Vénia ao 3º Anel
Filipe Inglês
2019/02/17 10:16
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"Vénia ao 3° Anel" é a visão de um Benfiquista profundamente apaixonado pelo ideal do seu clube, mas por isso exigente e racional com quem momentaneamente o representa. A águia tem sempre que voar alto

No espaço de pouco mais de um mês, o Benfica venceu 9 jogos em 10, marcou 32 golos, foi a Guimarães vencer duas vezes, derrotou Sporting em casa e fora com um score de 6-3, goleou o Nacional por 10-0 e foi à Turquia vencer o Galatasaray com 6 jovens na formação. Que raio está a acontecer ao Benfica?

É importante recordar que, à entrada para 2019, o Glorioso era um clube em crise, enfiado no 4º lugar a 7 pontos do 1º classificado, já com 3 derrotas no Campeonato e numa crise de exibições, para além dos resultados. Não convencia ninguém, muito menos os seus próprios adeptos, que já iam para o estádio resignados e de lenço branco no bolso. Até que, numa manhã de nevoeiro (já não me lembro se estava, mas para efeitos dramáticos, vamos fingir que sim), apareceu Bruno Lage, qual D. Sebastião, para virar tudo do avesso. Como explicar esta transformação?

É cada vez mais óbvio que o ciclo de Rui Vitória estava mais que esgotado. Aos méritos que teve nos dois primeiros anos em manter um ciclo vitorioso, seguiu-se um ano e meio em que, após mais uma razia "Vieirista" no plantel, mostrou-se incapaz de construir algo novo com sucesso. Sofremos nós, adeptos, com um ciclo excessivamente prolongado, e não tenho dúvida que também os jogadores estavam fartos daquela liderança. Até que, após o debacle de Portimão, aparece-lhes à frente um treinador jovem, com ideias novas, que lhes fala em processo, treino e necessidade de reconquistar os adeptos. Que rapidamente mudou a forma de jogar em campo e acertou na titularidade de alguns elementos, como Gabriel, João Félix, Seferovic e até na colocação de Pizzi à direita.

É curioso recordar que, no primeiro jogo de Lage, o Benfica perdia 0-2 em casa aos 20 minutos. Mas a intensa reviravolta foi o primeiro sinal da recuperação da equipa. Seguiram-se vitórias seguras sobre Santa Clara e Vitória de Guimarães (a dobrar), até à primeira derrota com o FCPorto para a Taça da Liga. Mas com uma exibição aceitável e num jogo que teve clara influência da arbitragem. Só depois desse jogo, Lage teve mais que três dias para treinar. E a evolução que se viu na equipa tem que ser mérito desse trabalho: 5 golos ao Boavista, 6 ao Sporting em 2 jogos, 10 ao Nacional e esta última vitória no campo do Galatasaray com elevada rotação da equipa. Estamos num ponto em que parece que voltámos ao "Não há Matic, joga o Manel" dos tempos de Jorge Jesus. Jogue quem jogar, sabe o que fazer em campo. Até os jovens do Seixal assim aparecem, no que é um crédito à preparação e formação que recebem. Longe vão os tempos de míudos a entrar em campo nervosos e a sentir negativamente o peso da camisola.

Todo o adepto do Benfica acredita neste momento em Bruno Lage e na conquista do 37º título (e quem sabe algo mais), mas é importante manter os pés no chão e perceber que há muito trabalho pela frente. O FCPorto continua na liderança do campeonato, o apuramento para a Taça de Portugal terá que ser jogado em Alvalade e a Liga Europa será sempre um sonho muito difícil de alcançar. Ao mesmo tempo, a equipa continua com algumas limitações defensivas e com um calcanhar de Aquiles: se Seferovic se lesionar, será um cabo dos trabalhos arranjar alternativa ao Suíço (principalmente se as limitações físicas de Jonas continuarem).

Tal como num casal de namorados a celebrar o seu primeiro dia de São Valentim, a relação entre Bruno Lage e os Benfiquistas é apaixonada e intensa. Falta perceber se é duradoura ou ilusória, mas os sinais são de que acertamos em cheio no novo timoneiro. Que é como quem diz: admito que entrei a bordo do comboio Lage a todo o vapor e ou vai ser uma viagem fantástica ou um choque tremendo.



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