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Visão de jogo
Pedro Silva
2017/09/12 13:42
E2
Espaço de análise da actualidade desportiva, onde o comportamento, a emoção e a razão têm lugar privilegiado. Uma visão diferente sobre o jogo, para que o jogo seja diferente.

Não, este artigo não é sobre aqueles que carregam nas costas o fardo de todas as semanas serem apelidados de ladrões, muito menos com uma particularização para encontrar, entre eles, aquele que pudesse ser identificado como “o maior”.

Se está à espera do encontrar nas próximas linhas uma acusação, direta ou indireta, a árbitros e vídeo-árbitros, está no texto errado.

Se procura um nome para o malfeitor que tanto prejudica o seu clube, pode fechar a página.

Este espaço de opinião é sofre futebol, a minha visão do jogo de futebol. É por isso que se chama “Visão de Jogo” e não “Arbitragem de 2ª feira”, “Qual dos três grandes é mais prejudicado” ou “Está tudo contra nós”.

No futebol que é realmente futebol, a jornada começou na 6ª feira. Na antevisão do Feirense x Sporting, Nuno Manta dizia: “Tenho muito respeito por Jorge Jesus, é um grande treinador, dos melhores portugueses. Aprendi muito a ver Jorge Jesus, a ver jogos das suas equipas.

Algo que não é novo, como se sabe. Em relação a Jorge Jesus, por exemplo, Paulo Fonseca já havia dito o mesmo, mas devido à experiência de ter sido seu jogador: “Jesus foi fundamental na minha carreira”.

Nesta linha, e para não sobrecarregar o treinador do Sporting, recorro ao exemplo de Vasco Seabra que já falou também sobre… Paulo Fonseca, e qual a sua importância que teve no treinador que é hoje: Paulo Fonseca é a minha maior referência.”

De Jorge Jesus a Nuno Manta ou de Paulo Fonseca a Vasco Seabra: pode não ser linear o que de uns há nos outros, mas algo está lá, como os próprios admitem.

No caminho que se faz caminhando, há um ciclo de inspiração e modelagem, seja no papel de jogadores, adjuntos, estudantes ou meros observadores, com as suas referências. Nos casos referidos, uma questão de identificação com formas de treinar, de jogar, de liderar. Nestes ou noutros casos, há também lições de como não o fazer. Com todos se aprende.

Com isto, recordei-me de Fabio Capello, um grandíssimo treinador, experiente e titulado, contundente na forma de ver o jogo e no relacionamento com todos à sua volta. Doze anos depois, recordo uma entrevista à extinta revista “Record DEZ”, de 26 de março de 2005, onde refere sobre este tema:

DEZ – Prefere perder seguindo as suas ideias ou ganhar com as ideias dos outros?

FABIO CAPELO – Creio que é difícil ganhar com as ideias dos outros. Nesse caso é-se uma marioneta. Mas perder com as minhas ideias também não me agrada.

DEZ – Quer dizer que nunca roubou ideias a outros treinadores?

FABIO CAPELO – Claro que sim. Roubamos sempre. Estamos num mundo de ladrões. Creio mesmo que o melhor treinador é o maior dos ladrões. Porque se esforça sempre por aumentar a soma dos seus conhecimentos. Quando vejo jogos ou treinos, procuro sempre roubar qualquer coisa. Se renunciamos a isso, fossilizamos (…).

DEZ – Começou a roubar cedo?

FABIO CAPELO – Quando era jogador, aprendi e roubei coisas a todos os meus treinadores. Roubei a Helenio Herrera a ideia de que é necessário treinar com muita intensidade, a Niels Liedholm o princípio segundo o qual nunca se sabe tudo sobre técnica. E roubei outras coisas a Cestmir Vicpalek, aqui, na Juventus. Mas nunca acredito nos que dizem: “O meu mestre era fulano ou sicrano.” Funcionar assim é reduzir as possibilidades de se ser a si próprio.

-

Ser-se a si próprio, roubando ideias dos outros. É este o trabalho de construção de um treinador: observar, identificar ideias, integra-las na construção do seu próprio modelo de jogo e de equipa, aprender a treina-las e a torna-las eficazes.

Como refere o treinador italiano, não basta pegar nas ideias dos outros, “ser marioneta. Não pode também confundir-se o facto de um treinador aprender com outro, com o rótulo colado de “novo-Mourinho” ou de “Guardiola-lá-do-sítio”. Esse é o perigo que muitos enfrentam: o de se perderem entre os piores ao tentarem, simplesmente, copiar os melhores.Não se trata de um exercício de “cortar e colar” mas sim de um processo de aprendizagem e de reinvenção do que se viu.

Da estética de Cruyff ao treino de José Mourinho, da Liderança de Alex Ferguson ao tiki-taka de Guardiola: o que é bom vai ser roubado e transformado por novos treinadores para incorporarem nas suas próprias abordagens. É assim que surgem novos líderes, novas estruturas táticas, novas formas de jogar.

Qual é a importância deste roubo, deste ciclo de inspiração e aprendizagem? É o de marcar a evolução do jogo, a nível micro (por exemplo o papel de Jorge Jesus no futebol em Portugal) ou a nível global (por exemplo o papel de Cruyff no futebol europeu), num ciclo renovável e que se alimenta a si mesmo, com dois eixos:

- o primeiro é a capacidade dos treinadores inovarem na forma como desejam que jogue a sua equipa, vendo à frente do seu tempo, e como a preparam nesse sentido, fruto das novas perspetivas que têm sobre o treino e o jogo;

- o segundo é a capacidade técnica e a interpretação tática dos jogadores que concretizam o ponto anterior, elevando a fasquia das suas equipas e seleções, melhorando o nível competitivo dos campeonatos, conquistando títulos, marcando eras.

No futuro, muitos dos que jogam, assistem ou estudam, irão renovar o jogo com base no que agora aprendem, tornando-se treinadores, ídolos e referências.

É assim que o futebol evolui, de roubo em roubo.

O melhor treinador é o maior dos ladrões.



Comentários (2)
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Motivo:
vi
Ladrão de minutos
2017-09-14 10h30m por vitorbernardes
Excelente artigo!
Todos os treinadores acabam por "beber" uns dos outros, embora alguns não o admitam, e carregam com eles ensinamentos de treinadores passados, enquanto jogadores ou adjuntos.
Vale a pena "roubar" uns minutinhos para ler este artigo de opinião.
se
Muito interessante
2017-09-12 17h05m por seixas123
Renúncia à lavagem cerebral da segunda-feira à noite e reflexão interessante da evolução da figura do treinador, sempre influenciado pelas figuras que o antecederam. E um excerto delicioso da entrevista do Capello. Parabéns!
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