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George Weah: o herói da Libéria

2012/01/16 15:53
Texto por João Pedro Silveira
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A Libéria é mais conhecida pela sua guerra civil e pelos diamantes de sangue do que por qualquer outro motivo. No fim dos anos oitenta e até 2003 o país devastou-se numa luta fratricida que pontualmente surgia nos noticiários das televisões europeias. Em 2006, Leonardo Di Caprio brilhou em «Diamantes de Sangue», o filme que trouxe a tragédia liberiana para a ribalta via Hollywood, pouco tempo depois de Ellen Johnson-Sirleaf ter sido a primeira mulher eleita presidente num país africano.

Era a normalização que chegava ao pequeno país, porta de entrada para o Golfo da Guiné, somente um ano depois das eleições presidenciais mais concorridas da história da Libéria, nas quais Sirleaf venceu, depois de uma disputadíssima segunda volta, aquele que é por certo o maior herói liberiano dos tempos modernos: George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah.
 
De Clara Town para o mundo
 
Weah nasceu em Clara Town, um dos mais mal afamados bairros de lata dos subúrbios de Monróvia. Os seus pais, pobres operários, não podiam imaginar o futuro brilhante que o dotado e pequeno George tinha pela frente.
 
Criado pela avó, estudou enquanto dava os primeiros pontapés num clube local com o apropriado nome de Young Survivors Clareton (Pequenos sobreviventes de Clara Town).
 
Continuou jogando por clubes locais como o Bongrange Company, o Mighty Barolle e o Invincible Eleven, enquanto trabalhava na Telecom da Libéria. 
Campeão no Invincible Eleven, vê a sua fama extravasar as fronteiras da pequena Libéria e é contratado para jogar no Africa Sports da Costa do Marfim, onde só faz dois jogos, antes de se mudar novamente, desta feita para os Camarões, onde defendeu as cores do Tonnerre Yaoundé.
 
Príncipe no Mónaco
 
Arsène Wenger, treinador do AS Monaco, não perde tempo e resolve trazer o diamante liberiano para o lapidar no pequeno principado banhado pelo Mediterrâneo.
 
Durante quatro anos brilhou com a camisola vermelha e branca dos monegascos, ganhando apenas uma Taça de França em 1990/91, título que valeu a Weah e companhia chegar à final da Taça das Taças disputada em Lisboa no ano seguinte,.
 
Essa histórica equipa monegasca, onde pontificavam Weah e o português Rui Barros, juntamente com as futuras estrelas da seleção francesa Thuram, Djorkaeff e Petit, acabou vencida por 2x0 pelos golos dos alemães do WerderBremen, apontados pelo neo-zelandês Wynton Rufer e pelo veterano Klaus Allofs.
 
Jogador da moda em Paris e Milão
 
Seguiu-se nova mudança, desta feita para o Paris Saint-Germain de Artur Jorge. Durante a estadia na Cidade Luz, conquistou uma Ligue 1 e duas Taças de França, tornando-se num avançado de referência no futebol europeu.
 
O magnata dos media e presidente do AC Milan, Silvio Berlusconi, encantado, vai a Paris buscá-lo para substituir Marco Van Basten como estrela maior do colosso milanês.
 
1995, o ano em que jogou nas duas capitais da moda europeia, viu Weah ser reconhecido como o melhor jogador do mundo tanto pela FIFA como pela France Football, conquistando o afamado Ballon D´Or. Em cinco anos com a camisola rossonera conquistou dois campeonatos e confirmou-se como a maior estrela do firmamento futebolístico africano.
 
Encontro com Jorge Costa
 
A única nuvem negra a pairar na carreira de Weah terá sido o castigo aplicado pela UEFA na sequência da agressão que o liberiano cometeu sobre o portista Jorge Costa, no acesso aos balneários do Estádio das Antas, num jogo da Liga dos Campeões entre portistas e milaneses.
 
Weah acusou Costa de racismo e de ter sido alvo de insultos. O português negou tudo e acusou Weah de difamação. Ninguém, nem mesmo os colegas de Weah, ouviu Jorge Costa proferir algum comentário racista e a UEFA não teve pejo em castigar o avançado. Curiosamente, seria ainda nesse ano que a FIFA atribuía ao avançado rossoneri o prémio de Fair Play, concedido anualmente pela instituição.
 
Em 1999/00, depois de uma primeira volta sem brilho e sem espaço na equipa milanesa, muda-se para Londres, para o Chelsea, onde também não é feliz. Seguiu-se um último ano em Marselha, antes de pendurar definitivamente as chuteiras no Al-Jazira dos Emirados Árabes Unidos.
 
Na seleção
 
Weah foi considerado pelos liberianos como o melhor jogador do país em inúmeras ocasiões. Um ídolo do país e do continente, um dos maiores jogadores de sempre que nunca pisou o palco de um Mundial, um infortúnio no qual é acompanhado por estrelas como Giggs, Cantona, Best e Di Stéfano.
 
Mais que estrela, na seleção Weah era o líder. Capitão, mentor, patrocinador, pagou do seu bolso todas as despesas para que em 1996 a seleção pudesse disputar a Taça das Nações Africanas (CAN) desse ano. 
 
Ausente dos Mundiais, acabou por ser a CAN o único palco onde Weah poderia brilhar com a camisola da sua seleção, mas tanto em 1996 como em 2002, não conseguiu remar contra a maré e viu a sua Libéria cair sempre na primeira fase, apontando apenas um golo no único empate conseguido na edição de 2002.
 
Fora do campo
 
Fora dos campos Weah foi sempre um humanista e ativista pelos direitos das crianças. Apoiou jovens do seu país e de outras nações africanas e foi nomeado embaixador da boa vontade pela UNICEF.
 
Fundou ainda o Juniors Professional, um clube em Monróvia para ajudar os mais pequenos a fugir da pobreza, incentivando o estudo e a permanência na escola, pois só quem estuda pode permanecer no clube que nos últimos anos tem formado mais atletas para a seleção nacional.
 
Em 2006 candidatou-se às eleições presidenciais e foi o mais votado na primeira volta, acabando por perder para Ellen Johnson-Sirleaf na segunda volta.
 
Desgostado com a política, retirou-se para os Estados Unidos da América para se dedicar aos estudos, uma lacuna que os seus adversários políticos sempre lhe apontaram.
 
Em 2009 regressou a casa para ser a mesma voz ativa de sempre na política local, sendo eleito senador no sufrágio local que decorreu nesse mesmo ano.
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