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Dinamáquina: os fabulosos dinamarqueses

Texto por João Pedro Silveira
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Crescer nos anos 80 e gostar de futebol implicava três coisas: adorar o Futre como se adorava o Dartacão, achar que o Maradona era tão bom ou melhor que o Sport Billy e que a Dinamarca era a melhor equipa do mundo, melhor ainda que a equipa dos «Soldados da Fortuna»... 

Os antepassados da «Dinamáquina» 
 
Apesar de uma medalha de prata nos Jogos de Londres em 1908 e de uma presença na fase final do Euro 1964, a seleção dinamarquesa era uma equipa sem expressão no futebol europeu. 
 
Com o advento do profissionalismo a chegar na década de 1970, seria a Carlsberg, uma marca de cervejas dinamarquesa, mas conhecida em todo o mundo, resolveu patrocinar a Federação da Dinamarca, permitindo que a mesma contratasse o conceituado treinador alemão Sepp Piontek em 1979. 
 
Os resultados começaram a surgir durante a qualificação para o mundial de Espanha em 1982. Uma vitória por 3x1 sobre a Itália, que seria campeã do mundo nesse verão, seria o primeiro grande passo na afirmação da Dinamáquina, mas os dinamarqueses quedar-se-iam pelo terceiro lugar, atrás de jugoslavos e italianos. 
 
Nasce a Dinamáquina 
 
21 de setembro de 1983, a Dinamarca espanta o mundo e bate a Inglaterra em Wembley, nascendo a lenda da «Dinamáquina». Uma derrota em Budapeste não ensombrou a campanha dinamarquesa, e a vitória no grupo foi conseguida à frente dos ingleses, gregos e húngaros. 
 
Vinte anos depois da última presença numa fase final, a Dinamarca, era uma perfeita desconhecida para os amantes do desporto rei, e ao chegar a terras francesas nem o estatuto de outsider merecia. A verdade é que a equipa de Sepp Piontek contava com um conjunto de jogadores que faziam furor nos principais campeonatos europeus como Larsen, Lerby, Arnesen e um rapaz chamado Michael Laudrup. 
 
A estreia, em Paris, valeu uma derrota por 1x0 às mãos de Platini e companhia. Mas toda a Europa percebera o quão difícil e suada, fora a vitória gaulesa. A Dinamarca prometia muito mais... 
 
Seguiu-se uma goleada estrondosa sobre a Jugoslávia (5x0), antes de Larsen e companhia, construírem uma épica reviravolta no jogo com a Bélgica, depois de estarem a perder por 0x2 aos 39 minutos, virando para um 3x2 que garantiu a presença nas meias-finais onde conheceriam o amargo sabor da derrota, no desempate por grandes penalidades, no final do jogo com a Espanha.
 
O primeiro mundial
 
Na qualificação para o mundial de 1986, a Dinamarca encontrou pela frente à forte oposição da União Soviética e da Suíça, num grupo que contava também com a presença da Rep. Irlanda e da vizinha Noruega. A vitória destacada no grupo foi coroada com uma vitória sobre os soviéticos em Copenhaga (4x2) e terminada com uma goleada em Dublin (1x4) que selou a classificação final do grupo.
 
Em terras mexicanas, a Dinamarca ficou colocada no grupo E, considerado o «grupo da morte», juntamente com a R.F.A., o Uruguai e a Escócia. Michael Laudrup e Preben Elkjær, numa forma fenomenal, deram largas ao seu génio e a Dinamarca venceu todos os jogos do grupo, incluindo uma vitória sem discussão sobre a toda-poderosa equipa alemã. Mas o feito, a memória que todos recordam desse verão de 1986, é a goleada sobre o Uruguai (6x1).  Um jogo e uma exibição para a história do futebol, o momento alto da Dinamáquina, a sua «obra» mais perfeita.
 
Nos oitavos, a Dinamarca caíria novamente às mãos da Espanha (1x5), e do histórico poker de Butragueño, escandalizando o mundo com os números da derrota, quando já tantos acreditavam que a Dinamarca era uma séria candidata ao título mundial.
 
O Pós-Dinamáquina
 
Sem nenhum grande triunfo em competições internacionais, o legado desta grande equipa foi a qualidade do seu futebol. Quem viu jogar a Dinamáquina, não esquece, mas acima de tudo o resto, a Dinamarca passou de uma equipa sem historial, para se tornar uma das mais respeitadas seleções do mundo. 
 
Com o fim de uma geração de ouro a aproximar-se, a Dinamarca passaria discretamente pelo Euro 88, falhando a seguir a presença no Itália 90. Em 1992, voltou a falhar a qualificação para o Euro, mas a Guerra na Jugoslávia, permitiu uma repescagem de última hora. Com Michael Laudrup de fora, a Dinamarca de 1992 conseguiria surpreender a Europa e conquistar o troféu, honrado assim a memória de uma equipa que ficou na história do futebol.
 
 
 
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