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história
Uma rivalidade com história

Águias e dragões: uma rivalidade com história

2011/07/21 17:19
Texto por João Pedro Silveira
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Tripeiros e alfacinhas

A rivalidade entre lisboetas e portuenses é muito anterior a existência do beautiful game entre nós, antes de o futebol chegar a Portugal já existia uma rivalidade histórica entre as cidades de Lisboa e do Porto, entre as suas gentes e os seus modos de vida. Enquanto a luminosa Lisboa era a cidade onde vivia o Rei, a capital de um Império que se estendia por vários continentes, centro de governo e das cortes, residência de eleição da nobreza nacional, cidade das artes e cultura, aberta ao mar e outras gentes; por outro lado o Porto, com uma burguesia pujante muito ciosa da sua liberdade, era uma cidade onde coabitavam o progresso e a tradição, a cidade foi origem dos principais movimentos artísticos e políticos do país no século XIX, cabeça de revoluções, mas ao mesmo tempo uma cidade moralmente conservadora, por oposição à hedonista e mais libertina Lisboa.

Foi no seio dessa mesma burguesia ligada ao comércio do Vinho do Porto, arreigada aos valores da família e do trabalho, mas contudo aberta às influências que chegavam da industriosa Inglaterra, que foi fundado em 1893 o FC Porto.

Origens e crescimento

Imagem de um Benfica x FC Porto disputado em 1932
De origens humildes, formado nas traseiras de uma farmácia por um grupo de operários e pequenos comerciantes, onze anos depois do seu rival nortenho, surgia em Lisboa o Benfica, que rapidamente criou uma rivalidade com os seus vizinhos do Sporting, clube da nobreza e grandes famílias lisboetas.

A norte, após um hiato de 12 anos, o FC Porto era refundado em 1906. E os primeiros tempos mostraram um clube vencedor e na vanguarda do desporto nacional. Pertenceu-lhe o primeiro relvado do país, foi o FC Porto o primeiro clube português a disputar um jogo internacional, foi o primeiro a fazer uma tour pelo estrangeiro, e como corolário deste percurso, venceu o primeiro Campeonato de Portugal (1922), batendo o Sporting na final.

Em Lisboa, os encarnados viviam um pouco à sombra dos seus rivais verde-e-brancos e só em 1931 venceriam o Campeonato de Portugal, ao baterem por 3-0 os portistas, naquele que foi o primeiro jogo oficial entre os dois clubes. Para a história fica o dia 28 de Junho de 1931 e, o Campo do Arnado em Coimbra, o local onde se realizou o primeiro embate oficial entre águias e dragões do futebol nacional.

À sombra de leões

Mais uma vez, a vitória sorriu ao FC Porto quando se disputou a 1ª edição da Liga em 1934, e, apesar de portistas e benfiquistas conquistarem alguns títulos neste período, coube ao Sporting a primazia do futebol nacional até meados dos anos 50.

Depois de conquistarem a primeira edição do Campeonato da 1ª Divisão em 1938/39 e o bicampeonato na época seguinte, os azuis e brancos foram perdendo influência no futebol nacional, assistindo de longe à luta entre os "três" grandes de Lisboa. Sem vitórias no futebol, mas crónicos campeões de andebol de onze, os portistas eram jocosamente conhecidos em Lisboa por Andebol Clube do Porto...

Coluna, o grande capitão, ergue mais um troféu conquistado pelo Benfica, neste caso uma Taça de Portugal.
Durante a década de 40 o FC Porto entrou na era das trevas, conseguindo apenas por duas vezes ficar nos três primeiros lugares até 1950. Eram os anos dos «cinco violinos» e em que resistência ao domínio estava a cargo do Benfica. Foram anos em que a amizade entre os dois clubes se aprofundou. Em 1952 o FC Porto convidou o Benfica para inauguração do Estádio das Antas, e dois anos depois foi o FC Porto que teve a honra de inaugurar o Estádio da Luz.

Era benfiquista

Em 1950 o Benfica conquistou a Taça Latina e, onze anos depois conquistou a Taça dos Campeões Europeus, meses depois chegava Eusébio a Lisboa para vestir a camisola encarnada e o Benfica iniciava o período de maior pujança da sua história, conquistando troféus dentro e fora de portas, superiorizando-se claramente a leões e dragões.

O FC Porto que conquistara dois campeonatos 1955/56 e 1958/59, voltou a entrar num periodo de hibernação, enquanto o Benfica se tornava o clube mais conquistador de Portugal, ganhando duas Taças dos Campeões e jogando ainda mais três finais. Com Eusébio de Silva Ferreira, Coluna, Simões, José Augusto e companhia, o Benfica ultrapassou claramente o Sporting, assumindo-se como o maior clube português. 

Revolução dos cravos e o renascimento portista

Jorge Nuno Pinto da Costa (esq) e José Maria Pedroto (dir): os dois obreiros do FC Porto que dominou o panorama desportivo nacional a partir do final dos anos 80.
Em Abril de 1974 o Benfica tinha vencido 20 campeonatos, o Sporting 13 e o FC Porto somente cinco e, é então que surgem em cena José Maria Pedroto e Pinto da Costa, mudando a história do FC Porto e consigo todo o futebol nacional.

Sem tirar considerações políticas ou desportivas, olhando apenas os resultados, torna-se claro que com o advento da liberdade, inverte-se a história do futebol em Portugal, e em 36 anos de democracia o FC Porto conquista 19, contra 12 do Benfica e apenas cinco do Sporting.

Com o declínio leonino o Benfica x Porto torna-se o grande clássico nacional, tendo ambos os clubes dividido entre si 22 das últimas 25 edições do Campeonato, o que é por demais ilustrativo.

Em três décadas, águias e dragões monopolizaram não só as glórias como as atenções do país e do mundo, provocando amores e ódios vários. Pinto da Costa centra o discurso na retórica "norte vs Sul", enquanto na Luz, um pouco à sombra do recente passado, o Benfica parece demorar a reagir ao desafio portista.

Rivalidade até na Europa

Os adeptos do Benfica contam-se entre os mais apaixonados do mundo e costumam transformar a sua «Catedral» em Inferno, quando apoiam o seu glorioso. ©Catarina Morais
Em 1983 o Benfica volta às finais europeias, perdendo a final da UEFA para o Anderlecht; no ano seguinte o FC Porto chega à sua primeira final europeia (Taça das Taças), perdida para Juventus. Três anos depois, os azuis-e-brancos atingem a glória em Viena, batendo o Bayern na final da Taça dos Campeões. Em 1987/88 e 1989/90, o Benfica volta a pisar o grande palco, mas contudo perdendo as duas finais para PSV e AC Milan.

A década de oitenta conduziu ao esfriar de relações, terminando uma longa relação de amizade entre águias e dragões. Os anos 90 e o novo século trazem um FC Porto dominador, conquistando campeonato atrás de campeonato. O FC Porto entra numa espiral de sucesso com um Pentacampeonato nacional, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões, um Tetracampeonato e uma Liga Europa.

O Porto é uma nação, afirmam convictos os dragões. Paixão e devoção sem limites, é o que o FC Porto pode contar com os seus adeptos. ©Catarina Morais
Após oitenta anos de clássicos, o Benfica x FC Porto simboliza a força e a paixão do futebol português. Entre os dois clubes além de 56 campeonatos nacionais em conjunto, venceram ainda ao todo: quatro Taças dos Campeões/Ligas dos Campeões, duas Taças Intercontinentais,duas Taças UEFA/Liga Europa, uma Supertaça Europeia e uma Taça Latina.

O clássico extravasa as fronteiras do país, marca a história, e projecta-se mais vivo do que nunca no futuro.

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