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Il Grande Torino

2015/09/15 10:50
Texto por João Pedro Silveira
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Il Grande Torino era a mágica equipa do Torino Football Club, brilhante dominador do futebol italiano durante os anos quarenta. Durante a sua era dourada, il Toro bateu imensos recordes no futebol italiano, muitos deles ainda perduram nos nossos dias, como as maiores goleadas em casa e fora, o maior número de pontos conquistados numa época, ou ainda o maior número de épocas - quatro - sem conhecer o sabor da derrota em casa, entre outros feitos que ainda enchem de orgulho os adeptos torinese... 

Pentacampeão italiano (1), a era de sonho do Torino surgiu num momento complicado da história, com o fim da II Guerra Mundial e o lento recuperar dos contactos internacionais nos anos seguintes.

A bicampeã do Mundo

A Itália fora campeã do mundo em 1934 e 1938, tornando-se reconhecidamente a melhor seleção do mundo. Contudo o começo da II Guerra Mundial em Setembro de 1939 interromperia esse domínio, interrompendo as competições desportivas até ao fim do conflito em 1945.

Durante os anos da guerra uma nova geração de jogadores surgiu e prometia continuar os feitos de Meazza e companhia, Vittorio Pozzo, treinador bicampeão mundial, continuava ao leme da Squadra Azzurra.

Nessa nova seleção começavam a destacar-se os craques  e os jogadores do Torino, clube da cidade de Turim que até então vivera um pouco à sombra da vizinha e rival Juventus.

Ferrucio Novo

Poucos meses antes do começo da guerra, Ferrucio Novo, um industrial de 42 anos, tornou-se presidente do AC Torino, sucedendo a Giovanni Battista Cuniberti. Ao contrário do que era comum no futebol italiano, Novo não era um "dono" que injetava dinheiro no clube, mas um minucioso administrador que estava atento a todos os detalhes do clube.

Procurou o conselho de Vittorio Pozzo, um apaixonado pelo futebol inglês, que lhe sugeriu a seguir os modelos de gestão profissionais do futebol da Velha Albion
 
Reorganizou a estrutura do clube e contratou gente nova para quase todas as funções importantes dentro do Torino. Entregou a direção técnica a Ernest Egri Erbstein, que trabalhava incognitamente no clube, dado que ao seu judeu, estava impedido pelas leis raciais do regime de Mussolini de desempenhar este tipo de funções. 

A segunda fase do plano foi encontrar jovens promessas para vestir a camisola do Toro. De Varese chegou por sugestão da equipa técnica um rapaz que em breve seria um símbolo do clube: Franco Ossola. 
 
Jogar durante a Guerra
 
A Itália entrou na Guerra a 10 de Junho de 1940, quando a vitória alemã sobre a França era um dado adquirido. Aliado da Alemanha, amigo de Hitler, Benito Mussolini traçou o seu destino e declarou guerra à França e à Grã-Bretanha, que tinham sido aliados da Itália na I Guerra Mundial. Confiante na rapidez do conflito, Mussolini ordenou que os jogadores de futebol não fossem chamados para servir nas forças armadas: «Nós precisamos mais deles nos campos a jogar que o exército».
Contudo a guerra não correria de feição aos italianos, com dificuldades nas campanhas militares na Albânia e Grécia, mas também na Líbia e na Etiópia, a Itália rapidamente mostrou não estar à altura do conflito e pouco servir de ajuda aos alemães. O governo de Mussolini lentamente caía em descrédito. As derrotas militares e o embargo dos aliados deixaram a economia do país em sérios problemas.

A falta de dinheiro notava-se também no futebol. Novo antecipara a crise, antecipando-se aos rivais nas contratações. Ferraris II veio da Ambrosiana (1), da Fiorentina chegou Romeo Menti, enquanto o trio Alfredo Bodoira, Felice Borel e Guglielmo Gabetto chegou do velho rival, a Juventus

Equipa de sonho conquista a Itália

A equipa composta por "sangue novo" apaixonava os adeptos. A revolução continuava com a adopção do "Sistema" um novo modelo táctico para substituir o famoso "Método" com que Pozzo conquistara os mundiais de 1934 e 1938.

Estes rapazes não ficavam nada a dever às estrelas campeãs do mundo da década anterior. Regularmente jogavam, sete, oito até mesmo nove jogadores do Torino nas partidas internacionais que a Itália começou a disputar no pós-guerra, demonstrando toda a importância do Toro no futebol transalpino.

A equipa do Grande Torino, dominadora do futebol italiano da década de quarenta, tragicamente vitimada no desastre aéreo de Superga. ©Domínio Público


De tal maneira era impressionante a influência da equipa do Torino na Squadra Azzurra, que num amigável com a Hungria, a 11 de maio de 1947, Pozzo fez alinhar dez jogadores do Toro no onze inicial, deixando apenas de fora o guarda-redes, que nesse jogo foi o guardião da Juventus, Sentimenti.

Revolucionários

O Grande Torino, orgulhava os adeptos, fazia tremer os adversários e apaixonava todos que o viam jogar. Inovou taticamente, começando a jogar num atacante 4-2-4, mais de dez anos antes do Brasil no mundial de 1958.

O seu futebol ofensivo e a liberdade de movimentos foram de tal maneira revolucionários, que inspiraram entre outros, o «Futebol Total» holandês dos anos setenta.
 
O onze, que a história imortalizou, e perdeu a vida em Superga era composto por: Valerio Bacigalupo, Aldo Ballarin, Virgilio Maroso, Giuseppe Grezar, Mario Rigamonti, Eusebio Castigliano, Romeo Menti, Ezio Loik, Guglielmo Gabetto, Valentino Mazzola e Franco Ossola. 

Após um jogo entre a Itália e Portugal disputado em Génova, o benfiquista Francisco Ferreira, convidou os jogadores do Torino a deslocarem-se a Lisboa para o seu jogo de despedida. Os diretores do clube primeiro rejeitaram, mas depois aceitaram enfrentar o Benfica, e assim o jogo ficou marcado para 3 de maio de 1947. 
Nesse dia, 40 mil espetadores lotaram o Estádio Nacional no Jamor, e viram o Benfica bater o Torino por 4x3. «Xico» Ferreira despedia-se do futebol, mas o que poucos imaginavam, é que era também este o último jogo de uma equipa sem igual...

O Acidente

O trimotor Fiat G.212, marca I-ELCE, das linhas aéreas italianas, descolou do aeroporto da Portela em Lisboa às 9:40 da manhã do 4 de maio de 1949. Às 13:00 (hora local), o aparelho faz uma escala no aeroporto de Barcelona, para reencher o depósito de combustível. 

Capa do jornal La Domenica Del Corriere, com uma versão ilustrada do sucedido na colina de Superga.
Durante a escala, os jogadores do Torino passeiam pelo terminal do aeroporto, onde encontram os jogadores do Milan, que iriam disputar uma partida em Madrid
 
Às 14:50  I-ELCE descola com destino ao aeroporto de Turim. A rota segue o horário traçado, sobrevoando Nice e aproximando-se da Itália, quando os controladores aéros italianos, informam que o tempo em Turim é péssimo. Às 16:55, a torre de controlo do aeroporto de Turim alerta para as péssimas condições meteorológicas na cidade.
 
Chuva, ventos fortes e um fortíssimo nevoeiro baixo, que torna impossível ver a mais de 40 metros de distância. Após alguns minutos de silêncio, o avião informa que se aproxima de Superga, a colina dominante sobre Turim, onde se encontra a homónima basílica. Eram 16:59.
 
Às 17:03, o avião colide com a basílica e dois minutos depois, a torre de controlo tenta contactar o I-ELCE, mas não obtém nenhuma resposta. Das 31 pessoas a bordo, nenhuma sobreviveu ao embate. 
 
As memórias
 
O choque e a comoção atravessam a Itália. O Torino é proclamado vencedor do Campeonato, e os adversários do Torino formaram onzes formados só com juniores, para defrontar o Torino nas quatro jornadas que faltavam. As exéquias decorreram em Turim, na praça principal, onde mais de um milhão de pessoas seguiram os féretros.

O choque deixou a Itália de tal maneira abalada, que no mundial disputado no Brasil, um ano depois, a seleção italiana viajaria para terras sul-americanas de barco. Uma das melhores equipas da história desaparecia tragicamente e a Itália perdia a possibilidade de se sagrar tricampeã do Mundo. Longa seria a espera que só terminaria com a conquista do mundial de Espanha em 1982.

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(1) O regime obrigara os clubes a abandonar nomes estrangeiros. O Inter tinha sido obrigado pelo regime de Mussolini a mudar de nome para Ambrosiana. 
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