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A preto e branco
Luís Cirilo Carvalho
2017/09/18 12:31
E7
"A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

Não há no futebol lugar mais ingrato que o de guarda-redes.

Tão ingrato é que no Brasil, onde ser guarda-redes é quase “castigo”, se costuma dizer que guarda-redes é lugar tão ruim que onde ele joga nem nasce relva!

A verdade é que jogar à baliza pressupõe qualidades e a aptidões muito diferentes das que são necessárias para jogar noutras posições, desde logo porque os jogadores de campo jogam essencialmente com os pés, enquanto os que vão para a baliza jogam quase sempre com as mãos, o que torna o guarda-redes num corpo quase estranho numa equipa de futebol.

Estranho mas decisivo.

Porque, enquanto os jogadores de campo tem o “direito” de falharem, sem que desses falhanços resultem situações comprometedoras em muito dos casos, já quando o guarda-redes falha o mais certo é a equipa ser penalizada com um golo.

E por isso, desde os grandes mestres aos treinadores recentemente diplomados (já no que toca a dirigentes o panorama é por vezes bastante diferente), todos sabem que uma boa equipa se constrói de trás para a frente e nessa construção o guarda-redes tem um papel absolutamente decisivo.

Não é em vão que se diz que os ataques ganham jogos mas as defesas (incluindo os guarda redes como é óbvio) ganham campeonatos, pelo que ter um grande guarda-redes equivale a ganhar desde logo alguns pontos.

E por isso, ao longo dos anos, nomeadamente nas últimas décadas, o treino dos guarda-redes, que dantes se processava sem grandes diferenças em relação ao dos restantes jogadores, passou a adquirir características extremamente especificas, surgindo técnicos especializados no seu treino e autonomizando cada vez mais os guarda-redes dos outros colegas de equipa.

Bastará atentar, e eu gosto bem de o fazer, na forma como jogadores de campo e guarda-redes fazem o aquecimento antes dos jogos para perceber que há todo um mundo de diferenças entre eles, ao ponto de alguns guarda-redes trabalharem mais no aquecimento do que no próprio jogo que se lhe segue.

Não admira por isso que nos clubes onde se sabe que a diferença está nos detalhes e se valoriza devidamente a competência provada e comprovada, se dê hoje uma particular atenção à contratação dos treinadores de guarda-redes, porque do seu trabalho podem resultar os tais pontos que no fim das provas fazem a diferença.

Sendo igualmente certo que, por maior que seja a sua competência, não fazem milagres como o de transformarem guarda-redes “apenas” bons nos tais guarda-redes de topo que podem dar muitos pontos, títulos e troféus.

Atente-se, a título de exemplo, no que se passa nos três candidatos ao título.

Enquanto o Sporting tem na baliza um dos melhores guarda-redes do mundo e titular indiscutível da selecção campeã europeia e o FC Porto tem como número um uma autêntica lenda do futebol que é um dos melhores guarda-redes de todos os tempos, o Benfica vendeu o excelente Ederson, manteve um Júlio César em fim de carreira e muitas vezes lesionado, o que levou Rui Vitória a ver-se obrigado a dar a titularidade a um jovem Bruno Varela que sendo um bom guarda-redes está muito longe de se poder comparar aos que defendem as balizas dos principais rivais.

E é um caso paradigmático de um clube que, tendo um dos melhores treinadores de guarda-redes do futebol europeu, Luís Esteves, não lhe pode pedir o milagre de transformar Bruno Varela num Iker Casillas ou num Rui Patrício porque isso não está ao alcance dele nem de ninguém.

É simplesmente impossível.

E isso, mais a opção errada dos dirigentes em não contratarem um guarda-redes ao nível do transferido Ederson, vai custar os tais pontos que no apuramento final do campeonato podem fazer diferença.

Muita diferença diria.

Tenho muito apreço pelos guarda-redes.

Posição solitária, que requer qualidades muito específicas das quais a coragem não é a menor, facilmente responsabilizados pelas derrotas mas mais raramente apreciados na hora dos triunfos, são ainda assim um espectáculo dentro do espectáculo e proporcionam ao futebol alguns dos seus momentos mais sensacionais.

Já vi jogar tantos guarda-redes de elevado nível que me é impossível dizer com justiça quais os melhores porque correria sempre o risco de me esquecer de algum.

Ainda assim se tivesse de escolher dez seriam estes:

Michel Preud’Homme, Peter Schmeichel, Manuel Neuer, Rinat Dasaev, Gianluigi Buffon, Iker Casillas, Lev Yashin, Vitor Baía, Sepp Maier e Edwin Van der Sar sem que a ordem tenha qualquer significado.

Opções de quem aprecia, desde sempre, a forma de jogar dos “donos” das balizas.



Comentários (7)
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Motivo:
ne
Iker Casillas
2017-09-19 23h40m por nextstep
Costuma-se dizer que as opiniões são como certas características anatómicas: cada qual tem a sua. Nada mais acertado. Mas há que desconfiar daqueles comentadores que seleccionam os jogos que vêem ou em alternativa, aqueles que criticam. Atendendo à linha seguida, eu desconfiaria que este Exmo. Sr. opta por criticar porque não gosta de certo clube e não porque só vê alguns jogos. E digo isto porque o artigo sobre o VAR, que antecedeu este, ia no mesmo sentido. Se fosse por falta de tem...ler comentário completo »
vi
Meia época sentado. . .
2017-09-19 10h28m por vitorbernardes
Caro Luís Cirilo, o artigo está muito claro e sucinto.
Na minha opinião o Benfica não trabalhou bem o aspeto do guarda redes, uma vez que, não foi ao mercado buscar um com maturidade e experiência suficiente para substituir o Ederson.
O Varela sabe ( se leu os jornais de pré-época) que só está a defender porque o seu clube não tem, neste momento, outra alternativa e que à primeira oportunidade o treinador remete-o para o banco. Esse aspeto fragiliza-o e retira a confiança q...ler comentário completo »
Tr
Excelente artigo
2017-09-18 18h05m por Triper
e cada vez gosto mais de ler material publicado pelo Luís Cirilo Carvalho.

A meu ver o mau nisto é que mesmo nas crianças nota-se bem o problema da baliza e o bolo estragado e formato para funcionar com a ideia de que o guarda-redes não presta:
- o gordo vai à baliza
- o pior jogador fica na baliza
- o tipo que é guarda-redes não presta mas lá tem de jogar para haver equipas iguais
e depois quando ele defende, é o herói depois de minutos a fio a insul...ler comentário completo »
an
Luís Cirilo de Carvalho
2017-09-18 16h24m por antoniocarvalho
Realmente a posição de cronista é bastante ingrata, porque mesmo quando é mais ligeiro nas indirectas aos grandes, acaba por ser criticado de qualquer maneira pelos fanboys. Eu gostei de ler, foi pragmático, resta apenas confirmar se realmente tem razão quando diz "impossível".
ma
Varela
2017-09-18 16h18m por manuelamaro
Sem ser tão descarado como foi o segundo golo do Besiktas no dragão, se ele não tinha manteiga nas mãos tinha algo muito parecido.
Do
O Varela, está muito bem no 11. . .
2017-09-18 16h10m por DocSkills
Frangos são normais de quando em vez. . . !!!!

Posição ingrata é a de jornalista / comentadores, que não de maldizeres. . .
Gl
Varela
2017-09-18 16h04m por Glorious_Level
Esão fartos de dizer ao Varela para tirar as luvas quando come torradas por causa da manteiga. . . . o rapaz não ouve. . .
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