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história
Treinadores

Joseph Szabo: o vanguardista magiar

2012/01/06 12:49
Texto por João Pedro Silveira
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As origens nas margens do Danúbio

Joseph Szabo, nasceu a 11 de maio de 1896 em Gönyü , uma pequena aldeia de pescadores nas margens do Danúbio, no noroeste da atual Hungria, mas que na altura pertencia ao Império Austro-Húngaro. Com quatro anos mudou-se para a cidade industrial de Gyor, onde ainda rapaz se tornou torneiro mecânico, ao mesmo tempo que começava a jogar futebol na equipa da terra.
 
Em 1914 iniciara-se a I Guerra Mundial, Szabo, como muitos jovens de então, corria o risco de ser chamado para combater nas trincheiras. Felizmente para o jovem, a contribuição de Szabo para o esforço de guerra foi trabalhar num fábrica de munições, em Budapeste, para onde se tinha mudado com 20 anos.
 
Ao mesmo tempo que trabalhava, passou a defender as cores do Ferencvaros, um dos maiores clubes da capital magiar. Em breve os seus dotes como médio, chamaram a atenção dos olheiros da Federação que o convocaram para defender as cores da seleção nacional da Hungria, um dos diversos países que tinham surgido dos "escombros" resultantes do fim da união dinástica entre a Áustria e a Hungria.
 
No FC Porto, com passagem pela Madeira
 
Já depois dos 30 anos, emigra para a Ilha da Madeira onde representa primeiro o Nacional e depois o Marítimo. A sua fama chega ao continente e em 1930 é contratado pelo FC Porto a troco de 500 escudos por mês para o papel de treinador-jogador, com quem conquista a primeira edição da Liga Portuguesa.
 
Os ecos dos seus feitos e do seu «toque de midas» chegam a Lisboa, e os dirigentes do FC Porto alarmados com tal facto, não deixam o treinador acompanhar a equipa nas viagens ao sul.
 
Sempre à frente do seu tempo, efetua um estágio com o Arsenal em Londres. Mas as novidades metodológicas não foram bem recebidaspelos jogadores, que não gostavam muito da ideia de trabalhar a vertente física.
 
Mudou-se para o Sporting... de Braga, onde a história o "acusa" de ser o responsável pela mudança de equipamento que levou os braguistas a passar a equipar como o Arsenal de Londres.
 
Workaholic viciado em vitórias
 
A seguir ao periodo na Cidade dos Arcebispos, transferiu-se para Lisboa, ajudando o Sporting a conquistar o seu primeiro Campeonato Nacional (1940/41). Seguiu-se uma Taça de Portugal e mais um Campeonato em 1943/44. Foi o primeiro treinador do clube a reivindicar prémios de jogo e durante o seu longo consulado de oito épocas conquistou seis Campeonatos de Lisboa, dois Campeonatos Nacionais, um Campeonato de Portugal e uma Taça de Portugal.
 
A sua aura de homem muito exigente devia-se ao seu caráter disciplinador e extremamente rigoroso, hoje em dia por certo seria considerado um workaholic, viciado no trabalho
A sua aura de homem muito exigente devia-se ao seu caráter disciplinador e extremamente rigoroso, hoje em dia por certo seria considerado um workaholic, viciado no trabalho. A verdade é que com os seus métodos vanguardistas, conseguia quase sempre retirar o melhor dos seus pupilos, que gostavam muito dele, mesmo depois de Szabo ter instituindo a norma dos «dez por cento», uma multa destinada a quem chegava atrasado aos treinos.
 
Implacável, não perdoava a quem traía a sua confiança e mantinha os jogadores constantemente debaixo de olho, restringindo o consumo de álcool, tabaco e a prática sexual. Dizia a todos que o queriam ouvir: "No futebol o sucesso faz-se com 10 por cento de génio e 90 por cento de transpiração."
 
O seu génio irascível causava incómodo entre os dirigentes leoninos e acabou por voltar a ser despedido, seguindo-se um período em que treinou de norte a sul, passando novamente pelo FC Porto e Sporting de Braga, mas também por Faro, Viana, Olhão, Espinho, Famalicão, voltando a Lisboa para treinar o Oriental e o Atlético.
 
José Coração de leão
 
O amor ao país de adoção levou-o a finalmente pedir a naturalização, passando a assinar com o nome de José. Em 1953/54 voltou ao Lumiar para conduzir o seu Sporting ao tetracampeonato. Nos anos seguintes treinou as camadas jovens dos leões e ainda fez parte da equipa técnica na época de 1964/65, nunca dizendo não ao clube de que tanto gostava. Acabou a carreira como selecionador de Angola em 1966.
 
Seria precisamente na então colonia portuguesa que durante a guerra colonial um filho seu perderia a vida. Já anos antes, Szabo vira o seu outro rapaz ficar para sempre condenado a uma cadeira de rodas, depois de um brutal acidente de viação. 
 
Ficou a viver no Lar do Sporting em Alvalade, vivendo os últimos dias perto do amor da sua vida, no estádio de futebol do clube do seu coração.
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