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Daniel Passarella: El Gran Capitán

Texto por João Pedro Silveira
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Daniel Passarella, um dia disse que «na Argentina houve 44 medalhas para 43 campeões do Mundo», lembrando aos seus compatriotas, que é o único argentino que tem a honra de ter ganho dois mundiais. Os argentinos endeusam Maradona, mas Passarella gosta de lembrar que como ele não houve ninguém, só ele é bicampeão do mundo no país das Pampas.

Um sonho antigo...

Desde 1930 que a Argentina tinha um sonho: vencer o campeonato do Mundo. Um sonho adiado em 1930, após a derrota na final contra o Uruguai.  Em 1934 era eliminada logo no primeiro jogo e depois atravessava um longo deserto que só terminaria em 1958, onde caiu logo na primeira fase.

De quatro em quatro anos o sonho renascia, mas a Argentina ficava longe de voltar a pisar o palco mágico de uma final do mundial e as desilusões sucediam-se. Ao seu lado, o Uruguai celebrava dois títulos (1930 e 1950) e o Brasil reclamava o tricampeonato (1958, 1962, 1970). O mundial só chegou em 1978 e coube a Passarella a honra de erguer o troféu, perante um Monumental de Buenos Aires repleto.

Valdano disse dele que «era a exaltação da arrogância», Passarella nunca teve problema em ser tanto adorado como amado. Como selecionador nacional dividiu o país ao meio, acirrando ódios, fazendo declarações homofóbicas e proibindo os jogadores de usarem longas cabeleiras na sua seleção.

A Argentina habituada que estava a adorar estrelas de longa cabeleira como Maradona, Kempes, Caniggia ou então Batistuta, sentiu-se ultrajada e logo um grupo de jogadores contestou a decisão do técnico. Verón e o Batistuta deram voz à contestação, Passarella reagiu endurecendo as medidas e proibindo também brincos e tatuagens. Fernando Redondo e Cláudio Caniggia não cederiam às ideias de Passarella, mas o goleador Batistuta acabaria por descolorar as madeixas e cortar o cabelo, para defender a camisola da Argentina no mundial francês.

O Capitão de Chacabuco

Daniel Alberto Passarella, descendente de sicilianos oriundos de Catânia, nasceu a 25 de maio de 1953, em Chacabuco, a pouco mais de 200 quilómetros da capital Buenos Aires. Desde tenra idade que se apaixonou pelo jogo, passando longas horas a jogar com os colegas, para desespero da mãe que não queria que o seu pequeno Daniel descurasse os estudos.

Começou por jogar na equipa local, o Club Argentino, destacando-se na defesa, antes de se mudar para a vizinha cidade de Junín, onde defendeu a camisola do Sarmiento, com quem assinou o primeiro contrato profissional, jogando na Primera C, a terceira categoria do futebol argentino daquele tempo.

Chegaria então a altura de dar o salto para a grande capital. Depois do Boca Juniors rejeitar a sua contratação após observa-lo, magoado - Passarella era adepto do Boca desde pequeno - aceitou então assinar pelo River Plate, o grande rival.

Iniciava assim um novo amor que duraria para o resto da sua carreira, tanto de jogador como de treinador, pois na Argentina, só jogou ou orientou o seu River e a sua seleção nacional.

Símbolo da alviceleste

Seria no Monumental de Núñez que construiu a sua carreira, liderando a camisola do River Plate, conquista atrás de conquista, como «El Gran Capitán», alma dos millonarios, onde ganhou a fama de defesa-goleador. 

Em 1978 foi alma e capitão da alviceleste e levantou o Troféu de Campeão do Mundo, perante um Estádio Monumental lotado e delirante com a vitória sobre a Holanda no prolongamento.

Quatro anos depois, falhou, juntamente com a equipa a revalidação do título, mas não poupou nas críticas aos colegas e à preparação argentina. No México, zangou-se com Maradona, a grande estrela da equipa. O treinador Carlos Bilardo, colocou-o no banco e não jogou em toda a «aventura» mexicana. Todavia, no fim da competição, Passarella foi um dos 22 jogadores que saíram do Estádio Azteca com uma medalha de ouro, a segunda da sua carreira, e isso ninguém lhe podia tirar...

Experiência em Itália e carreira de treinador

Entre a desilusão em Espanha e o sucesso no México, Passarella experimentou o sucesso em Itália, onde brilhou quatro anos em Florença, com a mítica camisola viola da Fiorentina, mudando-se depois para a cidade de Milão, onde ainda jogou dois anos no Inter.

Em 1988, já com 35 anos, abandonou a Itália, mas ainda se sentia capaz para jogar ao mais alto nível e regressou à Argentina e ao River Plate, jogando mais uma época, onde os nove golos apontados em 32 jogos, provaram que tinha tomado uma decisão acertada. 

Penduradas as botas, pegou na gravata e sentou-se no banco do seu River, que conduziu ao sucesso logo no ano de estreia, conquistando a Primeira Divisão, título que escapava aos Millonarios desde 1985/86.

Com o ocaso de Maradona na alviceleste, depois do escândalo do doping no mundial norte-americano de 1994, Passarella foi chamado a guiar a Argentina no caminho para o França 1998. 

1995 seria um annus horribilis, dentro e fora do campo. Tudo começou com a eliminação nas meias finais da Copa América, às mãos do rival Brasil. Seguiu-se a derrota com a Dinamarca na final da antecessora da Taça das Confederações. Por fim, a trágica morte de seu filho Sebastián, num acidente de automóvel. A dureza do golpe marcaria para sempre a sua imagem, tornando-se cada vez mais distante e sisudo na relação com a imprensa.

Medalha de prata nos Jogos de Atalanta em 1996, eliminado nos quartos-de-final do mundial francês pela Holanda em Marselha, acabou por sair da seleção sem o sucesso que tivera como jogador. Treinou ainda o Uruguai e o Parma, antes de passar pelo México, para mais tarde regressar ao River, de onde se demitiu em 2007, sem conquistar nenhum troféu.

Por fim, em 2009, abraçou o sonho de ser presidente do River Plate quando o clube se encontrava na maior crise da sua história, acabando por ser o responsável maior do clube no ano da histórica despromoção.

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