regras de futebol na mala. Em pouco tempo, o jogo dos ingleses espalhou-se por São Paulo e mais tarde pelo resto do país
e não admira que na viragem do século o jovem Arthur já jogava com os seus amigos futebol nas ruas do Bairro da Luz, chutando uma bexiga de boi e usando pedras e paus como balizas.
 
Do SC Germânia ao Flamengo
 
A carreira de “El Tigre” começou no SC Germânia – um clube da comunidade germânica de São Paulo – e cedo os seus dotes de goleador fizeram fama nos pelados paulistas.
Num tempo de profundo amadorismo, Friedenreich teve uma carreira atípica, mudando de clube a um ritmo quase anual. Depois do Germânia, fez carreira em alguns dos então grandes clubes de São Paulo: Ypiranga, Mackenzie, Americano, Paulista, Atlas, Payssandu, Paulistano...
 
Deu um salto ao Rio de Janeiro para defender a camisola do Flamengo em 1917, e voltou a São Paulo para jogar no Paulistano por 12 anos. Depois voltou a jogar em diversos clubes de São Paulo antes de ir terminar a carreira no Flamengo em 1935.
 
Fried foi o primeiro mulato da selecção brasileira, a sua primeira estrela. Numa tournée do Paulistano à Europa em 1925 – a primeira de um clube brasileiro -, foi considerado a estrela da equipa e a imprensa francesa alcunhou-o de “le roi du football” (rei do futebol).
Mas se na Europa era aclamado, na sua São Paulo natal, Friedenrich não conseguia escapar ao estigma da cor da sua pele. Impedido de entrar em piscinas públicas, cinemas, ou clubes com os seus colegas, pois os estabelecimentos de lazer eram só destinados à população branca.
 
Curiosamente, depois do sucesso na Copa América, as suas botas estiveram em exposição numa afamada joalharia do Rio do Janeiro, mas o avançado paulista não poderia entrar no bar ao lado para comemorar tal feito e beber uma cerveja...
 
Quantos golos marcou El Tigre?
 
Para a história ficaram os incontáveis golos que marcou na carreira, e dizer que os golos que marcou são incontáveis não é uma figura de estilo, é literal. Uma dúvida assalta os historiadores do futebol brasileiro há anos. Quantos golos marcou efectivamente Friedenreich? Quem foi o melhor marcador de todos os tempos? Fried ou Pelé?
 
A história desta dúvida conta-se em poucas linhas: O pai de Friedenreich, reconhecendo a aptidão do filho para jogar futebol resolveu criar um relatório no fim de cada partida, apontando sempre o número de golos. Em 1919 passou essa incumbência a Mário de Andrade - um colega de Friedenreich no Paulistano - que continuou a tarefa até Fried pendurar as botas em 1935. Fechadas as contas, os números apontavam para 1239 golos em 1329 jogos. 
 
Anos mais tarde, em 1962, Andrade contactou o jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva (De Vaney) para lhe apresentar as fichas que comprovavam estes números, contudo Andrade faleceu antes de poder entregar as fichas a De Vaney. O jornalista contudo avançou com a publicação dos números e publicou a história que Friedenreich teria marcado 1329 golos. Se foi um erro de De Vaney, ou um erro da gráfica, a inversão dos números de 1239 para 1329 ninguém sabe, a verdade é que o número pegou e a lenda começou: Arthur Friedenreich era o melhor marcador da história!
 
A FIFA chegou a comprovar estes números, tal como o livro Guiness dos recordes, mas mais tarde ambas as instituições passariam a não reconhecer este número. O mistério perdura e entretanto novas contagens foram efectuadas, tendo a última indicado que muito possivelmente El Tigre apontou 558 golos em 562 partidas, o que a confirmar-se ficaria muito longe do recorde de Pelé, mas contudo, Fried teria uma média de golos por jogo superior à do Rei. 
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