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Viso de jogo
Pedro Silva
2017/07/16 18:56
E2
Espao de anlise da actualidade desportiva, onde o comportamento, a emoo e a razo tm lugar privilegiado. Uma viso diferente sobre o jogo, para que o jogo seja diferente.

 Começaram os trabalhos de preparação de todas as equipas e a nova época já dá os primeiros passos. Recomeçaram os treinos, os estágios, os jogos de preparação e a natural agitação em torno do mercado de transferências: os jogadores que já foram contratados, os que podem vir a ser, a expectativa que isso traz consigo.

De uma forma mais ou menos transversal, há a necessidade de apontar a dois objetivos: primeiro, construir uma equipa competitiva e capaz de atingir resultados; segundo, gerar valor comercial nos seus ativos para, através da sua venda, garantir a liquidez das finanças do clube. Priorizados nesta ordem ou na inversa, seria também interessante analisar…

No que diz respeito à construção da equipa, esta é uma fase muito importante. Diria até, a mais importante e simultaneamente para quem lidera, a mais difícil de gerir. Todos os dias há que “olhar” para o grupo que se tem e fazer contas, porque este pode ser muito diferente de manhã, antes de mais um treino, do que será à noite, depois de mais uns negócios.

A chegada dos reforços a conta-gotas, por um lado facilita o acolhimento individual, porque há uma maior disponibilidade para tratar cada caso no seu tempo, mas por outro, atrasa o processo de consolidação da coesão da equipa, uma vez que o grupo parece nunca estar fechado. Simultaneamente, há sempre a possibilidade de alguém sair para proporcionar um bom negócio para todas as partes. Vida difícil para quem quer consolidar uma equipa!

A propósito disto, Patrick Lencioni, escritor e consultor norte-americano especialista na área da gestão de equipas e liderança, apresenta no seu livro “The Five Dysfunctions of a Team” aqueles que considera serem os maiores problemas na criação, desenvolvimento e manutenção de uma equipa:

Ausência de confiança – quão maior for o número de novos jogadores, menor é a confiança existente no seio da equipa. Por isto, é importante que as equipas sejam renovadas cíclica e lentamente, não através de grandes revoluções. Confiar significa reconhecer nos colegas a competência e o carácter necessários para o trabalho conjunto, o que leva tempo a construir, mas rapidamente pode ir por água abaixo, além de que se pode fomentar nos momentos bons, mas só verdadeiramente se percebe se existe ou não nos momentos mais difíceis.

Medo do conflito – resulta da dificuldade em compreender e respeitar as diferenças, o que faz com que se formem crenças que prejudicam a forma como os jogadores dentro da mesma equipa se olham entre si. Desta forma, condiciona-se a abertura aos outros e a comunicação, criam-se resistências. As diferenças passam a ser vistas como definitivas e não como flexíveis. Os conflitos passam a ser evitados porque são vistos como barreiras e não como oportunidades de esclarecimento, de renovação ou de crescimento, tornando-se preferível “varrer o lixo para baixo do tapete”, escondendo os problemas numa “paz podre” que não leva a lado nenhum.

Falta de compromisso – decorre da conciliação entre os objetivos individuais e os coletivos, que devem estar alinhados e ser compatíveis, mas nem sempre são mensuráveis em proporção. Quando tudo corre mal na equipa, cada um quer safar-se e salvar a sua pele. Quando tudo corre bem, cada um quer sair o melhor possível na fotografia e assegurar o seu futuro. Ou seja, há uma tentação para que os jogadores pensem mais em si do que na equipa, o que torna difícil comprometerem-se com o coletivo. Como diz o Psicólogo Desportivo Prof. Dr. Jorge Sequeira, “é como no pequeno-almoço continental: há ovos mexidos e há bacon. As galinhas põem os ovos, fazem o seu trabalho e vão à sua vida, tranquilas. Representam os jogadores que estão apenas envolvidos. Contudo, há também os porcos, que para haver bacon… pois é, esses sim, esses são os verdadeiramente comprometidos!”

Evitar avaliações – A disponibilidade para ouvir e dar feedback, positivo e negativo, de forma clara, assertiva e olhos nos olhos, é algo que não faz parte da cultura futebolística tal como a conhecemos. São raros e exigentes estes momentos, preferindo-se apenas a estatística per si e a casualidade de umas frases feitas. Noutras realidades desportivas e geográficas, por exemplo os All Blacks – equipa de Rugby da Nova Zelândia, fazem-se avaliações de desempenho após todos os jogos, porque só assim podem dizer, uns aos outros e com a equipa técnica, que comportamentos foram decisivos para aquele resultado e como os podem manter/corrigir no futuro. Um mundo à parte com o qual podemos aprender muito.

Ignorar os resultados – com a predominância que os resultados têm face à impaciência dirigista, semanalmente a vitória é a orientação máxima. Como dizia Rui Vitória no final da época passada “os pontos estão caros”. Conseguindo-se pontos e ganhando, a análise mais fácil é a de pensar que está tudo bem. É mais comum do que desejável a visão à luz do radicalismo resultadista: quando se ganha está tudo bem, quando se perde está tudo mal. O desafio aqui é ser capaz de perceber, após as derrotas, o que está bem ou no caminho certo, e após as vitórias, o que deve ser revisto ou melhorado. Ignorar estes sintomas, no longo prazo, dará mau… resultado.

Não há equipas perfeitas mas acredito que todos os treinadores querem o melhor para si e para os seus clubes. Os constrangimentos são muitos, alguns deles fora dos seus domínios de atuação, mas é possível dar passos em frente na valorização destes cinco desafios pelos quais, agora ou mais tarde, a maioria das equipas irá passar.

Antecipar estes problemas, alertar e criar condições para que seja diferente, faz parte da responsabilidade de quem lidera uma equipa: conjunto de elementos com objetivos comuns, que funcionam numa interdependência assente na confiança, no respeito, no compromisso individual e coletivo, presentes na vitória e na derrota, até que uma nova época os separe.  



Comentrios (2)
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Motivo:
ti
Pedro Silva
2017-07-19 15h28m por tink
gosto de ver levantar questes e tocar em pontos interessantes, abrindo espao reflexo, como faz nos seus textos. Desde j os meus parabns por querer fazer a diferena. Mas acho que podia ir um pouco mais longe nas reflexes finais, fica a dica para os prximos textos.
Co
Parabns
2017-07-19 00h02m por CostaTripeiro
Artigo muito interessante. Parabns.
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