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SertanensePortugal
PortugalBenfica
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PortugalFC Porto
JuventusItália
ItáliaGenoa
Visão de jogo
Pedro Silva
2018/05/14 10:15
E8
Espaço de análise da actualidade desportiva, onde o comportamento, a emoção e a razão têm lugar privilegiado. Uma visão diferente sobre o jogo, para que o jogo seja diferente.

A época do Benfica é um caso de estudo muito interessante, ainda mais porque em diferentes perspetivas podem tirar-se diferentes conclusões sobre os mesmos acontecimentos. Faz-me recordar o filme “Ponto de Mira” em que existe uma tentativa de assassinato e há 8 pessoas, 8 estranhos entre si, que vêm de forma diferente esse mesmo acontecimento. No final, como se fosse um puzzle com todas essas diferentes perspetivas encaixadas, consegue ver-se o todo. É assim a época do Benfica: um acontecimento difícil de compreender e possível de interpretar de diferentes formas, consoante a perspetiva que se tiver.

Atendendo às expectativas iniciais, trata-se de um fracasso. Pode, antes de mais, dizer-se que esta época do Benfica é um equívoco estratégico da Direção de Luís Filipe Vieira, difícil de acreditar, mas fácil de explicar: perante 4 anos seguidos a ganhar de forma clara e evidente mesmo tendo trocado de Treinador, a Direção do Benfica acreditava que, mesmo vendendo jogadores importantes, ia continuar a ganhar através da aplicação da Lei da Inércia. Assim, assumiu-se que o Sporting não seria problema e que o Porto não seria capaz, logo, eram favas contadas porque havia jovens prontos a lançar e segundas linhas para avançar. O futuro encarregou-se de provar que estava errado e que acabava de perder uma oportunidade fantástica. O que LFV não admitiu, e nunca irá admitir, é que sob a sua liderança o Benfica desperdiçou uma oportunidade imperdível de conquistar um feito histórico porque cometeu dois erros em simultâneo: em primeiro lugar o de menosprezar os dois adversários diretos, e em segundo, o de desinvestir desportivamente em detrimento da vertente financeira. Tudo isto, num momento em que havia anos seguidos de resultados financeiros destacáveis, um último ano com vendas recorde e a oportunidade escancarada de fazer história, como uma baliza aberta…

Desportivamente, Rui Vitória começou a época sem alguns dos jogadores mais importantes e com reforços escassos, ganhando uma Supertaça e reforçando a candidatura ao Penta. Contudo, não aconteceria assim.

Voltemos ao filme – há um ponto de vista no qual Rui Vitória tem razões de queixa, perdeu meia equipa… sofreu pelas decisões da Direção que vê nele um Treinador de longo prazo, mas a quem não deu os reforços que merecia, forçando a promoção de jogadores da formação como novo caminho para o título.

Nesta perspetiva, vítima. Quem faria melhor?

Por outro lado, quem viu jogar o Benfica no final da época passada e durante largos períodos desta, pode ter visto um filme diferente. Os acontecimentos são os mesmos, a perspetiva é que é diferente.  

O papel de Rui Vitória neste Benfica é já o da continuidade. Enquanto Treinador, compete-lhe através da sua liderança regenerar as dinâmicas da equipa, os papéis dos seus elementos, renovando as suas dinâmicas e alimentando a equipa com novos desafios.

Escrevi sobre este processo, de Rui Vitória e da sua equipa, em Outubro, neste artigo Benfica: organismo vivo em mudança em que recordava uma frase do Treinador na pré-época:

“Uma das coisas que, se calhar, levamos de avanço em relação à maioria das equipas, e que já há muito tempo que eu falo nisto, é que antecipamos muito os cenários.”

Na teoria, importante, mas na prática, não se verificou e era fácil de constatar, uma vez que já no final de 2016-2017 bastava ver a equipa jogar e analisar os seus processos, colocar em equação a qualidade dos jogadores disponíveis e o vigor da dinâmica, para perceber que, ganhando demasiadas vezes em esforço, desbloqueando demasiadas vezes com base em fogachos individuas, o pior estaria para vir. Naturalmente, saídos alguns dos melhores intérpretes, era difícil manter a pouca dinâmica e havia menor possibilidade de inspirações individuais. O Benfica precisava de mudar e Rui Vitória ora não via ora não queria ver: era demasiado evidente, mas o Treinador estava em negação, que é curiosamente, muitas vezes, a primeira etapa de um processo de mudança.

Não era uma crise, mas sim uma fase, não era Varela, mas sim Svilar, não era em Portugal, era na Champions, não era em 4-4-2 era em 4-3-3. Rui Vitória “fugia como podia” e dava sinais de estar a perder mais do que jogos: estava a perder a paciência.

Se das exibições se pode fugir enquanto há resultados, não havendo exibição nem resultado, é difícil fugir. Tendo perdido no Bessa e empatado no Marítimo, depois de ter ganho alguns jogos de forma sofrível, Rui Vitória teve de mudar e mudou bem, soube reinventar a disposição tática da equipa e criar uma dinâmica ligeiramente diferente, da qual beneficiou a preponderância de Jonas e a sua qualidade. Rui Vitória tinha mudado o Benfica e este recuperava, mesmo tendo sido inferior na deslocação ao Dragão e quase ter perdido em casa com o Sporting, mas estava no caminho da retoma. Foi por isso que nos 13 jogos seguintes o Benfica venceu 12 e empatou no Restelo. O impensável uns meses antes, era agora um facto consumado: beneficiando da perda de pontos dos rivais, chegava à receção ao FC Porto na liderança da Liga, com um ponto de vantagem sobre os azuis e a poder aumentar a vantagem.

Contudo, mais uma vez, Rui Vitória ou não via os sinais ou não queria ver: as últimas exibições do Benfica eram fracas, a piorar, e já não havia Jonas. Assobiando para o lado, chega ao clássico - que em caso de vitória o podia lançar para a conquista do campeonato com 5 pontos de vantagem sobre o FC Porto e 6 sobre o Sporting. Apesar de uma primeira parte de superioridade, eis que o Benfica e o seu Treinador parecem meter marcha-atrás a todos os níveis, do posicionamento às substituições, perdendo o jogo com o golo de Herrera. Das duas uma: Rui Vitória ou jogou para o empate e se contentava com isso, ou sabia que a equipa estava presa por fios, sem Jonas, sem dinâmica e sem capacidade para ser superior em todo o jogo e não quis arriscar nem um milímetro. É difícil encontrar outra explicação…

Neste jogo, Rui Vitória perdeu em toda a linha, deu um tiro num pé porque mostrou que não quis ganhar o jogo, deu um tiro no outro porque o perdeu. Por isso, apesar de tudo e ainda na ressaca, vence mais uma vez em esforço final o último classificado Estoril, ao qual se segue a derrota caseira com o Tondela, deixando a nu o monte de fragilidades em que o Benfica viveu ao longo da época e o que Rui Vitória não foi capaz de construir – uma equipa com uma dinâmica coletiva, forte e regular, capaz de ser campeã.

No fim, o melhor e o pior: se é verdade que o Benfica aparece em Alvalade, aí sim, a querer ganhar o jogo -  e a verdade é que mesmo assim não o conseguiu e passou para o 3º lugar – a frustração no final revelou também um Rui Vitória sem rumo no discurso, incoerente nas palavras, responsabilizando a arbitragem, desconfortável com o insucesso, dizendo que não desce o nível ao mesmo tempo que o faz, e vulgarizando-se, como aconteceu à equipa ao longo da época. Na última jornada conseguiu dar continuidade ao que restava de alma na equipa para vencer o Moreirense da forma que caracteriza a época: à justa, sofrível, sem brilho. E ainda assim, comparativamente com o que o rival havia feito na jornada anterior e fazia em simultâneo na Madeira, se apurou para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

De novo o filme, numa outra perspetiva: a de que é Rui Vitória quem tem a responsabilidade pela irregularidade dos desempenhos da equipa por ter demorado a perceber o que estava errado, que geriu mal as trocas de guarda-redes, que alimentou a dependência de Jonas e das aparições de Jimenez, que teve medo de jogar para ganhar em casa, com o FC Porto, e que só no fim da linha, perante o desespero de ter de ganhar em Alvalade, arrepiou caminho com o que podia. Terminada a época, fica uma prestação vergonhosa na Champions, eliminado precocemente da Taça de Portugal, banalizado na Taça da Liga, contentando-se com o 2º lugar no Campeonato e uma Supertaça perante uma das equipas desilusão da época.

Nesta perspetiva, culpado. Podia e devia ter feito melhor. Muito melhor!

No fim, cada um saberá tirar as suas conclusões, pelo filme que viu, na perspetiva de onde está. A Direção e LFV farão as suas reflexões, assim como o próprio. No fundo, cada um viu o seu filme, cada um tem a sua perspetiva.

O cinema só trata daquilo que existe, não daquilo que poderia existir. Mesmo quando mostra fantasia, o cinema agarra-se a coisas concretas. O realizador não é criador, é criatura.” Manuel de Oliveira, realizador.

Comparando os resultados consumados com os que se esperavam, que sentimentos ficam nos jogadores, no Treinador e na Direção? Quando esperavam a fantasia de um Penta, o que tiveram, concretamente?

Quem foi, afinal, o realizador da época do Benfica? E Rui Vitória, é criador ou criatura?... vítima ou culpado?



Comentários (8)
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motivo:
O RV não quiz ganhar no luz vs Porto?
2018-05-25 14h28m por TreinadoresDaWebLOL
vocês só podem estar Tarantinis. . . o rui vitoria meteu o benfica em 4-4-2 na segunda parte e perdemos e fomos sufocados na segunda parte pq nao tinhamos bola (perdemos o meio campo). . . ele quis ganhar e saiu lhe o tiro pela colatra. . . : "Rui Vitória ou jogou para o empate " . . .
Joao20
2018-05-25 13h05m por Ultras-__FCP
Dizeres que o jogo no Dragão é equilibrado quando vocês só entram bem os primeiros 15 minutos é no mínimo cómico, aliás, esse jogo foi cómico por muitos motivos, assim como dizeres o mesmo da Luz porque vocês estiveram melhor na primeira parte, mas uma coisa é estar melhor como vocês estiveram nos primeiros 45 minutos, outra é serem completamente encostados às cordas e nem um remate à baliza fazerem como aconteceu na segunda parte.
JO
Caro Pedro Silva
2018-05-16 11h36m por Joao20
"mesmo tendo sido inferior na deslocação ao Dragão e quase ter perdido em casa com o Sporting" Não devemos ter visto os mesmos jogos então. Com o FCP, ambos os jogos foram equilibrados, com partes em que cada equipa dominou. Já com o SCP, ambos os jogos foram dominados pelo Benfica. Basta consultar as estatísticas e a quantidade de lances na área do Sporting.

"eis que o Benfica e o seu Treinador parecem meter marcha-atrás a todos os níveis, do posicionamento às substituiçõ...ler comentário completo »
toysrus
2018-05-14 14h55m por apaixonadopelabola
a verdade doi.
Que pergunta tão parva. . .
2018-05-14 14h50m por toysrus
"Quem foi, afinal, o realizador da época do Benfica? E Rui Vitória, é criador ou criatura?. . . vítima ou culpado?"

Vais fazer o mesmo com JJ? A pergunta é Culpado? Culpado? ou Culpado? Tens um leque de asneiras em que te podes basear. . .

Que pachorra aturar antis. . . Irra!
não tem o boneco!?
2018-05-14 12h28m por JAOF
se tivesse a opção boneco, escolhia essa!
RR
Vitima e culpado
2018-05-14 12h15m por rravv
Sou portista, portanto vi o campeonato com os meus óculos azuis. Portanto posso dizer que RV é um treinador banal, e que se este ano o Porto não fosse prejudicado era campeão mais cedo, se o Benfica não fosse beneficiado ainda o era mais cedo. Este campeonato seria seguramente para 20 pontos de avanço, tipo Vilas-Boas. No entanto como também vi muito campeonato sem os meus óculos azuis posso dizer que RV foi vitima mas muito porque quis. Dizer sempre amén ao presidente à vezes é mau. Nã...ler comentário completo »
HA
rui vitória
2018-05-14 10h37m por Halibut
Sou portista e acho 1 treinador com pontos fortes e negativos, fortes no sentido de saber potenciar jovens jogadores lançá-los, consegue mudar a forma de jogar da equipa, pontos negativos a forma de comunicar, muito para o seu "eu" e contra porto ou sporting amedronta-se muito. . .

Esta época o benfica tinha tudo para fazer o penta, vendeu bem eram tetra, moral em alta, mas quiseram abater as dividas que tem pensando que mesmo assim seriam campeões. . . quer-se dizer, pe...ler comentário completo »
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