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O meu mundo aos quadrados
José Pedro Pais
2018/12/05 23:32
E8
"O meu mundo aos quadrados” é uma coluna de opinião que pretende fugir ao império comunicacional dos três grandes, sob a perspetiva de um adepto do futebol pela positiva, profissional e transparente, que por acaso é boavisteiro.

O mais antigo dérbi do país, o “dérbi da Invicta”, repetiu-se pela 134ª vez no domingo e a sua história serve de pretexto à presente reflexão.

Enquadramento e pré-jogo

Comecemos pelo início.

O jogo entre Boavista e Porto é o jogo mais antigo em Portugal. Os resultados destes dérbis oscilaram ao longo do tempo, sempre com maior preponderância para os portistas, consoante a situação desportiva do Boavista. Naturalmente que o tempo em que houve uma maior aproximação entre as duas equipas coincidiu com a década de 90 e inícios de 2000, especialmente no Bessa.

Após o regresso do Boavista à primeira divisão, o Porto era continuamente feliz no Bessa e registava por vitórias todos os jogos, sem sequer sofrer um golo (curiosamente, o único ponto que o Boavista alcançou foi precisamente no primeiro jogo após o seu regresso, no Estádio do Dragão).

No fim de semana passado, as estatísticas davam uma vitória certa do FC Porto no Bessa. As casas de apostas corroboravam.

Talvez por isso, ou apenas pela forma como a maioria do jornalismo desportivo se apresenta em Portugal (com a justa ressalva do zerozero), na conferência de imprensa de antevisão do jogo entre Boavista e Porto, Sérgio Conceição não falou sobre o Boavista.  Repetiu a nota genérica que serve para todos os jogos: “é um jogo que se antevê difícil” (haverá algum treinador que diga que não vai ter um jogo difícil?) e, logo de seguida, foi bombardeado com perguntas sobre Bruno de Carvalho, Rui Vitória, Aboubakar, etc. Tudo menos o Boavista.

É claro que isto é culpa dos jornalistas presentes, que não se preocuparam minimamente com o jogo, e culpa do próprio, que não soube trazer a conferência ao tema principal: o adversário.

A verdade é que quem assistisse à conferência de imprensa e não soubesse contra quem iria jogar o Porto, não saberia qual a equipa adversária, mesmo após uma sessão de 20 minutos de «jornalismo» (!).

E aqui começa o princípio da minha reflexão sobre o jogo e sobre a atitude com que o Porto encarou o adversário, com que entrou em campo, e que quase lhe custou um surpreendente empate.

O Porto foi ao Bessa a pensar que o jogo já estava ganho, mas não estava.

O jogo em si – a beleza de um jogo duro

O jogo em si foi um espetáculo.  Um espetáculo diferente daqueles a que estamos habituados a apreciar no futebol, sem o tiki-taka ou grandes recortes técnicos, sem basculações nem flutuações, mas sim um jogo bruto, tosco e rude.  

Para os verdadeiros apreciadores da essência do futebol, este jogo foi um «pitéu». Para os novos especialistas académicos do futebol, talvez não. Um jogo com uma enorme intensidade, agressividade e entrega de ambas as partes, desde o primeiro até ao fatídico último minuto.

Sobre o resultado final do jogo já todos saberão e poderei, convenientemente, saltar à frente.

Pós-jogo

Após o final do jogo, foi com surpresa que vi uma alteração comportamental na maioria dos meus amigos, adeptos portistas. Aqueles que, na sua maioria, diziam nutrir alguma simpatia e proximidade pelo outro clube da cidade rapidamente viraram o discurso, apelidando-nos de «caceteiros», «remendados» e «lampiões». De repente, em apenas 90+5 minutos, passaram odiar o Boavista.

Ora, a estranheza desta alteração levou-me a concluir que a simpatia que nutriam pelo Boavista estava diretamente associada à expectável facilidade dos confrontos futuros.

Se assim é, ainda bem que já não gostam de nós outra vez, é sinal que damos luta. Tão simples como isto.

Um argumento que também vi circular pelas redes sociais foi o de que «o Boavista não se aplica desta forma com o Benfica ou com o Sporting», habitualmente acompanhados por um emoticon frustrado ou furioso, traduzindo a alma sofrida.

A explicação para tal é de natureza sociológica, e nada tem que ver com as teorias conspirativas que estão na moda:  o jogo entre Boavista e Porto é um dérbi.

Um confronto entre duas equipas da mesma cidade, com adeptos que convivem regularmente nos seus trabalhos, nas suas famílias e grupos de amigos, e que alimentam a expectativa durante todo o ano. É especial.

É assim no Porto, em Lisboa, em Madrid, Barcelona ou Manchester.

Sempre foi assim e sempre assim será: um jogo especial para os adeptos de ambos os clubes. Admito, contudo, que face ao atual contexto desportivo do Boavista e ao seu traço identitário, seja ainda mais especial para os Boavisteiros, que veem no jogo contra o Porto uma oportunidade de se «agigantarem» pontualmente e de reviverem os grandiosos tempos passados.

Na minha opinião, a forma como o Boavista encara este jogo é uma tremenda demonstração de respeito pelo Porto, e não o contrário, como muitos possam pensar.

O Boavista é, sem dúvida, um clube especial.

Na minha opinião, é o único clube em Portugal com uma identidade tão vincada que se sobrepõe às características intrínsecas de jogadores e treinadores.

A cultura bairrista do futebol, pautada pela entrega e disputa de cada lance como se de uma final da liga dos campeões se tratasse, é a nossa marca de água, que originou o célebre «jogador à Boavista».

Qualquer artista que chegue ao Bessa sai de lá um «jogador à Boavista».

E isso enche-nos de orgulho.

 

P.S.: Sobre este tema, convido todos a lerem a crónica de Bruno Vieira Amaral no Expresso, intitulada de «O grande Boavista»:



Comentários (8)
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motivo:
MA
Bom artigo
2018-12-06 22h28m por Malainpn
Curiosamente aqueles que dizem "vocês só jogam assim contra nós" são os mesmo que, paradoxalmente, dizem "caceteiros, não jogam nada". Portanto, se por um lado só criamos dificuldades contra o FCP, por outro não jogamos nada.

O Boavista é isto. Quem viu o jogo do Bessa e não conhece o que é o Boavista, no seu intimo. . . ficou a conhecer. Mesmo nos anos de maior sucesso, o Boavista jogava assim, com jogadores tipo Litos, Pedro Emanuel, Petit, etc. E já no ano em q...ler comentário completo »
IS
Raça Axadezada
2018-12-06 11h17m por Isentoqb
Mais um excelente artigo e que este jogo sirva de exemplo que não são os milhões que vencem os jogos, bem como o VAR infelizmente não trouxe o que era esperado. . . mais verdade desportiva. O orçamento mais baixo da Liga (2. 5 M€) frente a um dos mais altos (90 M€) baterem-se cada um com as armas que tem e no final estava empatado. Se há característica que um Boavisteiro tem é de acompanhar a equipa nas vitórias e nas derrotas e apoiar sempre a equipa. Um adepto ou jogador Boavisteiro não de...ler comentário completo »
Visao a 3
2018-12-06 10h31m por PortistaInExil
Isto pode parecer estranho mas sou Portista (tal como as 2 ou 3 gerações antes de mim), sempre nutri um carinho especial pelo Boavista, mais que não fosse por ser um clube da minha cidade natal e fui atleta acidental pelo "Salgueiral". Os "derbys" da Invicta sempre foram, para mim, palco de grandes momentos desportivos.
Neste caso, os confrontos entre BFC e FCP, foram sempre, e como escreveu e bem o José Pedro Pais, uns momentos de futebol com raça. De futebol para homens com H...ler comentário completo »
RR
José Pedro Pais
2018-12-06 09h21m por rravv
Em muitos tópicos você vê mesmo aos quadrados. . . e até começou bem a sua narrativa. De facto o jornalismo em Portugal. . . enfim. . . menor que zero. Culpar o SC por isso, não concordo. O SC está lá para responder às perguntas dos jornalistas não está lá para ensinar os jornalistas da fazer jornalismo!
O Porto encarou o jogo de maneira muito séria. Jogou com os titulares. rodou um/dois jogadores como faz sempre. Repare na equipa titular contra a Schalke04 e contra o Boavista. N...ler comentário completo »
WA
Lamento informar
2018-12-06 08h37m por wamaral
Mas grande parte dos benfiquistas na cidade do Porto são 'boavisteiros'. Felizmente há alguns que não foram atingidos por essa praga
Boavista
2018-12-06 08h17m por RICRIATIVIDADE
Boavista e Belenenses, outrora rivais, têm uma coisa em comum: foram clubes sistematicamente oprimidos e prejudicados pelo clube maior e mais poderoso da mesma cidade. Sobreviver 100 anos na sombra do F. C. do Porto não deve ser fácil. O meu Belenenses teve de levar com 2 e por diversas vezes, conta-nos a História, que esteve prestes a bater no fundo por causa das tropelias e armadilhas a que foi sujeito.
Eles não sabem e nós não queremos saber
2018-12-06 00h12m por Hammers
O Boavista FC deve ser o único clube deste pais que têm de facto uma identidade (o muito na moda DNA). Desde de a sua fundação em 1903 que representa uma zona delimitada da cidade e nunca procurou mudar. O estilo de jogo é também é sua imagem de marca o seu estilo inglês de correr de dar sempre mais faz parte do seu hino (Luta sempre com vigor. . . É brioso e é leal. . . No prélio põe todo o ardor. . . De princípio até final . . . ).
Joga no mesmo local desde 1910 (e mesmo antes era na...ler comentário completo »
José Pedro Pais
2018-12-06 00h00m por Tarik10
Faltas do Boavista com o Benfica - 12
Faltas do Boavista com o Sporting - 14
Faltas do Boavista com o Porto - 25

Que grande dose. . . de respeito.

Mas o grande culpado foi o árbitro que permitiu o jogo agressivo do Boavista ao não dar os respectivos cartões. (era impossível um critério destes com qualquer outro grande)
Quanto ao Porto pensar que o jogo estava ganho à partida: what a load of [email protected] . .

Nada contra si mas há partes da opinião com que é impossível concordar.
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