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A preto e branco
Luís Cirilo Carvalho
2018/10/30 21:20
E0
"A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

Há uma declaração de interesses a fazer, em nome da clareza, mas que em nada interfere no conteúdo analítico das linhas que se seguem e que versam o triste estado do Real Madrid, no que está a ser um doloroso pós-Ronaldo.

E essa declaração de interesses é muito simples e consta de reafirmar que não gosto do Real Madrid!

Nunca gostei.

Porque, em regra, e não apenas em Espanha, não gosto das principais equipas sediadas na capital do respectivo país por entender que todas elas (muito mais nuns casos que noutros) tem benesses, benefícios e prebendas que os outros clubes que disputam os respectivos campeonatos não tem nem podem sonhar ter.

O Real Madrid, em Espanha, é um caso por demais evidente de um clube historicamente levado ao colo pelo poder, independentemente desse poder ser democrático, como agora, ou ditatorial, como no tempo do general Franco, em que a protecção ao clube foi de tal ordem que o governo até interferia na contratação de jogadores, como aconteceu no caso de Di Stéfano, que ia para o Barcelona e acabou no Real Madrid com todos os efeitos que isso teve na conquista de títulos e troféus pelos “blancos”.

Um pouco o que aconteceu em Portugal com a disputa por Eusébio entre Benfica e Sporting.

Mas essa não simpatia, porque não é mais do que isso, como é evidente, estende-se a França, onde nunca gostei do PSG, e menos ainda na actualidade, quando os milhões de proveniência duvidosa o puseram a jogar “sozinho” na Liga e a ameaçarem a Champions, a Itália onde Roma e Lázio nunca foram clubes que apreciasse, a Inglaterra relativamente a Arsenal e Chelsea (em Londres há tantos clubes que era difícil não gostar de todos ...) e por aí fora em relação a outros países em que regra é a mesma.

Voltemos a Madrid.

Onde tenho alguma simpatia pelo Atlético, que é um clube de grande base popular e que tudo que vence é arrancado a ferros, mas não tenho de facto nenhuma simpatia pelo Real nem pela forma como este clube se posiciona, especialmente desde que Florentino Perez chegou à sua liderança muitos anos atrás na sua primeira fase como presidente.

E não aprecio porque a arrogância, a sobranceria, o “posso quero e mando”, a convicção de que a força do dinheiro tudo resolve, aliados a uma inegável ignorância futebolística, levaram a que o actual presidente madridista se tenha posicionado no mundo do futebol como um autêntico “espalha brasas” convicto de que a sua vontade é lei.

Tudo começou com Figo.

A primeira transferência galáctica do mundo do futebol, que quebrou barreiras em termos de dinheiro gasto e abriu uma espiral inflaccionária que nunca mais parou até aos dias de hoje sempre com o contributo do presidente merengue.

A seguir a Figo foi Zidane, depois Beckam, Ronaldo (brasileiro) e por aí fora, construindo equipas que ganharam alguns troféus importantes (mal era também se não ganhassem), mas que davam sempre a sensação de que os critérios comerciais pesavam muito mais nas escolhas do que os critérios desportivos.

Para lá de uma falta de escrúpulos e ética desportiva que começaram com a forma como foi buscar Figo ao Barcelona (muito por culpa do próprio jogador também) e foram usados sempre que deu jeito para atingir determinados objectivos.

Um dia chegou a Madrid Cristiano Ronaldo.

Curiosamente, a mais importante transferência da História do clube, face ao rendimento do jogador, atingiu os habituais valores galácticos mas não foi feita por Florentino Perez, mas sim pelo seu antecessor Ramón Calderón pouco antes de sair da presidência e dar lugar à segunda etapa de Florentino como presidente.

E, pese embora o extraordinário rendimento do jogador durante os nove anos em que vestiu de branco, ficou sempre a sensação de que não era um jogador do presidente, que por ele nutria o respeito devido a quem tanto fez, mas por ele nunca teve o carinho que nutriu por outros, como Bale, por exemplo.

E, em bom rigor, de há dois ou três anos a esta parte que se percebia que Florentino não se importaria de prescindir de Ronaldo, desde que bem pago por quem o levasse, para promover a estrela maior do clube um dos “seus “jogadores e preferencialmente Bale.

Foi este ano.

E, perante a incredulidade dos adeptos, e do mundo do futebol em geral, Ronaldo foi para a Juventus farto de Florentino Pérez e da falta de reconhecimento do clube perante aquele que foi sem sombra de dúvida o maior jogador do seu historial.

Os resultados estão à vista.

Mas, não contente com finalmente se livrar de Ronaldo o presidente madridista, que também se viu privado de um Zidane farto de o aturar, com a falta de escrúpulos que o caracteriza, não se importou nada de “rebentar” com a própria selecção espanhola a dois dias de começar o Mundial, indo buscar o seleccionador Lopetegui para treinar o seu clube.

Os resultados estão igualmente à vista.

E, com dez jornadas disputadas, o Real Madrid arrasta-se no nono lugar a sete pontos de um Barcelona que também não está a fazer grande campeonato (ai se estivesse...) mas que mesmo assim chegou para aviar o eterno rival com uma cabazada de 5 a 1 no jogo do passado fim de semana.

Por tudo isso considero que esta época cada derrota do “Real Florentino Pérez Madrid” é uma saborosa vitória do futebol!



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